Inserção no mercado deve focar em ensino médio

As ações de investidores sociais privados com foco na inserção dos jovens no mercado de trabalho devem ter como meta a formação no ensino médio. A opinião de especialistas ouvidos pelo redeGIFE segue uma lógica simples: independentemente de cursos de capacitação, não formá-los na escola significa, na prática, minar sua futura colocação profissional.

Se de um lado o mercado exige cada vez mais qualificação, a juventude parece seguir um caminho contrário. Embora seja corrente que quanto maior a escolaridade, maior a remuneração, existe um grosso de jovens que enfrenta um teto de vidro em sua formação.

“Ou você tem 11 anos de estudo ou não entra no mercado de trabalho”, acredita a superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel. Ela cita, por exemplo, o caso da Índia e sua discrepância com Brasil: o estágio de desenvolvimento do país e o percentual da População Economicamente Ativa (PEA) com escolaridade média no Brasil é de 16,4%; na Índia, em que o índice de analfabetismo é de 40%, esse percentual vai a 28,2.

Dados

Segundo o Censo Escolar de 2006, do Ministério da Educação (MEC), do total da população entre 15 e 17 anos (cerca de 10 milhões), 3,6 milhões matricularam-se no ensino médio – 1 milhão sequer havia concluído do ensino fundamental. Com a evasão, apenas 1,8 milhão se formou. Quando analisado o comportamento dos jovens de 18 a 24 anos, os dados são ainda mais desastrosos: 68% não freqüentam a escola. Destes, 34% sequer trabalham.

Outro dado, este do Instituto e Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que a chance de ser pobre para esse 1,8 milhão de graduandos é de 9%, Enquanto isso, para seus colegas que ficaram para trás, o percentual cresce a 40%. Com ensino superior completo, essas chances caem para 1%.

Para o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti, a questão-chave para o sucesso de um programa social voltado à juventude e seu futuro profissional está mesmo no acompanhamento escolar. “O desafio é claro. É preciso com que esse jovem se forme no ensino médio, caso contrário ele estará fadado a subemprego e sub-renda”, afirma.

Um termômetro sobre o que as empresas esperam da faixa-etária vem do portal Busca Jovem. Criado no ano passado por um grupo de associados do GIFE (veja matéria), ele apoia a colocação de jovens no mercado, aproximando empregadores e organizações formadoras que trabalham com esse público, em busca do melhor aproveitamento das oportunidades de inserção.

“De setembro a dezembro de 2008, o Portal publicou cerca de 1600 vagas de emprego. A informação mais relevante é que 99% das vagas postadas por empresas e consultorias de Recursos Humanos são voltadas para jovens com Ensino Médio completo e 18 de anos ou mais”, escrevem seus responsáveis, em artigo especial para o redeGIFE (leia texto).

Investimento social

O assunto é importante para investidores sociais, pois os institutos, fundações e empresas de origem privada não apenas priorizam a juventude em suas ações, como o foco de atuação é a inserção do segmento no mercado de trabalho. As conclusões são Censo GIFE 2007-2008, produto da parceira com o IBOPE Inteligência/ Instituto Paulo Montenegro e do Instituto ibi, que mapeia o trabalho de seus associados do Grupo.

O levantamento mostra que 77% da Rede atuam em programas para jovens (em pelo menos uma das três faixas etárias – de 15 a 17 anos, de 18 a 24 anos e de 25 a 29 anos). Destes, cerca de 80% trabalham com temas relativos à educação e formação para o trabalho.

Caso seja considerada a faixa mais ampla que tem sido definida como juventude (de 15 a 29 anos), 81% dos associados a têm como público-alvo.”O tema juventude entrou na agenda política brasileira na última década, com ações de movimentos sociais e do governo. O setor privado acompanhou essa tendência, que na verdade é mundial”, afirma Helena Abramo, lembrando que o ano 1985 já havia sido instituído como o Ano Internacional da Juventude, pela Organizações das Nações Unidas (ONU).

No total, são quase 600 projetos ou programas voltados especificamente para jovens, somando aqueles executados diretamente pelos associados – ou aqueles executados por terceiros e financiados por eles. O número total de jovens envolvidos nas iniciativas passa de 9 milhões (9.111.731).

Para saber, o setor privado brasileiro investe cerca de R$ 5.3 bilhões por ano no campo social, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O GIFE representa 20% desse montante, com R$1,15 bilhão (base 2007), enquanto o resto do investimento está diluído em mais de 500 mil empresas.

Evasão

No final do ano passado, o instituto Unibanco realizou o seminário “Crise de Audiência no Ensino Médio”, com a participação de 42 especialistas e 356 participantes, na qual ficou explícito que a crise de audiência é apenas a ponta do iceberg ou mesmo uma forma ampla de denominar uma série de problemas envolvidos nessa etapa escolar.

Muitos palestrantes, como o economista Cláudio Moura Castro e o pesquisador Simon Schwartzman, reforçaram que o ensino médio acaba sendo o elo mais fraco do sistema educacional. Disseram tratar-se de uma crise de oportunidades, de resultados educacionais positivos, de qualidade e promoção da aprendizagem, de interesse dos alunos pelo ensino médio, de acesso e de recursos.

No final do evento, foi proposto a formação de um Grupo de Trabalho de Gestão de Conhecimento, formado pelos especialistas, pesquisadores e profissionais envolvidos com as mesmas questões que o Instituto Unibanco. “Seremos fomentadores dessa iniciativa que foi abertamente aceita pelos participantes. Este foi o pontapé inicial de um esforço maior que apenas começou”, afirma Wanda Engel (Veja apresentações)

Publicado em www.gife.org.br

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