Censo GIFE Juventude

Um dos maiores problemas encontrados ao se tentar rastrear os investimentos realizados na área da juventude é, além da falta de normatização entre alguns parâmetros, saber como as verbas estão sendo investidas e trabalhadas com este recorte da população. Em um censo inovador, o GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, em parceria com o Ibope e os institutos Ibi e Paulo Montenegro, lançou na manhã da quarta-feira (8/10) uma abrangente publicação sobre o Investimento Social Privado (ISP) no Brasil. O Censo GIFE – Juventude teve à frente a socióloga Helena Abramo, que fez uma apresentação geral sobre a coleta de dados.

De acordo com as informações apresentadas, só em 2007 foram investidos aproximadamente R$130 milhões em projetos sociais que envolviam jovens, cerca de 11% do total da rede GIFE. Neste caso, jovens foram considerados aqueles com idade entre 15 e 29 anos. Esta verba foi originada de investimentos de 77% dos associados do grupo, favorecendo cerca de 9 milhões de pessoas diretamente.

Entre os cerca de 600 projetos voltados para este público, o principal tipo de atividade financiada foi relacionada à educação, seja como preparação para o mercado de trabalho, seja como reforço do currículo escolar do aluno. Aqui há também um destaque para a preparação profissional do jovem, pois o desemprego nesta população excede em três vezes os índices da população adulta.

A preocupação com a juventude tem aumentado com o passar dos anos. Um reflexo disto está no aumento dos investimentos comparados entre esta edição do censo e a edição 2005-2006. Outro ponto importante é a forma como estes investimentos têm sido feitos. De todos os investidores, 95% aplicaram seus recursos em parceria com outra organização, sendo 84% com ONGs. Também realizam-se parcerias com o poder público, onde as empresas participam de conselhos de políticas públicas e atuam diretamente em conjunto com escolas (61% das ações).

Uma vez implementadas, uma das melhores ferramentas de controle de impacto dos projetos foi o acompanhamento. Se o objetivo era a inclusão social, era preciso avaliar se este e outros objetivos estão sendo cumpridos com o tempo. Das 56 empresas que responderam que investem especificamente no público jovem, apenas 22 faziam o acompanhamento e, destas, cerca de oito acompanham por um ano.

Escala Tancredi de Ousadia em FilantropiaFrancisco Tancredi, ex-diretor regional para a América Latina e o Caribe da Fundação W.K. Kellogg, brincou com a questão do ISP através daquilo que ele denominou de “Escala Tancredi de ousadia em Filantropia”. Ele separou alguns itens de acordo com seu impacto e funcionalidade. Em primeiro lugar, o “Fiz o bem” que seriam coisas de pouco impacto. Um exemplo citado foi o da criação de programas de escovação de dentes e aplicação de flúor. Eles ajudam naquele momento as pessoas de certa região geográfica, porém não vão longe. Ainda assim, o impacto positivo deste tipo de atitude não foi descartado.

 

Uma outra divisão de sua escala foi a de “Inovação Social”. Segundo as palavras de Tancredi, “Se der errado, fiz o bem, mas se der certo, ganhei na loteria”. Aqui definem-se atitudes de impacto e de transformação social. “Ao invés de ficarmos só investindo em cursos de informática para populações carentes, por que não investir junto ao poder público para que as escolas ensinem isto? Caso contrário estaríamos apenas tapando buracos”, conclui.

Por fim, ele definiu a “Reprodução de Técnicas Bem Sucedidas” como outra maneira de gerenciar os investimentos em projetos sociais. Ela consistiria em pegar os recursos disponíveis e aplicá-los para reproduzir técnicas sociais que já deram certo e multiplicá-las. Francisco Tancredi não classifica nenhuma destas hipóteses como negativa. Muito pelo contrário, avalia que todas as atitudes são positivas, ressaltando que precisamos apenas pensar que os investimentos deveriam servir mais para iluminar caminhos do que para tapar buracos. “Só acho que falta ousadia”, concluiu.

Para finalizar as conclusões sobre o censo, José Eduardo de Andrade, do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), trabalhou o status dos investimentos para os jovens. Foi levantado que todas as instâncias do governo federal investiram R$400 milhões ao longo de quatro anos em projetos voltados para a juventude. Um valor abaixo do esperado. Com isso, levantou a participação empresarial nos fundos que trabalham com a juventude. “O papel do governo é regular, no sentido de criar, apresentar e debater as normas. Por isso, os conselhos são espaços interessantes. Por exemplo, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente tem seu fundo. Os empresários podem depositar 1% do seu imposto de renda diretamente nele. E este debate está acontecendo agora”, afirmou José Eduardo.

Publicado em www.setor3.com.br

Visualize as publicações do GIFE

Censo Gife 2007-2008

www.gife.org.br/conexao/gife_censo2008.pdf

Censo Gife Juventude

www.gife.org.br/conexao/gife_censo_juventude.pdf

Juventude: Tempo presente ou Tempo futuro?

www.gife.org.br/conexao/juventude_gife_mar08.pdf

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