Ipea traça panorama sobre a questão racial no Brasil

Desigualdades raciais, implementação de políticas públicas de promoção da igualdade racial, a transição do escravismo para o trabalho livre, o mercado atual de trabalho, a precariedade, a informalidade, o subemprego, são alguns dos temas discutidos na publicação As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil 120 anos após a abolição, organizado por Mário Theodoro, economista e diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Lançada no último dia 20/11, no dia da Consciência Negra e os 313 anos da morte de Zumbi dos Palmares, o Ipea lança a publicação, que é conjunto de estudos com diversos aspectos da questão racial no Brasil. Os interessados podem acessar o livro na íntegra gratuitamente.

O primeiro capítulo traz um apanhado histórico sobre a questão racial e sua influência na formação do mercado de trabalho brasileiro. Os acontecimentos do século XIX são discutidos para ajudar a contextualizar o atual cenário. A elevação do país à condição de sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, o resultante processo de crescimento urbano, a evolução da atividade econômica e da ocupação na área rural, a transição para o trabalho livre, a imigração, destacam-se entre os fatores que contribuíram de forma definitiva para a conformação da sociedade brasileira em sua heterogeneidade e complexidade.

Já o segundo fala das bases e pressupostos do pensamento racista que se estrutura após a abolição, assim como os esforços para sua desconstrução realizados nas últimas décadas do século XX. Segundo a autora, Luciana Jaccoud, socióloga e técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, a valorização do elemento branco como estereótipo de referência e o ideal de branqueamento foram norteadores de um projeto nacional e como pressupostos para o desenvolvimento, dominando a cena política até os anos 1930. Aborda ainda a situação na era Vargas, vigente até meados dos anos 1980, o movimento negro, que ressurge no período da redemocratização do País. O capítulo mostra as bases recentes do debate, os pontos mais importantes, o atual contexto político e institucional.

De autoria de Rafael Guerreiro Osório, sociólogo e pesquisador do International Poverty Centre, o capítulo três discute a trajetória da visão acadêmica, com diferentes correntes de pensamento sobre a questão racial brasileira. A releitura dos principais estudiosos foi agrupada em três gerações de pensamento: a primeira privilegia a importância do fenômeno do branqueamento na explicação da mobilidade social dos diferenciais socioeconômicos entre negros e brancos; a segunda reafirma a importância do preconceito racial nas relações sociais no Brasil; e, finalmente, o último que ressalta a questão racial com base em evidências empíricas, utilizando informações sobre situação educacional, de renda, ocupacional, entre outros.

Sergei Soares, economista e técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, desenvolveu os capítulos quatro e cinco, que oferece um panorama sobre a atual situação da população negra do Brasil, com base da série Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD/IBGE). No sexto, com o título O combate ao racismo e à desigualdade: o desafio das políticas públicas de promoção da igualdade racial, a economista Luciana apresenta ações e programas afirmativos existentes, como programas de acesso às instituições de ensino universitário, iniciativas de organismos públicos e outros. Nesse capítulo as ações são diversificadas e oferecem possibilidades, porém não elimina os problemas de racismo.

E, finalmente, no último capítulo, Mário finaliza com um apanhado geral sobre os temas debatidos. É apresentando um conjunto de elementos de discussão sobre a temática racial brasileira atual. Ele pontua a necessidade de uma política nacional que inclua a adoção de um posicionamento efetivo das instâncias governamentais, e não apenas Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). “Os indicadores superiores de repetência e evasão de crianças negras nas escolas brasileiras aguardam serem transformados em metas para a intervenção da política de educação, da mesma forma que as taxas reduzidas de cobertura de mulheres negras em exames e procedimentos de saúde, a violência policial contra jovens negros, entre inúmeros exemplos que podem ser citados. Ministérios e órgãos setoriais, além do Legislativo e do Judiciário, devem ser envolvidos em uma política que tenha diretrizes e metas balizadoras da ação pública, sinalizando para os estados e municípios e para a sociedade sobre a importância da intervenção governamental na busca da igualdade racial.”

Para acessar o livro na íntegra clique no link abaixo

http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/livros/Livro_desigualdadesraciais.pdf

Matéria publicada no site www.setor3.com.br

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2 pensamentos sobre “Ipea traça panorama sobre a questão racial no Brasil

  1. eu faço parte de um movimento negro, e estou todos dias combatendo o racismo o preconceito e a discriminação;tendo em vista que um dia o nosso pais e o mundo irá mudar,é que luto para que o governo garanta politicas públicas de reparação na educação dos negros e negras deste pais;e tanbém que repare a questão do gênero femino negro.levando em concideração a questão da educação, de inserção no mercado de trabalho e de promover campanha de respeitabilidade nacional para o gênero femino,o governo deve ter consciência de que somente com uma educação de qualidade é que resouveremos não só a questão do racismo mas muitos outros problemas pertinentes.

  2. boa tarde! gostaria de saber, se um projeto que vise o resgatamento da culcuta de matriz africana pode concorrer um edital dos istitotos aqui apresentados.me descupe se não me espresei muito bem, obrigada!

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