JOVENS CRIAM E PROPÕEM NOVAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Existem hoje no Brasil cerca de 34 milhões de jovens de 15 a 24 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2006, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa juventude – embora muito diversa e heterogênea em um país de tantas facetas como o Brasil – vem criando e propondo novas formas de participação política: pelo voluntariado, em organizações de economia solidária, em coletivos culturais, em associações comunitárias, enfim, das mais variadas formas.

“O grande desafio é como combinar todos esses esforços de participação para que eles se efetivem em uma melhoria das políticas públicas”, afirma Luciana Martinelli, fundadora da ONG Aracati e integrante do Conselho Nacional de Juventude.

A Aracati atua no desenvolvimento de metodologias de participação juvenil. Um dos programas desenvolvidos pela organização, a Gincana da Cidadania, foi reconhecida em 2002 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como uma das quatro melhores práticas de voluntariado juvenil da América Latina e Caribe. “Quando falamos em participação, estamos falando em direitos. Precisamos conhecer as regras vigentes, quais os nossos direitos e o papel das instituições democráticas. A democratização da informação é fundamental para o exercício da participação”, afirma.

Segundo pesquisa realizada em 2005 pelo Ibase e pelo Instituto Pólis que ouviu a opinião de jovens sobre os limites e possibilidades da sua participação em atividades políticas, sociais e comunitárias, em quatro das oito regiões metropolitanas estudadas a questão da “Política/Corrupção/Descaso do Governo com jovens/Falta de consciência dos(as) governantes” sequer foi mencionada entre os cinco temas que mais preocupam os jovens.

O relatório conclui que “a consciência de direitos para esses(as) jovens é mais imediatamente percebida no plano da “questão social” do que na esfera dos direitos relacionados com a vida cívica e as liberdades fundamentais”. E sugere que o dado é “pista importante para pautas educativas e de mobilização que se dirijam à ampliação da consciência dos direitos dos(as) jovens brasileiros(as)”.

Mesmo sem essa conscientização, essa formação para participação, uma parcela da juventude vem se mobilizando, realizando intervenções diretas no local onde vivem. “Evidentemente que esse universo de jovens empreendedores sociais não representa a maioria dos jovens no mundo. Mas temos que considerar que é uma parcela significativa, a ponto de provocar influências positivas no curso da história de suas comunidades, ou das comunidades onde atuam”, afirma o coordenador de responsabilidade social da Universidade Anhembi Morumbi, Mauricio Homma, responsável pelo programa IAM, que oferece formação a jovens empreendedores sociais e busca dar visibilidade às iniciativas.

Menos visíveis, mas não menos significativas, essas ações isoladas desmentem o senso comum de que os jovens de hoje são politicamente alienados, apáticos, individualistas. Em entrevista à agência de notícia InterPress Service em dezembro do ano passado, a pesquisadora chilena Dina Krauskopf, consultora internacional em políticas de adolescência e juventude e diretora do Coletivo Latino-Americano de Jovens, chamou a atenção para a visão que a sociedade apresenta dessa faixa etária: “Os jovens são invisíveis, mas eles se tornam perceptíveis quando agem. Isso explica a imagem que a sociedade tem da juventude como problemática. Quando os jovens trabalham e fazem um bom trabalho, não são vistos como jovens, mas como empreendedores de sucesso”, afirma. Por outro lado, ela também acredita que esse olhar sobre a juventude está mudando.

Uma prova disso é a formulação de políticas públicas direcionadas especificamente para essa população. O Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI, em São Paulo, que concede apoio financeiro a projetos artístico-culturais de jovens de baixa renda, é um bom exemplo. Iniciado em 2004, surgiu de debates na Comissão de Juventude da Câmara Municipal, que detectou a demanda por esse tipo de suporte a ações culturais nas periferias. “No bojo daquelas discussões, reconheceu-se a cultura como um direito da juventude e não como um anteparo para tirar das drogas ou da criminalidade”, explica a coordenadora do VAI, Maria do Rosário Ramalho. Para ela, o programa vem contribuindo para intensificação dessas ações, que “já existiam, mas eram invisíveis”.

“Investir na juventude é um fenômeno recente. A criação dos centros culturais da juventude, do Conselho Municipal de Juventude e o surgimento de organizações que atuam nessa área são parte desse processo”, acredita.

Publicado em http://www.cenpec.org.br

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