Grupo elabora princípios para voluntariado corporativo

Por Rodrigo Zavala

Quais são os princípios norteadores para a criação de programas consistentes de voluntariado corporativo? E quando uma empresa está pronta para dar início a políticas na área?
Essas questões foram abordadas no segundo “Painel Temático sobre Voluntariado”, realizado pelo GIFE, no último dia 29, com o apoio do Carrefour. No encontro, estavam presentes 31 dos principais gestores de programas de voluntariado corporativo no Brasil.

Depois de um breve panegírico sobre o tema, realizado por Fernando Rossetti, secretário-geral do GIFE, e Heloísa Coelho, diretora executiva da organização Rio Voluntário (veja apresentação), os participantes formaram grupos de trabalho para sistematizar o que consideram como linhas fundantes de uma boa ação de voluntariado.

O resultado final foram os seguintes princípios:

– Engajar a alta administração;

– Envolver os públicos de interesse do projeto;

– Diagnosticar oportunidades, potencialidades, riscos e desafios;

– Alinhar os programas aos valores e negócios da empresa;

– Garantir uma gestão profissional nos programas que inclua: planejamento, avaliação, monitoramento, sistematização;

– Reconhecer e valorizar o voluntário;

– Manter a comunicação interna e externa do voluntariado empresarial.

O gerente de Conhecimento do GIFE, Andre Degenszajn, explica que o contexto do trabalho com voluntariado é marcado pela diversidade dos programas. Estes são frequentemente estruturados de maneira não sistemática e sem planejamento, atendendo a demandas diversas que emergem muitas vezes dos próprios funcionários da instituição.

“A construção de princípios é importante justamente para garantir um entendimento comum sobre as características necessárias a um programa de voluntariado efetivo”, acredita.

Por que fazer?

Segundo a publicação “Como as Empresas Podem Implementar Programas de Voluntariado” (de 2001), do ponto de vista filosófico, ser voluntário pode significar muito mais do que dar comida a quem tem fome, tratar uma pessoa doente ou sanar suas necessidades imediatas, ainda que estas sejam iniciativas indiscutivelmente necessárias.

“O voluntariado é um caminho de busca de conscientização das pessoas, de mobilização de grupos sociais marginalizados na defesa dos seus direitos, de influência nas políticas públicas e outras ações no campo da cidadania”, analisa o livro.

Mas como isso ocorre dentro das empresas? De acordo com as conclusões levantadas na primeira edição do painel temático, realizada no final de 2008, há uma serie de razões para a criação do programas. Entre elas, estreitar relacionamento com grupos de interesse, reforçar a imagem socialmente responsável, compartilhamento de competências técnicas com a comunidade, ou mesmo por demanda dos próprios funcionários.

Para a consultora Flávia Moraes, da FMC Consultoria, no entanto, a questão deve ser encarada com mais profundidade. Em primeiro lugar, os profissionais de uma empresa devem entender a razão de iniciar um processo desses.

Em seguida, defendendo uma espécie de “teoria dos 7 por quês”, Flávia afirma que a pessoas devem se questionar de forma consecutiva sobre as motivações de se realizar um programa nesses moldes. O exercício lembra a fase do “por quê?”, comum em crianças de determinada idade, e reflete a maturidade do debate dentro da corporação, desde que “o discurso sobreviva à sabatina”.

Seja como for, a resposta final para esse questionamento deve estar pautada em valores éticos, de transformação social. ”Se o empresário acredita que o seu papel é gerar lucro, mover a economia, pagar impostos e dar empregos, ele não deve estimular voluntariado corporativo”, argumenta.

Segundo a consultora, uma insistência nesses casos é catastrófica, pois a direção da empresa – que é essencial para o andamento do processo – não dará a devida importância para o programa (reduzindo recursos financeiros e humanos para sua implantação). Invariavelmente, esse distanciamento também leva a uma falta de identificação do colaborador com a ação.

“O envolvimento da liderança, para ser efetivo e estimular a dedicação do colaborador, só funciona se o presidente for voluntário também. Não adianta recomendar, dizer que é bom, pedir, e não participar”, afirma Flávia. Tal como a criação de um filho, os discursos devem estar colados às práticas para serem levados como exemplos.

Contexto

Pela lógica da ética empresarial e envolvimento efetivo da diretoria, a organização assumiria que o voluntariado é imprescindível para uma mudança real na comunidade da qual participa ou para a defesa de uma causa. Some a isso uma gestão participativa, que escute o voluntário, e o processo passa a funcionar.

“Por que o funcionário não vai ser voluntário em uma associação do bairro ou na escola de seus filhos, com as quais ele se identificaria mais? Ele deve ter a certeza de que não está sendo usado pela empresa”, comenta Flávia.

Segundo o Perfil do Voluntariado Empresarial no Brasil, elaborado pelo Rio Voluntário, que faz uma radiografia das iniciativas de voluntariado corporativo no Brasil, os colaboradores das empresas são mais facilmente engajados nos programas quando: a) um profissional de comunicação interna está comprometido com o programa (79%) e; b) a diretoria está presente nos programas.

Para 84% deles, a existência de uma diretoria participativa está fortemente vinculada ao sucesso de um programa de voluntariado empresarial. O curioso é que apenas um quarto das empresas que apresentam esse tipo de programa declararam que seus diretores participavam maciçamente das ações.

Embora seja muito importante, apenas o envolvimento das lideranças não bastam para tornar um programa consistente. Segundo o próprio grupo, uma gestão profissional, que garanta planejamento, avaliação, monitoramento e sistematização das ações é um passo fundamental.

“Ser voluntário é, antes de tudo, acreditar que se pode vencer, não temer os desafios, suar a camisa em prol de uma causa. Um colaborador motivado, comprometido com a cultura da empresa, é condição fundamental para o sucesso das equipes, dos projetos, da empresa. Um cidadão motivado, comprometido com a sustentabilidade do planeta, é condição fundamental para o sucesso das comunidades, dos ecossistemas, do planeta”, afirma Heloisa Coelho.
 

Fonte: Gife

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