Projeto Dom seleciona organizações da área da saúde em seis Estados

O Grupo Fleury, empresa de medicina e saúde, lançou o segundo edital do Projeto Dom, que capacitará doze organizações em temas como excelência no atendimento, ferramentas de gestão e sustentabilidade em saúde. Podem enviar projetos ONGs que atuem na área de saúde ou que tenham algum projeto nesse setor e que sejam dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia ou Pernambuco.

Segundo o Grupo Fleury, o Projeto Dom tem três eixo temáticos:

1. Dom de Acolher: foco na qualidade do atendimento, acolhimento e gestão operacional.
2. Dom de Transformar: apresentação de ferramentas para transformar o dia a dia da organização visando à sustentabilidade.
3. Dom de Gerir: expertises para gestão de atendimento de qualidade.

As doze organizações selecionadas para participar do Dom receberão como benefícios a) a participação de 02 funcionários indicados pela instituição em uma capacitação nos três eixos temáticos mencionados acima a ser realizada em São Paulo; b) todo o material didático apresentado na capacitação; c) certificado de conclusão da capacitação para cada participante; e d) oportunidade de planejar e desenvolver um projeto prático com o acompanhamento de um especialista do Grupo Fleury por um período de três meses.

Além disso, as três organizações que desenvolverem os melhores projetos práticos ao final do período de acompanhamento, conforme avaliação da Comissão Julgadora do Grupo Fleury, receberão a ambientação de um espaço de acolhimento acordado entre a organização e o Grupo Fleury.

Inscrições nesse edital estão abertas até o dia 28 de junho, e mais informações podem ser encontradas acessando a página do Programa neste link.

As informações são da ABCR.

Prêmio ReSource apóia manejo sustentável de bacias hidrográficas

Iniciativa da empresa suíça Swiss Re, o Prêmio ReSource concederá até 150 mil dólares (cerca de 300 mil reais) para uma ou mais organizações no mundo que apresentem iniciativas sustentáveis de manejo de bacias hidrográficas.

O financiamento é para garantir a manutenção da água como um recurso disponível e limpo no futuro, e deve ser gasto com as atividades de implementação da iniciativa proposta. O início do projeto apresentado deve ser em 2014 e o seu encerramento em 2015.

O prazo para envio das propostas é dia 30 de abril. Os projetos devem sem escritos em inglês, porém, o edital está em português e pode ser acessado clicando aqui.

Fundação SOS Mata Atlântica seleciona projetos ambientais

A Fundação SOS Mata Atlântica está disponibilizando até R$ 300 mil para financiar projetos dentro do seu programa Costa Atlântica. As propostas de organizações da sociedade civil devem visar a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade das zonas costeira e marinha sob influência do bioma Mata Atlântica.

O prazo máximo para a execução dos projetos deve ser de 12 meses, contados a partir da data de assinatura do contrato, e seguir uma das duas linhas de atuação apresentadas no edital: “Criação e Consolidação de Unidades de Conservação Marinhas” – propostas deste tipo não deverão exceder R$ 40 mil; ou “Conservação e Uso Sustentável de Ambientes Marinhos e Costeiros” – com valor máximo de R$ 30 mil.

O Edital da Fundação SOS Mata Atlântica conta com o patrocínio das empresas Anglo American, Bradesco Capitalização e Repsol Sinopec.

As propostas podem ser enviadas até 30 de outubro de 2012, e todas as informações, incluindo o edital, podem ser acessadas na página http://www.sosma.org.br/projeto/costa-atlantica/v-edital/

Santander Práticas de Educação para a Sustentabilidade

Estão abertas as inscrições para o Santander Práticas de Educação para a Sustentabilidade. O concurso cultural quer reconhecer e incentivar casos de inserção de sustentabilidade no dia-a-dia de disciplinas obrigatórias dos cursos de Administração e Economia.

Professores interessados em participar podem se inscrever até o dia 9 de março e apresentar suas propostas de como abordar a sustentabilidade em sua matéria. Os participantes têm até outubro para implantar sua proposta, enquanto participam de discussões on-line exclusivas com especialistas sobre o tema.

[critérios de avaliação]

No final do período de discussões, a banca julgadora escolherá três finalistas para apresentarem seus casos de sucesso em um evento aberto ao público e transmitido a todo país. Os três professores ganharão uma bolsa de estudos na Babson College, em Boston, para um curso de uma semana sobre empreeendedorismo.

» Inscrições aqui!

Mais informações acesse http://praticasdeeducacao.universia.com.br/home

Fonte: Universia

Educação para a sustentabilidade

Formação de cidadãos conscientes é o caminho para enfrentar os desafios da atualidade

 

Por Fernando Credidio

Um dos principais desafios do século 21 é tornar o desenvolvimento compatível com a conservação do meio ambiente e a manutenção de condições viáveis para as gerações futuras. Portanto, é necessário mobilizar diversos segmentos da sociedade em torno de um desafio comum: a busca pela sustentabilidade. Esse caminho é uma travessia longa, complexa e infindável, que exige um grau inédito de conscientização e colaboração planetária.

Consciência é algo muito relacionado a tempo. Indivíduo consciente é o que se entende como resultado de uma história e se compreende em função de um futuro, que ainda se realizará. O mesmo ocorre com a espécie, a humanidade e a civilização. Somos o resultado de muitas histórias. Portanto, temos um compromisso com o futuro, com as gerações por vir, com os nossos netos, com os filhos dos nossos netos e com o ambiente do qual fazemos parte, em um horizonte-tempo de décadas, séculos, milênios… o tempo da natureza.

Conhecer e estudar o “inimigo” são os primeiros passos para enfrentar os problemas que afetam o planeta e a vida das pessoas. Os inimigos da sustentabilidade são ignorantes e não têm nenhum compromisso. Dessa forma, se não utilizarmos o conhecimento adquirido, estaremos em perigo. Temos de fazer o possível para mover o mundo adiante, multiplicando exemplos e estimulando a transformação de conhecimento em ação.

Nesse aspecto, a educação é a ferramenta mais importante da qual dispomos. Por isso, é essencial que as universidades se comprometam com as questões envolvendo a cidadania. Uma das maneiras de isso ser feito é por meio da inclusão do tema sustentabilidade em suas grades curriculares.

Alguns defendem a obrigatoriedade da inclusão de disciplinas focadas em sustentabilidade nos cursos superiores. Entretanto, tal iniciativa, apesar de necessária, não é suficiente, porque não basta a inclusão de uma disciplina. É interessante a posição do professor Norman de Paula Arruda Filho, superintendente do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae/FGV), quando afirma que tão importante quanto a inclusão de disciplinas que abordem a sustentabilidade é a necessidade de sensibilizar professores, coordenadores e alunos sobre essa nova visão, tornando-a um processo de aprendizagem.

Ademais, é fundamental formar uma geração que pense de maneira diferente, pois nos encontramos diante de um analfabetismo de líderes, pois muitos que estão no poder, hoje, pouco conhecem a respeito do tema. Prova dessa afirmação é que empresários renomados, com pós-graduação, MBA e outras titulações relevantes causam, constantemente, muitos desastres ao meio ambiente, fato comprovador de que os cursos universitários não garantem profissionais competentes para atuar com uma visão sustentável sobre a empresa.

Por isso é impossível continuar formando empresários e líderes no velho modelo. Os desafios de hoje exigem um novo tipo de formação. Portanto, além da educação que auxilia jovens a crescerem com o compromisso socioambiental, é necessário, igualmente, o desenvolvimento de programas que reeduquem empresários, para que estes tenham uma visão voltada para a busca de uma sociedade mais justa e sustentável.

Modelo a ser seguido
Como bem explicou Jane Nelson, diretora do Centro de Iniciativa para Responsabilidade Social Empresarial da Universidade de Harvard em recente entrevista, a prática da interdisciplinaridade não vem sendo efetivada, e muitas instituições optam por engessar a educação para a sustentabilidade em uma disciplina separada, quando ela deveria estar em todas. Essa questão é muito debatida entre educadores ambientais. Muitos são a favor da criação da disciplina, pois dessa forma ela seria ministrada por um professor responsável, teria uma grade temática a ser seguida. Na forma interdisciplinar, a educação corre o risco de não ser efetivada, pois, por ser de responsabilidade de todos, ao mesmo tempo, é de responsabilidade de ninguém.

Contudo, independentemente do modelo a ser adotado, é importante que o assunto seja discutido e debatido incansavelmente, mas não apenas nas universidades. O tema sustentabilidade deve permear todo o nível de ensino, desde o mais básico até a pós-graduação, onde poderiam ser desenvolvidas pesquisas sobre o tema.

Naturalmente, os desafios são muitos, como, por exemplo, a preparação de professores que devem participar de atividades para sensibilizar os demais, bem como alunos e a própria direção das instituições, para a necessidade de uma mudança de postura em relação aos costumes e hábitos. Além disso, esses profissionais devem ter conhecimento e experiência comprovados na área. Por isso a educação ambiental não é uma tarefa fácil; todo educador deve mudar, passando a enxergar o mundo de forma diferente. Esse é o maior desafio que a educação ambiental tem pela frente.

Em se tratando do mercado de trabalho, as principais habilidades exigidas de um líder, hoje, é que este entenda e assuma os “4 Cs”, que são: compreensão, cidadania, comunidade e concorrência. Sendo assim, as universidades devem ser mais criativas, introduzindo essas questões como forma de aprendizado.

O fato é que o ensino da sustentabilidade promoverá uma inovação em processos e na criação de sistemas de trabalho mais responsáveis, ampliando o próprio papel das escolas ao associarem o tema, definitivamente, ao mundo dos negócios. É fundamental que isso ocorra, uma vez que sustentabilidade é a chave para a construção do futuro.

O que não se discute é que a educação para a sustentabilidade é fundamental para se alcançar uma sociedade justa e responsável. Portanto, é preciso que as instituições de ensino prestem atenção e debatam o tema cada vez mais, porque é impossível imaginar que o mundo vá “se consertar” sozinho.

É verdade que não há como mudar, nesse momento, o paradigma excludente e predatório de uso e abuso dos recursos naturais extremamente consumista que se apresenta. Ainda assim, por meio da educação para a sustentabilidade, podemos garantir que as gerações futuras possam agir reciclando comportamentos, a fim de solucionarem os problemas que assolam o planeta. Não é só uma questão de conscientização, mas de formação de cidadãos que pensem e ajam diferentemente. Cidadãos que saibam o que e como fazer, pois o ambiente depende de uma mobilização geral para o futuro.

Fernando Credidio. Articulista, palestrante e consultor organizacional em comunicação para o Terceiro Setor, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental corporativa.

 

Publicado na Revista Filantropia On-line n.º 191.

 

Sustentabilidade deve pautar mercado pós crise

Rodrigo Zavala

“Bem analisada, a crise que estamos sofrendo é precisamente uma crise de irresponsabilidade”. As palavras do professor consultor da Universidade de Stanford University (EUA), Antonio Vives, são parte de um consenso em voga, que entende a crise financeira internacional como uma lição de prudência e da necessidade de inclusão dos conceitos de sustentabilidade no núcleo dos negócios.

Essa lógica tem como fundamento a crença de que as empresas socialmente responsáveis estarão na linha de frente a partir de agora. “Cresce a exigência dos consumidores, dos investidores, dos trabalhadores e dos cidadãos com o setor privado. Essa cobrança social múltipla é um fenômeno objetivo e inevitavelmente crescente a partir da maturidade da sociedade e suas instituições”, afirma Vives.

No entanto, um dos questionamentos colocados pelo professor é justamente até que ponto esse otimismo é uma realidade ou um Valhalla teórico? Segundo Vives, muito se fala sobre responsabilidade social de empresas na América Latina, onde diz existir uma surpreendente proliferação de publicações, especialistas e fóruns sobre o tema.

“É um bom sintoma de maturidade. Porém, temo que seja uma conversa entre convencidos. Estamos com um excesso de oferta recomendações ante uma escassez de demanda. São as empresas e os consumidores aqueles que deveriam atuar, e, nesse ponto, falta muita consciência, com muito para fazer”, critica.

As questões levantadas pelo professor não são isoladas; de um acadêmico que, de fora, acena dando conselhos. Um bom exemplo de como o debate tem se dado vem do encontro “Perspectivas da Crise Econômica no Brasil”, realizado no último dia 22, em São Paulo. Enquanto o presidente do Instituto, Ricardo Young, afirmava que a crise é uma oportunidade para revelar quais são os empresários realmente comprometidos socialmente, a platéia patinava nas reflexões dos convidados.

Mediado pela jornalista Miriam Leitão, o encontro reuniu o professor titular do departamento de economia da FEA-USP, José Eli da Veiga, o economista-global do Banco Itaú, John Welch , o diretor de planejamento e especialista em crise do BNDES, João Carlos Ferraz e o professor da PUC-RJ Sérgio Besserman Vianna. Todos eles discutiram o evidente: ninguém tem, ainda, uma visão clara e sistêmica do desarranjo econômico que varre o planeta, apesar de pensá-lo como uma oportunidade.

Segundo José Eli da Veiga será preciso promover transformações profundas nas economias para se iniciar a recuperação. “Os mecanismos tradicionais para superar crises não vão dar resultados”, disse. Já o economista Sérgio Besserman, que atua na PUC-RJ e também pertence aos quadros do BNDES, acredita que vivemos um momento de inflexão da história. “Nada será como antes”, diz ele.

No site do Ethos, um texto sobre o evento diz “entre os palestrantes pareceu haver um consenso que antes só freqüentava mesas de ONGs e de militantes da esquerda: é uma insensatez acreditar que o mercado é capaz de se autoregular”. Assim, valores como ética e sustentabilidade, que são externos ao mercado, precisam ser impostos a ele.

Segundo Ricardo Young, presidente da organização, a idéia deste encontro com economistas foi fomentar o debate e plantar sementes de conhecimento que podem ajudar a inovar. Ele lembrou que é um bom momento para colocar a sustentabilidade, os novos paradigmas de produção e consumo, menos impactantes ambientalmente, socialmente mais responsáveis e economicamente menos predatórios como alternativa viável para a retomada do desenvolvimento.

Nesse contexto, Antonio Vives afirma que é preciso ser realista e não viver de ilusões. “Os promotores da responsabilidade social de empresas devem entrar mais em contato com a realidade empresarial para se interar de verdadeiros obstáculos e poder desenhar intervenções efetivas e sustentáveis”, crê.

Publicado em www.gife.org.br