Mejor educación y empleo para jóvenes son clave para aprovechar el bono demográfico

La mayoría de los países de Iberoamérica atraviesa actualmente una coyuntura favorable para el desarrollo económico gracias al denominado “bono demográfico”, situación que impacta especialmente a los jóvenes de la región.

El bono demográfico hace referencia a una fase en la que el balance entre las edades de una determinada población genera una oportunidad para el desarrollo. Ocurre cuando cambia favorablemente la relación de dependencia entre la población en edad productiva (jóvenes y adultos) y aquella en edad dependiente (niños y personas mayores), con un mayor peso relativo de la primera en relación con la segunda.

De esta forma, una mayor proporción de trabajadores no solo representa una reducción del gasto en personas dependientes, sino que tiende a impulsar el crecimiento económico a través del incremento en el ingreso y la acumulación acelerada del capital.

Según el documento Juventud y bono demográfico en Iberoamérica, editado por la CEPAL y la Organización Iberoamericana de Juventud (OIJ) con el apoyo del Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA) y el Banco de Desarrollo de América Latina (CAF), actualmente la región vive un período en que las tasas de dependencia de la población han descendido hasta alcanzar mínimos históricos, lo que abre nuevas ventanas de oportunidades, especialmente para los jóvenes.

Sin embargo, advierte que este bono se traducirá en beneficios reales para este grupo etario solo si se realizan inversiones en capital humano, sobre todo en educación y empleo.

Según el documento, la disminución sostenida de la fecundidad en varias naciones produjo una liberación de recursos financieros que posibilitaría una mayor inversión en la cobertura y calidad de la educación. Este hecho se observó en todos los países de la región y representó, en promedio, 19% de aumento en los recursos disponibles por niño en edad escolar durante la última década.

Asimismo se prevé un incremento sustancial para la próxima década, de 15% en promedio, lo que permitiría sostener económicamente una ampliación de la cobertura educativa en los niveles secundario y terciario.

Por otro lado, el estudio muestra que los trabajadores jóvenes que se insertaron en el mercado laboral en la última década sin haber completado la educación secundaria han enfrentado peores condiciones laborales (desocupación, bajos ingresos y participación en empleos de baja productividad).

En el futuro, muy cercano en el caso de algunos países de la región y un poco más distante en el caso de otros, se prevé que el envejecimiento sostenido de la población que muestra cada uno de los países latinoamericanos invertirá la ecuación de dependencia, es decir, habrá un número creciente de personas mayores dependientes frente a los jóvenes y adultos en edad de trabajar.

“Esta situación exigirá el ajuste de programas y políticas públicas en diversas áreas, como la provisión de cuidados de larga duración y el financiamiento de pensiones para una población progresivamente envejecida”, indica la publicación.

Finalmente señala que sociedades más incluyentes, con mayor participación de los jóvenes en sistemas de educación de calidad y en el empleo productivo, serán más exitosas frente a los desafíos del envejecimiento de la población.

Fonte: CEPAL

 

Criança e Esperança seleciona projetos

Todos os anos a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco) seleciona instituições que ao longo de um ano irão receber recursos para desenvolver projetos sociais. As inscrições para o processo seletivo são feitas por meio de um formulário próprio, disponibilizado no site do Criança Esperançadurante um período específico, que em 2012 será de 1º a 31 de julho.

Clique aqui para baixar a convocatória da UNESCO para o processo seletivo de 2012

Antes de dar inicío à inscrição de seu projeto, no entanto, existem algumas coisas que você precisa saber:

– a Unesco só aceita projetos incritos por organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, que apresentem projetos com o objetivo principal de promover a inclusão social, o empoderamento e o desenvolvimento humano e social e a educação inclusiva de grupos vulneráveis por meio de ações de educação, cultura, comunicação e informação, esporte e meio ambiente;

– a organização deve ser legalmente constituída (possuir personalidade jurídica); ter, no mínimo, três anos de fundação e atuação; possuir experiência na área temática proposta; estar inscrita no Conselho Municipal e/ou Estadual e/ou Nacional de sua área de atuação (Conselhos de Assistência Social, Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselhos de Educação, Conselhos de Saúde); e apresentar contrapartida para o desenvolvimento do projeto – como contrapartida, entende-se o aporte pela ONG proponente de, no mínimo, 10% do orçamento em recursos financeiros próprios;

– os projetos inscritosdeverão ser desenvolvidos em, pelo menos, uma das seguintes áreas temáticas: educação, especialmente “Educação para Todos” e educação preventiva para HIV/AIDS; educação para o desenvolvimento sustentável; inclusão social; alfabetização funcional;
cultura como um instrumento de inclusão social; acesso de jovens à informação, ao conhecimento e, também, ao uso de novas tecnologias; crianças e jovens em situação de vulnerabilidade;

– os projetos deverão ter como público alvo, pelo menos, um dos seguintes grupos: crianças, adolescentes e/ou jovens em situação de pobreza e/ou vulnerabilidade e risco social; crianças, adolescentes e/ou jovens de minorias raciais (afro-descendentes e indígenas); crianças, adolescentes e/ou jovens em situação de rua; crianças, adolescentes e /ou jovens vivendo com HIV/AIDS; crianças, adolescentes e/ou jovens em projetos de prevenção e/ou reabilitação do uso de drogas; crianças, adolescentes e/ou jovens vítimas de violência e/ou abuso sexual e/ou doméstico;crianças, adolescentes e/ou jovens com deficiência;crianças, adolescentes e/ou jovens do gênero feminino em situação de vulnerabilidade pessoal e social;

– os recursos aportados pelo programa Criança Esperança ao projeto devem ser direcionados prioritariamente para a realização de atividades-fim (a exemplo de oficinas, cursos, treinamentos, capacitações, produção de materiais etc.) e/ou aquisição de equipamentos e bens permanentes (a exemplo de livros, DVDs, instrumentos musicais, de informática etc.);

– somente serão financiados projetos cujo percentual das despesas com o pagamento de pessoal não ultrapasse os 60% do orçamento total apresentado na proposta;

– ao final do cadastramento do(s) projetos(s), a instituição deverá imprimir o “Formulário de projeto” e encaminhá-lo para a UNESCO junto com a documentação comprobatória – cópia do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); documentação jurídica (cópia do contrato social ou outro documento comprobatório do registro da organização); cópia da inscrição nos Conselho Municipal e/ou Estadual e/ou Nacional da área de atuação do projeto; e resumo do currículo de cada um dos membros da equipe de coordenação do projeto – em um único volume lacrado;

– cada organização proponente poderá encaminhar até dois projetos, mas, somente um poderá ser contemplado;

– projetos que apresentarem dados incorretos, incompletos ou inverídicos serão automaticamente eliminados, cabendo à organização proponente assegurar-se do correto envio da documentação e da veracidade das informações prestadas.

Para tirar outras dúvidas sobre a inscrição de projetos, visite a página de Dúvidas Frequentes

Fonte: Crianaça Esperança

ONU lança relatório sobre situação mundial dos jovens no mercado trabalho

ONU Brasil

Pela primeira vez, jovens de todo mundo contribuem, por meio de mídias sociais, na elaboração do Relatório Mundial da Juventude, nesta edição intitulado “Emprego de Jovens: Perspectivas da Juventude na Busca de Trabalho Decente em Tempos de Mudança“.

Jovens de todo o mundo estão preocupados com a falta de oportunidades de trabalho e pedem aumento do investimento nesta área, afirma o documento divulgado hoje (06/02) pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA).

Na sequência da crise econômica, a taxa de desemprego global de juventude atingiu seu recorde histórico em 2009, quando cerca de 75,8 milhões de jovens ficaram desempregados. Nas desacelerações econômicas, jovens são muitas vezes os últimos contratados e os primeiros demitidos. Em 2010, a taxa de desemprego global de jovens era 12,6%, muito maior do que a taxa de desemprego mundial adulto de 4,8%.

Hoje, cerca de 152 milhões de trabalhadores jovens são de famílias que estão abaixo da linha da pobreza (vivem com menos de 1,25 dólar por dia), compreendendo 24% dos trabalhadores pobres do mundo.

A diferença de gênero afeta rapazes e moças: em 2010, a taxa de desemprego total dos jovens foi de 25,5% no Oriente Médio e 23,8% no Norte da África. O desemprego entre as moças nessas regiões foi particularmente alto, chegando a 39,4% no Oriente Médio e a 34,1% no Norte de África.

Em 2010, a taxa de desemprego global para jovens do sexo feminino foi de 12,9%, comparada com 12,5% para os homens jovens. Nas economias desenvolvidas, na União Europeia e no leste da Ásia, o homem jovem tem experimentado taxas de desemprego ligeiramente mais elevadas do que as mulheres jovens.

Para elaborar o relatório, a ONU contatou jovens e representantes de organizações de jovens que foram convidados a compartilhar, por meio de plataformas digitais e mídias sociais, suas opiniões, experiências e recomendações sobre a preparação para ingressar, como ter o acesso e como permanecer no mercado de trabalho. Foram recebidas aproximadamente 1,1 mil contribuições (incluindo fotos e vídeos) durante quatro semanas.

O relatório revela também que os jovens estão preocupados com a qualidade e a relevância de sua educação, como diz Amadou, um rapaz senegalês de 24 anos: “Hoje, deveria ser mais fácil encontrar um emprego porque nossa geração é mais educada, mas há uma inadequação entre a formação oferecida e as necessidades do mercado de trabalho.”

Outros assuntos de interesse incluem a vulnerabilidade do trabalho, a migração laboral, o atraso no casamento, bem como idade, sexo e discriminação racial.

Mas as oportunidades oferecidas pelos empregos verdes, novas tecnologias e empreendedorismo contribuem para proporcionar esperança para os jovens, que também salientam a necessidade de ser pró-ativo e manter uma visão positiva para encontrar empregos decentes, como diz o espanhol Leo, de 28 anos: “Precisamos inovar, arriscar, criar.”

Clique aqui para acessar o documento em inglês. Este é o primeiro ano em que também é possível interagir e partilhar ideias pelo site do relatório.

Saiba mais acessando aqui

(ONU Brasil)

CESE abre edital de projetos para a área da juventude e infância em todo o Brasil

As propostas podem ser enviadas até 15 de maio
 
A CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço lançou no dia 15 de abril o edital Mobilizando Recursos Locais. Trata-se de uma chamada pública para recebimento de projetos sociais que tenham como objetivo beneficiar direta ou indiretamente jovens, adolescentes ou crianças. Serão aceitos projetos de todo o Brasil, sendo prioritários os recebidos das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
 
Para se inscrever a instituição ou grupo de voluntários além de ter um projeto social deve propor uma mobilização junto à comunidade para a arrecadação de verbas para a execução do projeto, como bingos beneficentes, rifas, bazares, jantares etc. A proposta de CESE é dobrar os recursos levantados nesta mobilização, sendo R$ 8 mil o valor máximo de cada projeto (R$ 4 mil do grupo e R$ 4 mil da CESE). As inscrições serão aceitas somente pela internet até o dia 15 de maio – o formulário e as orientações estão disponíveis no site www.cese.org.br.
 
O edital segue o método de “Dupla Participação”, criado para estimular as organizações e movimentos populares a construirem auto-sustentação financeira.  Seu foco é a mobilização de recursos locais, de maneira a incentivar a criatividade e ações inovadoras das organizações populares, bem como a sensibilização e solidariedade da população em geral para as causas defendidas por elas.

A instituição organizadora do edital atua há 38 anos com apoio a movimentos de luta pela garantia de direitos no Brasil. Em 2010, atingiu a marca de 9 milhões de pessoas beneficiadas em 10 mil iniciativas apoiadas desde 1973. Esta experiência da CESE poderá ser aproveitada pelos grupos que tiverem seu projeto selecionado. As ações apoiadas no edital Mobilizando Recursos Locais receberão orientações da organização para a realização das ações de mobilização, bem como para a execução do projeto.
 
O Edital faz parte do programa de apoio a projetos CESE Ação para Crianças, que existe desde 2007. Ao total já foram beneficiados mais de 20 mil crianças e adolescentes, totalizando cerca de R$ 425 mil enviados aos projetos aprovados.  Em 2011 o foco da seleção será projetos cujos resultados incidam na melhoria de qualidade de vida de jovens, crianças e adolescentes mais vulneráveis, especialmente iniciativas voltadas para combate à violência, geração de renda, preservação ambiental, educação, cultura, lazer, saúde, segurança alimentar e nutricional, acesso à água, habitação e meio ambiente.
 
Um exemplo de ação apoiada em edições anteriores do Edital aconteceu em 2010 em Ceilândia, cidade satélite de Brasília. O Movimento de Adolescentes e Crianças – MAC articulado com a Paróquia São Francisco de Assis arrecadou recursos através de bingo, rifa e venda de alimentos na comunidade.  Nestas ações angariaram R$1.306,80 e com a “Dupla Participação” o recurso total do projeto foi de R$ 2.613,60. Este valor foi aplicado no projeto Bonecos Cidadãos, no qual as crianças e adolescentes confeccionaram bonecos com materiais reciclados, estimulando a convivência harmoniosa com o meio ambiente por meio da arte. Em continuidade a esta ação, foram elaboradas histórias infantis fundamentadas nos estudos do Estatuto da Criança e do Adolescente e realizada uma ação educativa com Teatro de Bonecos na comunidade. O projeto foi selecionado pelo Governo Federal como uma das 50 boas praticas de projetos para a promoção de direitos das crianças e adolescentes.

Instituições interessadas em enviar projeto para o Edital podem tirar dúvidas pelo telefone (71) 2104-5459.

ENTREVISTA MIRIAM ABRAMOVAY, ESPECIALISTA EM JUVENTUDE

Formada em Sociologia e Ciências da Educação pela Universidade de Paris, na França (Paris VIII – Vincennes), e mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Miriam Abramovay é autora e co-autora de vários livros e artigos sobre o tema juventude, como Políticas Públicas de/para/com Juventudes (Brasília, UNESCO, 2004) e Juventude, Juventudes: o que une e o que separa (Brasília, UNESCO, 2006).

Em entrevista ao Cenpec, Miriam traça um perfil da juventude, ou melhor, das juventudes de hoje, comenta as diferentes formas de participação social encontrada pelos jovens e a pouca visibilidade dada às essas ações. “Como esse ator social só há muito pouco tempo passa a ser um ator social com visibilidade, com políticas específicas, com discussões e possibilidades, isso também traz muito temor. Os adultos ainda vêem os jovens de maneira muito negativa”, acredita a socióloga, que atualmente coordena pesquisas sobre violência nas escolas na Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla).

É possível definir um perfil para juventude atual?

Todos os que trabalham, lêem sobre juventude falam em geral duas coisas: a primeira é que não existe uma só juventude. Isso já é senso comum. Se usa “juventudes”, no plural. Depende da raça, do gênero, do grupo a que pertence, da classe social etc.

Mas eu acho que as juventudes têm alguma coisa em comum como grupo. Além do ser jovem, a questão do dinamismo, da crença na vida, da esperança, a questão de alguns pontos de como vêem o mundo, apesar de não ser igual, é com mais otimismo que os adultos sempre. Isso faz parte, inclusive, do ser jovem. Outras coisas como querer se diferenciar, seja na roupa, seja na forma de falar ou de se vestir, de se arrumar, na forma de se relacionar com os adultos e com os próprios jovens.

Então, se de um lado, nós temos várias juventudes, também temos algumas características comuns nessas mesmas juventudes.

A senhora acredita que o jovem de hoje vem buscando novas formas de participação política nas ONGs, nas associações locais, em organizações de economia solidária?

Novamente, eu acho que existem muitos jovens. E o jovem de hoje não é o mesmo que o de 20, 30 anos atrás. Eles estão vivendo em uma sociedade amplamente globalizada, em uma era em que podem se conectar através da internet; é uma relação que não existia para o jovem de 30 anos atrás. O mundo mudou. O mundo mudando, evidentemente todos mudaram, mas os jovens também mudaram, principalmente porque eles têm um perfil em mudança. Eles não estão ainda definidos, estão em processo de mudança.

Então, eu acho que existem muitas formas de participação. Existe uma forma de participação mais tradicional. Apesar de muito se falar que os jovens não participam politicamente, é possível participar politicamente de muitas formas. Não é preciso pertencer a partidos políticos. Mesmo entre os adultos, a participação em partidos políticos é muito pequena. Existem infinitas formas de participação dessas juventudes. Inclusive, uma forma de participação só pela internet. Alguns grupos, os chamados grupos de participação mais positiva, que não acontece só em partidos políticos, mas em grupos de música, de dança, de teatro, de esportes, de internet, enfim, com trajetórias, experiências pessoais muito diferentes, experiências muito diferentes diante da tecnologia, do consumo, do capital social e cultural que eles têm, que também é muito diferente.

Eu considero como participação alguns grupos que as pessoas não consideram. Em Brasília, existem jovens organizados em gangues de pixadores. Eu acho que isso é uma forma de participação também, porque eles estão se colocando no espaço da cidade, tomando esse espaço para que seja deles também. Então, eles fazem pixações em locais indevidos, mas é uma forma de aparecer, de chamar a atenção, de se colocarem nesses espaços de pertencimento em uma cidade que não lhes dá espaço.

É uma forma de mobilização?

Não é uma forma de reivindicação política no sentido tradicional, mas é uma forma de reivindicação. Quando eles estão pixando a parede, eles estão dizendo “Nós não temos espaço nessa cidade. Estamos colocando o nosso nome, porque não estamos sentindo que essa cidade nos abre espaços e nos dê possibilidade de nos sentir cidadão como qualquer outro cidadão”. Têm outros que não, que têm outras necessidades, outras formas de participação. Eu acho que a gente tem que levar em conta essa questão do tempo em que nós estamos vivendo e como é a vida cotidiana desse jovem e como ele está se colocando no mundo.

Me parece que é uma mobilização de jovens mais voltada para problemas locais. É uma realidade diferente da do jovem da década de 70 que brigava pela instauração de um regime democrático.

É uma participação que pode se dar através do hip hop, da letra de música, dizendo o que você tem e o que você não tem, através de protestos contra violência…

Eu acho mesmo que, apesar de eles pertencerem a um mundo globalizado e terem acesso a essas informações, o real é a vida local, o cotidiano deles. Eles não podem brigar pelo que está acontecendo em Brasília; eles têm que brigar pelo aqui e agora deles. Acho que estão fazendo isso mesmo. Muitas vezes não aparece, não têm a mesma visibilidade de movimentos sociais tal como o impeachment, o de 68, mas é diferente. É outro mundo, é outra sociedade.

Tem um quadro muito interessante colocado por uma autora chilena chamada Dina Krauskopf em que ela vai dizendo as necessidades dos jovens de ontem e de hoje. Ela vai explicando isso, como o local, o pessoal, o que está mais próximo é importante para as nossas juventudes hoje, enquanto que para juventude de uma época como a da ditadura, era a questão social, do todo, dos movimentos políticos. Então, era outro mundo, outro momento histórico.

O grande problema é quando se faz essa comparação, porque aí se começa a culpabilizar o jovem não pelo que eles são, mas dizendo o que eles não são.

A Dina Krauskopf fala que o velho paradigma eram as identidades coletivas e o novo paradigma são as identidades étnico-existenciais; o velho paradigma era a mudança social, o novo paradigma, a mudança do eu; o velho paradigma era o global, o novo paradigma, o local; o velho paradigma eram metas e soluções futuras, o novo paradigma, metas palpáveis e a curto prazo.

Também haveria aí um descrédito generalizado não só da juventude, mas de toda sociedade nas instituições democráticas?

Não, não acho que é isso. Eu acho que tem uma desconfiança muito grande do que é o ser jovem na nossa sociedade. Nós somos uma democracia muito recente. Eu penso que a questão da juventude também é muito recente nessa discussão. Então, ao mesmo tempo em que ela fascina, também amedronta. Os jovens para os adultos têm esses dois lados: de fascinação, porque são jovens, bonitos, trazem novas experiências, esperanças. Mas ao mesmo tempo dão muito medo, como tudo que é muito novo. Como esse ator social só há muito pouco tempo passa a ser um ator social com visibilidade, com políticas específicas, com discussões e possibilidades, isso também traz muito temor. Os adultos ainda vêem os jovens de maneira muito negativa. Se você pegar a imprensa, vai ver que o jovem só aparece quando mata alguém, ou morre. As coisas importantes que acontecem na juventude dificilmente aparecem na imprensa. Eu acho que isso na percepção das pessoas funciona um pouco assim também.

Como a senhora acabou de falar, o reconhecimento da necessidade de políticas específicas para juventude é recente. Qual a sua avaliação das políticas públicas atuais?

Eu acho que o Brasil é o País da América Latina que mais mudou essa questão das políticas públicas para juventude. Apesar de ainda serem incipientes, com a criação de uma secretaria, um conselho da juventude, muitas coisas aconteceram, muitas coisas são discutidas. Se tenta visibilizar essa questão da juventude, se tenta pautar, se tenta efetivamente que as políticas sejam concretas. Eu acho que o Brasil tem muito que avançar, mas muito já se avançou pelo menos nas discussões, com a presença do Projovem, com o Conselho etc.

Sobre essa questão da formação para participação dos jovens, o que a senhora pensa disso? Esse não é um ponto importante na formação desse jovem enquanto indivíduo, na medida em que estimula o desenvolvimento de um senso crítico, uma consciência cidadã?

Eu acho que aí a escola desempenha um papel muito importante. A gente não pode esquecer que a escola é o lugar onde adolescentes e jovens permanecem até uma determinada idade a maior parte do seu dia e é a única instituição social com a qual eles têm contato. A outra é uma instituição privada, que é a família. Fora alguns jovens que estão organizados em ONGs, grupos etc. Então, a escola tem um papel fundamental aí. Tem o papel de trabalhar a questão dos valores, das relações sociais que são muito tensas, das violências que acontecem no mundo e na própria escola. A escola está muito assustada e muito espantada com esse tipo de população, o jovem e o adolescente que está entrando na escola e que de certa forma não se conformam mais com a escola tradicional, a escola de antigamente. Eu acho que a escola está dando conta muito mal da educação dos nossos jovens.

Sem contar que há um determinado momento da adolescência em que esses jovens saem da escola, porque nós não temos o ensino médio como deveríamos ter hoje no Brasil. Então, mesmo os que estão no ensino fundamental, muitos abandonam. Eu acho que essa é uma questão fundamental – a escolaridade, a possibilidade de ter na escola um capital cultural, social para se desenvolver, além do que ele traz de casa.

Mas essa formação para participação – esse aprendizado dos direitos de cada um, do funcionamento da democracia, do papel das instituições democráticas – não deveria integrar o currículo escolar de maneira mais explícita?

Deveria fazer parte do cotidiano. Não adianta ensinar, dar aula dizendo quais são os direitos. É preciso mostrar isso na prática. A escola é o lugar onde existe muita violência e muito pouco respeito. Por mais que você vá dar aula de direitos humanos, na realidade você tem um nível de preconceito, discriminação, racismo, homofobia, de violência dura dentro das escolas, de agressões verbais; então, o teu discurso está sendo contraditório, entendeu? Não é um problema dos parâmetros curriculares. O mais difícil é colocar isso em prática no dia-a-dia da escola, mostrar que as relações sociais podem ser diferentes dentro da escola. O clima escolar hoje é muito ruim. Então, é muito difícil você fazer isso. Dar uma aula de direitos humanos é muito mais fácil você, mas não tem efeito se não faz parte do seu cotidiano.

Mas esse aprendizado não pode servir como um instrumento para esse aluno transformar a realidade em que ele vive?

O que eu estou querendo dizer é o seguinte: a escola é responsável por muitas coisas. Ela se queixa muito por ter que dar não só as matérias que os meninos devem aprender, fazer provas etc, mas ela é responsável também por ensinar cidadania.

O que eu quero dizer é: você pode dar aula de tudo o que você quiser. No entanto, se não se mostrar na prática como isso funciona… Não adianta dizer que as pessoas devem ter civilidade, se os professores gritam com os alunos todo o tempo… É isso o que eu quero dizer, entende? Se os alunos estão se agredindo fisicamente ou xingando…

Eu acabei de lançar um livro sobre violência nas escolas aqui no Distrito Federal e se você der uma olhada na publicação no site da Ritla, vai ver o que acontece dentro das escolas. É um terror.

Não sou contra dar aulas de direitos humanos, mas as coisas têm que ser efetivas e para ser efetivas a prática é o critério da verdade.

Publicado em www.cenpec.org.br

JOVENS CRIAM E PROPÕEM NOVAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Existem hoje no Brasil cerca de 34 milhões de jovens de 15 a 24 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2006, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa juventude – embora muito diversa e heterogênea em um país de tantas facetas como o Brasil – vem criando e propondo novas formas de participação política: pelo voluntariado, em organizações de economia solidária, em coletivos culturais, em associações comunitárias, enfim, das mais variadas formas.

“O grande desafio é como combinar todos esses esforços de participação para que eles se efetivem em uma melhoria das políticas públicas”, afirma Luciana Martinelli, fundadora da ONG Aracati e integrante do Conselho Nacional de Juventude.

A Aracati atua no desenvolvimento de metodologias de participação juvenil. Um dos programas desenvolvidos pela organização, a Gincana da Cidadania, foi reconhecida em 2002 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das quatro melhores práticas de voluntariado juvenil da América Latina e Caribe. “Quando falamos em participação, estamos falando em direitos. Precisamos conhecer as regras vigentes, quais os nossos direitos e o papel das instituições democráticas. A democratização da informação é fundamental para o exercício da participação”, afirma.

Segundo pesquisa realizada em 2005 pelo Ibase e pelo Instituto Pólis que ouviu a opinião de jovens sobre os limites e possibilidades da sua participação em atividades políticas, sociais e comunitárias, em quatro das oito regiões metropolitanas estudadas a questão da “Política/Corrupção/Descaso do Governo com jovens/Falta de consciência dos(as) governantes” sequer foi mencionada entre os cinco temas que mais preocupam os jovens.

O relatório conclui que “a consciência de direitos para esses(as) jovens é mais imediatamente percebida no plano da “questão social” do que na esfera dos direitos relacionados com a vida cívica e as liberdades fundamentais”. E sugere que o dado é “pista importante para pautas educativas e de mobilização que se dirijam à ampliação da consciência dos direitos dos(as) jovens brasileiros(as)”.

Mesmo sem essa conscientização, essa formação para participação, uma parcela da juventude vem se mobilizando, realizando intervenções diretas no local onde vivem. “Evidentemente que esse universo de jovens empreendedores sociais não representa a maioria dos jovens no mundo. Mas temos que considerar que é uma parcela significativa, a ponto de provocar influências positivas no curso da história de suas comunidades, ou das comunidades onde atuam”, afirma o coordenador de responsabilidade social da Universidade Anhembi Morumbi, Mauricio Homma, responsável pelo programa IAM, que oferece formação a jovens empreendedores sociais e busca dar visibilidade às iniciativas.

Menos visíveis, mas não menos significativas, essas ações isoladas desmentem o senso comum de que os jovens de hoje são politicamente alienados, apáticos, individualistas. Em entrevista à agência de notícia InterPress Service em dezembro do ano passado, a pesquisadora chilena Dina Krauskopf, consultora internacional em políticas de adolescência e juventude e diretora do Coletivo Latino-Americano de Jovens, chamou a atenção para a visão que a sociedade apresenta dessa faixa etária: “Os jovens são invisíveis, mas eles se tornam perceptíveis quando agem. Isso explica a imagem que a sociedade tem da juventude como problemática. Quando os jovens trabalham e fazem um bom trabalho, não são vistos como jovens, mas como empreendedores de sucesso”, afirma. Por outro lado, ela também acredita que esse olhar sobre a juventude está mudando.

Uma prova disso é a formulação de políticas públicas direcionadas especificamente para essa população. O Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI, em São Paulo, que concede apoio financeiro a projetos artístico-culturais de jovens de baixa renda, é um bom exemplo. Iniciado em 2004, surgiu de debates na Comissão de Juventude da Câmara Municipal, que detectou a demanda por esse tipo de suporte a ações culturais nas periferias. “No bojo daquelas discussões, reconheceu-se a cultura como um direito da juventude e não como um anteparo para tirar das drogas ou da criminalidade”, explica a coordenadora do VAI, Maria do Rosário Ramalho. Para ela, o programa vem contribuindo para intensificação dessas ações, que “já existiam, mas eram invisíveis”.

“Investir na juventude é um fenômeno recente. A criação dos centros culturais da juventude, do Conselho Municipal de Juventude e o surgimento de organizações que atuam nessa área são parte desse processo”, acredita.

Publicado em http://www.cenpec.org.br

CENPEC ENTREVISTA A COORDENADORA DE JUVENTUDE DA AÇÃO EDUCATIVA E MEMBRO DO CONJUVE, MAGI FREITAS

Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, Maria Virgínia de Freitas, a Magi, coordena o Programa Juventude da Ação Educativa. Também integra o Conselho Nacional de Juventude, no qual ocupou a vice-presidência até março deste ano.

Em meio à sua concorrida agenda, ela concedeu a seguinte entrevista ao Cenpec, na qual falou sobre a atuação do Conjuve, a ausência de uma política pública estruturada de trabalho para juventude, a falta de articulação entre os Ministérios e a necessidade de se ter em mente na formulação das políticas as diferentes realidades vividas pela juventude brasileira. “Há uma série de diversidades e diferenças que precisam ser reconhecidas para criar políticas que promovam maior equidade”, pontuou.

Qual a avaliação do Conjuve em relação às políticas públicas voltadas para a questão do trabalho para juventude?

A questão de fundo é que o Conselho considera que nós temos uma carência de uma política de trabalho estruturante para a juventude. Há alguns programas – Consórcio Social da Juventude, Juventude Cidadã – a respeito dos quais, inclusive, faltam dados para avaliação. O Conjuve está tentando organizar um seminário para avaliação dos ProJovens. Mas de modo geral há uma avaliação de que há uma ausência de uma política de trabalho para a juventude.

Os programas existentes hoje não conformam uma política. Uma política tem que ser pensada num sentido amplo, não pensando em um grupo ou outro. Temos programas focados em certos grupos e que estão mais voltados para uma formação, uma qualificação profissional, de caráter mais inicial, mas que não são uma política de trabalho. Tanto que o Conjuve fez junto com a OIT seminários que agora resultaram no anúncio da instalação de um Subcomitê do Trabalho Decente para Juventude, que é uma comissão que reúne vários ministérios e também representantes do Conjuve e da OIT, para se dedicar à construção de uma proposta de uma agenda sobre a questão.

O Conjuve vem conseguindo atuar como uma instância de controle social e influenciar o governo na formulação/ redirecionamento dessas políticas?

É difícil responder sim ou não. Essa é uma tarefa difícil, lembrando que o Conjuve quer dialogar com as políticas de Educação, de Trabalho, de Saúde, de Cultura, de Meio Ambiente. Então, essa é uma dificuldade.

Para fazer o controle, é preciso ter acesso a dados avaliativos, que nem sempre existem. Então, agora, por exemplo, começamos a debater com o pessoal do ProJovem Urbano a avaliação do programa, que tem [esses dados]. Já o ProJovem Trabalhador, até agora, não nos apresentou dados avaliativos, que estamos demandando. Está em discussão a idéia de fazer um seminário sobre os quatro ProJovens para se discutir isso.

Esse Subcomitê de Trabalho Decente para Juventude é uma estratégia para interferir na formulação das políticas. O Conjuve, juntamente com outras organizações, demandou ao Ministério da Educação e nessa semana [de 21 a 25 de setembro] será realizado o Seminário Nacional de Políticas Públicas para Juventude.

Ainda precisamos fortalecer dentro de cada programa, de cada política, criar as instâncias de controle para que cheguem ao Conjuve informações que lhe permitam fazer esse controle social. Mas nem sempre nós temos. Não basta a existência do Conjuve, é preciso que os dados existam, que eles sejam disponibilizados, para poder avaliar e interferir.

O Conjuve tem feito pressão, diálogos. Agora também tem, por exemplo, uma oficina com o pessoal do Ministério da Saúde para aprofundar a política de Saúde para juventude. Tivemos um longo debate com o Ministério da Cultura na elaboração do PPA [Plano Plurianual], reivindicando uma outra dimensão, porque não havia uma perspectiva de juventude e eles avançaram bastante nisso. Então, tem espaços. O Conjuve consegue contribuir na construção da perspectiva na formulação da política. Às vezes, [atua] mais no controle e na avaliação. Mas, assim como nos demais conselhos, ainda é frágil. Ainda temos muito o que avançar.

Tem um tempo de construção da legitimidade do conselho junto a diversos ministérios. Isso não é algo que nasce pronto, com a formação do conselho. É uma batalha cotidiana.

Com uma avaliação de que nós não temos uma política de juventude de Estado, o Conselho também dedicou muitas energias à realização da Conferência Nacional de Juventude, à estruturação do Pacto pela Juventude que fez surgir uma série de conselhos e coordenadorias de juventude pelo País. O Conselho tem ajudado a fortalecer e está construindo uma rede de conselhos de juventude (tanto os municipais, como os estaduais e o nacional), para que as questões sejam enfrentadas conjuntamente.

Também estamos atuando na Câmara dos Deputados e no Congresso, por exemplo, para a construção do Plano Nacional de Juventude. Então, são muitas agendas ao mesmo tempo, porque é um momento de constituição desse campo das políticas públicas de juventude.

O Conselho, ao mesmo tempo em que está olhando para essa dimensão do controle social, também está tentando interferir na definição dos rumos das políticas e pressionando no Parlamento para que seja constituída uma base legal que dê sustentação para que as políticas sejam mais perenes.

Em alguns lados, avança rapidamente mais do que em outros. A agenda do Conselho é muito extensa e muito ampla.

Na sua opinião, sob que perspectiva devem ser elaboradas as políticas de trabalho para juventude?

A minha perspectiva básica é a do direito. Não que os jovens sejam condenados ao trabalho, mas que seja um direito. Quando eu falo jovens, não estou falando de adolescentes, estou falando do que a lei permite. Acho que nós tivemos um embate onde grande parte das políticas está voltada para postergar a entrada dos jovens, só que os jovens vão no outro sentido, porque querem ir para o mundo do trabalho, não só pela questão da necessidade, da sobrevivência, mas porque têm a perspectiva da construção da autonomia. O trabalho também é associado a valores positivos.

Muitas vezes, o trabalho ocupa um lugar na vida do jovem e ele ou ela não conclui a educação básica; às vezes o trabalho chama mais atenção do que a educação.

Na verdade, as políticas não vão se resolver num campo só. Não são só as políticas de Educação, de Trabalho… A gente precisa ter, de um lado, políticas muito fortemente voltadas para qualificar as escolas no sentido de pensar o que é uma educação para os jovens, para que faça sentido estar na escola. De outro, que tenha políticas de formação e orientação, não só profissional, mas para construção do seu projeto de vida – se o caminho deles é prestar logo vestibular, se é mercado de trabalho, se é tudo isso junto – , mas que eles possam reter informações e tenham apoio para refletir sobre as suas escolhas.

[É preciso] que tenham políticas de inserção, mas em trabalhos de qualidade, com proteção social e não o trabalho precarizado, e que permitam conciliar educação e trabalho. Porque as políticas de educação, muitas vezes, ignoram que os jovens estão no mercado de trabalho, e as políticas de trabalho ignoram que os jovens ainda não completaram a sua formação. E ambos ignoram muitas vezes que esses jovens são pais ou mães e que têm responsabilidades também com a educação dos filhos; então, para que eles possam completar a sua educação, o problema não é só o trabalho. É um conjunto de ações que têm que ser articuladas para poder atender a esse direito, mas com qualidade, de modo que se eles estão buscando entrar no mercado de trabalho, que eles possam em postos de qualidade, que não sejam precarizados, de onde eles consigam construir uma trajetória profissional daquilo que a OIT chama de “trabalho decente”.

São muitos desafios. Enquanto a gente fica pensando cada caixinha na sua caixinha, não tem saída única. O setor público, por exemplo, poderia pensar em programas de inserção de jovens, combinando a formação na escola. Mas que seja realmente uma experimentação profissional e não uma bolsa para fazer um serviço voluntário. Não é isso, mas uma experimentação, aprendizagem que possa ser vista como uma experiência profissional.

Acho também que as políticas precisam ser pensadas de maneira diferenciada para os 16, 17 anos, 18 a 20, com mais de 20… Porque são realidades diferentes, e a gente ainda não tem essa cultura de identificar as diferenças e reconhecer que essas diferenças devem orientar as políticas.

Como muitas vezes se fala: “O jovem precisa terminar a educação. Então, a política é de postergar”. Só que nós estamos falando de jovens de 15 a 29 anos. Os jovens vão ficar esperando fazer 29 para entrar no mercado de trabalho? Não vão!

Acho importante construir condições reais para que o jovem possa concluir sua formação sem ter que ir diretamente para o mercado de trabalho. Uma política de bolsas pode auxiliar nisso. Mas achar que só com isso vai se conseguir que os jovens não trabalhem… Porque tem uma questão que é o dinheiro e outra que é o valor. Receber o dinheiro de uma bolsa não tem o mesmo valor, no mundo adulto, do que estar trabalhando e ter o seu salário.

Outra coisa que os jovens sabem é que a entrada no mundo do trabalho é difícil e quem já tem experiência, tem vantagem sobre aquele que não teve. Então, eles não querem ficar postergando, porque enquanto isso outros estão entrando e a trajetória pode ficar mais difícil.

É preciso combinar esse conjunto de situações. Fora a situação do jovem no campo, que é diferente do que está na cidade. Há uma série de diversidades e diferenças que precisam ser reconhecidas para criar políticas que promovam maior equidade.

As políticas atuais não dão conta dessa complexidade…

Não dão. Esse é um ponto no qual eu acho que nós não avançamos nesse governo. A experiência de política integrada que nós temos são os ProJovens. O lugar onde as pessoas dos ministérios se encontram é no Conselho de Juventude. Não existe no governo uma câmara que realmente pense a construção das políticas de juventude de uma maneira articulada, integrada, entre o conjunto dos ministérios. Não só no programa emergencial, para o jovem de baixa renda, de baixa escolaridade.

Isso não avançou. O Conjuve discutiu bastante com o governo quando ele estava elaborando o atual PPA, isso chegou a ser levantado, mas não foi levado para frente. É uma fragilidade. A gente vai deixar de avançar nesse governo, porque a integração está pensada só na dimensão desses ProJovens.

Lógico que a gente sabe que não acontece por decreto. Nós temos uma cultura de administração das “caixinhas”. A escola, em disciplinas; o governo, em ministérios e dentro dos ministérios, tem as diversas secretarias, que também tem dificuldade de dialogar. Isso é uma dificuldade da nossa sociedade. Mas se a gente ousar e não enfrentar isso, não tem saída.

Na sua opinião, empreendedorismo, cooperativismo e coletivos de economia solidária são soluções para o enfrentamento do problema do desemprego juvenil?

São alternativas e não a solução. Não dão conta. E servem para certos grupos… Por exemplo, até onde eu tenho entendido, no campo o apoio ao empreendedorismo parece ser uma questão muito fundamental, junto com as políticas de acesso à terra para juventude, que é uma questão complicada. Nos grandes centros urbanos, muitas das experiências que eu vi e acompanhei de apoiar os jovens na construção de cooperativas e outros empreendimentos desse tipo, de economia solidária, não foram para frente. Porque os jovens fizeram formação e aí chegou uma hora que eles cansaram. Não queriam mais aquilo. Foram para o mercado de trabalho. É muito difícil fazer a inserção para quem ainda não experimentou, não construiu uma identidade profissional.

Então, quem já passou pelo mercado de trabalho, sofreu, tem uma identidade profissional, pensa: “Agora não quero mais isso. Quero montar uma cooperativa de costureiras”. Mas para os jovens isso não está construído. Então, muitas vezes, isso aparece mais como uma alternativa que os adultos tentam apresentar do que propriamente deles.

Mas existem experiências bacanas, de cooperativas de construção de pranchas de surf, por exemplo. Mas não acho que a gente possa ver aí uma saída, seja o empreendedorismo ou a economia solidária.

Até porque essas alternativas exigem um perfil específico…

Exigem um perfil, um interesse e muita política de apoio. Não basta fazer a formação, precisa ter um acompanhamento técnico, políticas de financiamento, microcrédito, enfim, uma série de coisas.

O que me preocupa é que como a gente não consegue enxergar soluções no mercado formal, então apresenta para os jovens que a saída é o empreendedorismo. E aí no fundo você acaba jogando nas costas dos jovens o problema.

Não é essa a alternativa para todo mundo e não é todo mundo que quer. Muitas vezes, você montar o seu próprio negócio exige uma dedicação 24 horas por dia, sete dias por semana. E os jovens preferem um emprego que muitas vezes nem é tão legal, mas tem um horário definido etc.

É uma questão de ter uma política diversificada e um ponto central que nunca é pensado é o de que os jovens devem ter o direito à escolha. Para os jovens das escolas particulares, a escolha está mais do que colocada: que profissão seguir, o que fazer, sempre pensando no nível da universidade. E para os outros jovens? 

É preciso pensar políticas que deem ao conjunto dos jovens o direito à escolha: permanecer no campo, ir para a cidade, continuar uma formação acadêmica ou não, buscar se inserir no mercado de trabalho formal ou buscar apoio para um microempreendimento ou uma cooperativa. Uma resposta única nunca vai dar conta.

Existe algum outro aspecto importante a ser abordado em relação a essa questão?

Um ponto importante é que os maiores desafios estão entre brancos e negros. Os jovens negros enfrentam muito mais dificuldades de conseguir uma inserção, de ter carteira assinada, de acesso aos melhores salários. E as mulheres, embora de maneira geral, diferente de outros países, tenham uma escolaridade mais alta, no mercado de trabalho elas perdem.

Além de pensar todas as questões para os jovens que falamos anteriormente, ainda tem que ser levado em consideração essas diferenças e a diversidade de gênero e de raça. Com isso, as mulheres negras são as mais penalizadas, discriminadas.

Essas políticas atuais não estão conseguindo diminuir essas diferenças nem mesmo na escolarização. Está aumentando a escolaridade, mas a diferença entre brancos e negros continua.

 Publicado em www.cenpec.org.br