Os mitos e realidades do filantropo-capitalismo

Michael Edwards

Nos últimos 12 meses, a caixa de entrada de meu computador, como a do seu, vem sendo inundada com notícias de conferências, palestras, artigos e relatórios que prometem “salvar o mundo” revolucionando a filantropia, fazendo com que as organizações sem fins lucrativos operem como negócios, e criando novos mercados para produtos e serviços que beneficiam a sociedade.

Os defensores desta abordagem, apelidados de “filantropo-capitalismo”, para abreviar, acreditam que os princípios dos negócios podem ser combinados com sucesso com a busca da transformação social. Não há dúvidas de que se trata de um fenômeno importante. Grandes somas estão sendo geradas para a filantropia, especialmente na indústria financeira e na indústria de informática.

Apesar do seu grande potencial, esse movimento é falho tanto nos meios que propõe quanto nos fins prometidos. Ele vê os métodos dos negócios como resposta aos problemas sociais, mas oferece poucas evidências ou análises rigorosas para embasar essa alegação e ignora as fortes evidências que indicam o contrário. Os negócios continuarão a ser uma parte essencial da solução dos problemas globais e alguns métodos dos negócios certamente têm muito a contribuir.

Mas os negócios também serão causa de problemas sociais. Como Jim Collins, autor de “Good to Great”, concluí em um livro recente “devemos rejeitar a idéia, bem-intencionada, mas totalmente errônea, de que o caminho principal para a grandeza dos setores sociais é se tornarem mais como o setor de negócios”. [1]

A outra promessa do filantropo-capitalismo é alcançar transformações de grande escopo resolvendo problemas sociais arraigados, ainda assim, sua falta de compreensão de como ocorrem as mudanças mostra que essa promessa provavelmente não será cumprida. Existe um grande abismo entre o modismo que cerca essa nova filantropia e seu impacto potencial. Alguns dos mais novos filantropos já perceberam isso e mostraram tanto humildade quanto vontade de aprender sobre as complexidades da mudança social, mas muitos outros permanecem vítimas do modismo.

O filantropo-capitalismo tem uma peça importante do quebra-cabeças de como alinhar democracia e mercado, mas corre o risco de se colocar como a solução total, minimizando a importâncias dos custos e das perdas de se estender os princípios do mercado à transformação social. Meu argumento é que:

• O modismo que cerca o filatropo-capitalismo é muito maior do que sua capacidade de conseguir resultados reais. É hora de mais humildade.
• A concentração cada vez maior de riqueza e poder entre os filantro-capitalistas é prejudicial à saúde da democracia. É hora de mais responsabilização.
• O uso da lógica dos negócios e do mercado pode prejudicar a sociedade civil, que é crucial para a transformação política e social democrática da sociedade. É hora de diferenciar as duas e reafirmar a independências da ação cívica mundial.
• O filantropo-capitalismo é sinônimo de um mundo desordenado e profundamente desigual. Ele ainda não demonstrou que pode fornecer a cura.

É justificável a empolgação com as possibilidades de avanço na saúde, agricultura e acesso a microcrédito para os pobres do mundo, estimulados pelos enormes investimentos da Fundação Gates, Clinton Global Initiative e outras. Novos empréstimos, sementes e vacinas certamente são importantes, mas não existe vacina contra o racismo que nega terra aos dalits (os assim chamados intocáveis) na Índia, nenhuma tecnologia pode propiciar a infra-estrutura de saúde para combater o HIV e nenhum mercado pode organizar as relações disfuncionais entre as diferentes religiões e outros grupos sociais que reforçam a crescente violência e insegurança.

Atacando os sintomas e não a causa

O filantropo-capitalismo pode alegar que ataca as “grandes desigualdades” da sociedade, mas elas são causadas pela natureza de nosso sistema econômico e a incapacidade da política alterá-la. As disparidades de riqueza e educação são sintomas desses problemas e reaparecerão em todos os lugares em que as causas não forem resolvidas. O conceito não reconhece essa lição básica da história e corre o risco de mascarar a verdadeira natureza das tarefas que enfrentamos.

Apenas os mais visionários filantropo-capitalistas têm incentivo suficiente para transformar um sistema dos quais eles se beneficiaram enormemente.

Será que o filantropo-capitalismo teria ajudado a financiar o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos? Espero que sim, mas esse movimento não era “dirigido pelos dados”, não operava através da concorrência, não gerava muita receita e não media seu impacto em termos de números de pessoas beneficiadas a cada dia. Mas ainda assim ele mudou o mundo para sempre.

O filantropo-capitalismo é importante? Certamente que sim, mas poderá se mostrar mais efêmero do que os seus proponentes alegam. Os objetivos que eles mesmos definiram serão alcançados? Provavelmente não, embora algum bem, sem dúvida, será feito ao longo do caminho. Ele vai avançar os esforços de outros para alavancar mudanças profundas na sociedade? Não, a menos que decida mudar de rumo e aprender a aceitar que existem custos e contradições na mistura de negócios com objetivos sociais.

Hora de um novo tipo de debate

Se as bases deste movimento são tão fracas, por que não deixar que ele se queime como tantos outros modismos antes dele? Não se trataria de “apenas mais um imperador que está nu”, esperando que alguém corajoso ou tolo reconheça sua nudez em público? Acredito que este seria um grave erro porque não podemos ignorar o que eu chamo de “pergunta de 55 trilhões de dólares” – a quantidade estimada de recursos filantrópicos a serem gerados apenas nos Estados Unidos nos próximos 40 anos.

Vamos usar esses imensos recursos na busca de transformações sociais ou apenas desperdiçá-los gastando-os nos sintomas? Se ignorarem essa pergunta, os filantropos podem acabar sendo vítimas da mesma reação adversa que receberam as concentrações anteriores de riqueza e poder.

Então, o que fazer? Acho que chegou a hora para um tipo diferente de conversa, menos dominada pelos modismos e mais aberta a vozes diferentes e dissidentes. O resultado será, sem dúvida nenhuma, confuso e descômodo para alguns, mas será mais democrático e muito mais eficaz em nutrir novas estratégias ousadas da mudança social e econômica. A sociedade civil deve participar deste debate como um parceiro igual e independente, orgulhoso de suas realizações e suas conquistas, e sem medo de rejeitar ou criticar modelos de negócios que sejam inadequados aos seus propósitos. O resultado seria, sem dúvida, um mundo transformado.

[1] Jim Collins (2006), “Good to Great and the Social Sectors”, Century.

*Michael Edwards é autor de vários livros e artigos sobre o papel da sociedade civil mundial. Na publicação deste artigo, ele é Diretor de Governança e Sociedade Civil da Fundação Ford, mas escreve inteiramente na capacidade de indivíduo e quer agradecer à Fundação Ford por permitir que ele estivesse de licença quando escreveu este artigo. Os pontos de vista expressos neste artigo não devem ser tomados como representando as opiniões nem as políticas da Fundação Ford.
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O novo folheto de Michael Edwards, Just Another Emperor? The myths and realities of philanthrocapitalism está disponível no Amazon ou para download gratuito nos seguintes sites: www.demos.org, www.youngfoundation.org e www.futurepositive.org.
Publicado em 28/07/2008 no site www.gife.org.br

O registro de entidades nos Conselhos Municipais

Por Antonio Carlos Gomes da Costa*

Por que as entidades de atendimento aos direitos da criança e do adolescente devem ser registradas nos Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente? A resposta a essa indagação vem do conceito, formulado no artigo 86 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), que traça a política de atendimento à população infanto-juvenil por meio das políticas sociais básicas, da assistência social, das medidas de proteção especial e da promoção e defesa de direitos, ou seja, lutar pelo direito no campo do direito. Essa política é definida como “um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais nos níveis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios”, que nos conduz ao conceito de redes locais de atendimento.

O registro das entidades nos Conselhos Municipais é o primeiro passo para a construção dessa estrutura reticular. Cada entidade é um nó da rede local. Para tecer essa urdidura, o Conselho deve ter o conhecimento da existência da entidade, dos seus regimes de atendimento e da sua capacidade instalada de atender. Por isso, o registro é uma exigência imprescindível na construção de um plano municipal de ação para aplicação das medidas protetivas e socioeducativas.

As entidades que devem ser inscritas no Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente são aquelas responsáveis pelas normas traçadas no Livro II do Estatuto da Criança e do Adolescente. O Livro I é chamado de Parte Geral e o Livro II é chamado de Parte Especial, o qual trata dos procedimentos judiciais e da formulação e implementação das medidas protetivas e socioeducativas, que são aquelas para as quais devem ser destinados os recursos do Fundo dos Direitos da Infância e da Adolescência (FIA). Tais recursos são provenientes do orçamento público e das doações dedutíveis do imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas.

A responsabilidade pela inscrição de uma entidade no Conselho é uma obrigação mútua, que se dá numa relação de reciprocidade entre a entidade de atendimento e o Conselho Municipal. Nenhuma entidade deve deixar de se inscrever e nenhum Conselho deve permitir que alguma entidade não se inscreva. Sem a inscrição das entidades, o Conselho não dispõe do conjunto de informações necessárias para a construção da rede local. Se as entidades não se inscreverem, o Conselho não terá tijolos para construir a parede, que é a rede local responsável pela aplicação das medidas protetivas e socioeducativas.

“A responsabilidade pela inscrição de uma entidade no Conselho é uma obrigação mútua, que se dá numa relação de reciprocidade”

Uma creche, por exemplo, deve se inscrever quando seu regime de atendimento se propõe a executar a medida protetiva de abrigamento. De um modo geral, podemos dizer que as entidades, que devem se inscrever no Conselho, são aquelas responsáveis pela execução das medidas previstas (Livro II) no Estatuto da Criança e do Adolescente. O grande objetivo desse procedimento, como já dissemos antes, é a disponibilização de dados e informações para que o Conselho Municipal possa traçar o Plano de Ação de atenção à população infanto-juvenil violada ou ameaçada de violação em seus direitos básicos, tanto do ponto de vista da vulnerabilidade social como naquele referente à integridade física, psicológica e moral de cada criança ou adolescente, assim como do cometimento de atos infracionais.

A relação entre o Conselho e as entidades nele inscritas é de natureza técnica e jurídica. Do ponto de vista técnico, o Conselho Municipal deverá, por meio da ação fiscalizadora, zelar e velar pela qualidade do atendimento. Do ponto de vista jurídico, cabe a este órgão colegiado detectar a prestação inadequada ou a não-prestação de serviços à população destinatária da missão institucional da entidade. Por meio deste raciocínio, podemos concluir que o Conselho exerce uma função de dupla natureza coordenadora e fiscalizadora da rede de entidades locais protetivas e socioeducativas.

De um ponto de vista macropolítico, podemos concluir que o registro das entidades nos conselhos atende a uma diretriz estruturante da Política de Garantia de direitos: a descentralização, que viabiliza, na prática, o direito da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária. A criação das redes locais evita a deportação de crianças e adolescentes para locais longínquos da sua família e da sua comunidade de origem. Este é o fundamento conceitual e prático de uma maratona, cujo passo inicial é o registro das entidades nos Conselhos e a definição dos regimes de atendimento por ela praticados.

A política pública de Assistência Social é a grande responsável pela operacionalização das medidas protetivas e socioeducativas. Cabe, portanto, aos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) coordenar as ações e integrar os resultados, para que serviços sejam prestados em quantidade e qualidade exigidos pela Lei 8069/90 em cada município de nosso país.

*Texto publicado em 25/07/2008 no site www.promenino.org.br

Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo,  e um dos redatores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Instituto Unibanco prorroga inscrições de projetos apoiados pelos Fundos Sociais do Unibanco Private Bank

Instituto Unibanco divulgou nota prorrogando prazo para inscrição de projetos.

Abaixo nota:

Devido à greve nos Correios, foi prorrogado até o dia 08 de agosto o prazo das inscrições de instituições interessadas em receber apoio dos Fundos de Investimento Social Unibanco Private Bank.
 
Este ano, o Instituto Unibanco assumiu a gestão do processo de análise e acompanhamento dos projetos. A escolha das instituições continuará sendo feito pelo Comitê de Investimento Social.
       
De acordo com o Edital lançado em junho, podem se inscrever este ano pessoas jurídicas não-governamentais e sem fins lucrativos dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que trabalhem com educação complementar voltada a crianças e jovens.
 

Instituto Wall- Mart seleciona projetos sociais

Está aberta inscrição para a seleção de projetos do Intituto Wal-Mart, serão selecionados 25 projetos sociais, e o período para envio de propostas é de 15 de julho a 30 de agosto de 2008.

O Instituto Wal-Mart apoiará projetos com foco de atuação prioritária no eixo de desenvolvimento econômico.

Foco no desenvolvimento econômico
Projetos que visam a profissionalização e inclusão de jovens no mercado de trabalho, estimulem a geração de renda, o fortalecimento de cooperativas, associações produtivas de economia popular, prioritariamente aquelas lideradas por mulheres chefes de família e que respeitem as regras do comércio justo.

Eixos complementares:

Foco no desenvolvimento social
Projetos que fortaleçam famílias, especialmente as lideradas por mulheres com filhos, por meio de ações educativas e informativas no campo de suas competências básicas e orientação nutricional.

Foco no desenvolvimento cultural
Projetos que valorizem as identidades culturais e o resgate das tradições locais das comunidades em situação de risco social.

Os projetos deverão ser localizados nas cidades ou regiões metropolitanas onde existam unidades da empresa, a saber:
  • Em Alagoas: Maceió
  • Na Bahia: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Lauro de Freitas, Itabuna, Vera Cruz, Camaçari, Candeias, Simões Filho
  • No Ceará: Fortaleza
  • No Distrito Federal: Brasília
  • No Espírito Santo: Vitória
  • Em Goiás: Goiânia
  • No Maranhão: São Luís
  • Em Mato Grosso do Sul: Campo Grande
  • Em Minas Gerais: Contagem
  • Na Paraíba: João Pessoa e Campina Grande
  • Em Pernambuco: Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Caruaru, Petrolina, Paulista, Carpina, Camaragibe, Cabo, São Lourenço da Mata, Abreu e Lima e Vitória de Santo Antão
  • No Piauí: Teresina
  • No Paraná: Curitiba, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Pinhais, Colombo, São José dos Pinhais e Umuarama
  • No Rio de Janeiro: Rio de Janeiro e Niterói
  • No Rio Grande do Norte: Natal
  • No Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Alegrete, Cachoeirinha, Novo Hamburgo, Canoas, Viamão, Santa Maria, São Leopoldo, Alvorada, Caxias do Sul, Santana do Livramento, Uruguaiana, Pelotas, Esteio, Gravataí, Montenegro, Santa Cruz do Sul, Capão da Canoa, Torres, Tramandaí, Camaquã, Sapucaia do Sul, Taquara, Guaíba, Alegrete, Osório, São Gabriel, Santo Antônio da Patrulha, Cruz Alta, São Borja, Bagé, Rosário do Sul, Santo Ângelo, Dom Pedrito, Santa Rosa, Barra Ribeiro, Ijuí, Xangri-lá, Gramado, Imbé e Rio Grande
  • Em Santa Catarina: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Itajaí, Balneário Camboriú
  • Em São Paulo: São Paulo, Osasco, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Barueri, Taboão da Serra, Cotia, Jandira, Campinas, São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Franca, Bauru, Limeira, Mogi-Guaçu Araras, Piracicaba e Americana
  • Em Sergipe: Aracaju

Mais informações www.iwm.org.br

O edital, roteiro para apresentação de projetos e modelo de planejamento orçamentário podem ser acessados pelos links abaixo:

Edital: http://www.iwm.org.br/arquivos/edital_de_selecao_2008.pdf

Roteiro de projetos: http://www.iwm.org.br/arquivos/roteiro_de_projetos.doc

Planejamento orçamentário: http://www.iwm.org.br/arquivos/planejamento_orcamentario.xls

 

Iluminando o caminho do Investimento Social Privado

Kelly Purdy e Marie Smith.

Está ficando cada vez mais popular e lucrativo para as empresas pular na carruagem do “comércio justo”, “ecológico”, mesmo que por pouco tempo. Uma vez que o jargão genérico para estimular lucros parece estar cada vez mais generalizado, é difícil identificar quem está adotando novos comportamentos para o bem geral e quem está andando na cauda dos caprichos do mercado. É crucial para uma organização sem fins lucrativos poder distinguir o que é fato do que é fachada.

O Fundo Global Greengrants, já em 1999, recebeu os primeiros fundos da Aveda, uma empresa especializada em produtos de saúde e beleza ecologicamente corretos. Com o objetivo de reconhecer o Dia do Planeta, a Aveda lista toda sua rede de salões de beleza, spas, profissionais, empregados e convidados para angariar fundos das organizações tradicionais e incrementar a divulgação dos temas-chave que incluem florestas, biodiversidade, povos indígenas e, mais recentemente, água limpa.

Um novo relacionamento
Em 15 anos de financiamento de projetos comunitários do meio-ambiente no Global South, a Greengrants nunca fez uma parceria formal com doadores corporativos. Porém, no ano passado, fomos designados parceiros do Mês do Planeta da Aveda e começou a surgir uma nova colaboração.

Para começar, a Aveda desenvolveu a Light in the Way, uma vela de edição limitada, fabricada para angariar fundos durante o Mês do Planeta para a Greengrants. O logotipo da Greengrants aparecia na parte externa da embalagem. Além do mais, a Aveda Europa escolheu Greengrants como seu parceiro local para receber o dinheiro arrecadado nas campanhas dos salões de beleza e spas.

Ao longo dos últimos dois anos, a Greengrants tem dado apoio à Aveda Europa enviando pessoal e um “conselheiro” com o objetivo de educar e incentivar as equipes sobre a origem internacional da Fundação. Como diz o Diretor e Fundador Chet Tchozewski, “treiná-los mediante busca de pequenas doações pode fazer uma significativa diferença no Sul Global”. Por sua vez eles treinam seus clientes e os motivam a participar dos eventos para angariar fundos e fazer doações. Os conselheiros participam ativamente nas áreas em que se dispõem a colaborar com a Greengrants, identificando os grupos mais promissores merecedores de fundos. Neste ano, Christ Allan, o Diretor de programas planeja visitar a Sede Corporativa da Aveda em Minnesota para conduzir um seminário sobre como angariar fundos em comunidades locais.

Greengrants e Aveda além de demonstrar publicamente responsabilidade social e trabalhar em conjunto no posicionamento da marca, também trabalham juntas internacionalmente na outorga de fundos relacionados à água. O dinheiro arrecadado é utilizado em lugares remotos do planeta onde a Aveda providencia muitos dos componentes e onde a Greengrants possui uma rede de conselheiros.

A Greengrants nunca antes teve um parceiro global e, para reforçar os laços com a Aveda, precisamos saber se isto é aceitável para a nossa rede de ativistas dedicados a pressionar as empresas que ignoram o meio-ambiente e as comunidades. Em outras palavras, a Aveda é uma dessas empresas?

Malha fina

Antes deste acontecimento a arrecadação corporativa foi tema do retiro global bianual da Greengrants em 2005. Uma força-tarefa de conselheiros voluntários e funcionários foi criada para desenvolver o tema e o grupo elaborou nossas “diretrizes para arrecadação de fundos”. O documento foi enviado para a nossa rede de conselheiros analisá-lo e depois para o pessoal e o comitê. Todo o processo levou dezoito meses e teve seu primeiro teste quando a Aveda propôs parceria global com a Greengrants no Mês da Terra em 2007.

Utilizando as diretrizes, investigamos a Aveda e a sua parceira Estee Lauder com o intuito de conhecer melhor como opera cada uma das empresas e o relacionamento entre elas. Quando Lauder comprou a Aveda em 1997, temia-se que as políticas corporativas da nova parceira da Aveda poderiam dominar sua visão filosófica, social e ambientalmente responsável.

Enquanto se fazia o levantamento, muitos de nós participamos de uma reunião de três dias na sede da Aveda com outros parceiros do Mês da Terra. Os executivos da Aveda apresentaram seus resultados e planos a respeito das ações quanto à responsabilidade ambiental e social. Estas incluíam o aumento de percentual orgânico em seus produtos na ordem de 20 a 93 % e a proporção de dejetos pós-consumo das embalagens de 25 a 85% em comparação aos oito anos anteriores. A melhoria geral na distribuição, energia alternativa e expedição foram enfatizadas, demonstrando o compromisso da Aveda para minimizar sua presença no efeito estufa.

Ficamos impressionados com as impecáveis práticas ecológicas da Aveda e o seu compromisso para estabelecer um exemplo de liderança e responsabilidade ambiental. Observamos também o cuidado deles com as práticas trabalhistas corretas e o trato adequado para com os indígenas. Concluímos que a Aveda não está só focada na fabricação de produtos e serviços, mas também tem dado passos conscientes para ser considerada uma empresa com responsabilidade social e ambiental.

Eles não estão jogando dinheiro para compensar um mau comportamento. Eles não estão simulando ou viajando no trem da onda “tudo natural, por enquanto”. Estamos convencidos de que a Aveda, baseados na nossa devida diligência desde a sua fundação, procura integrar na sua cadeia de valores práticas de responsabilidade social e ambiental.

E os parceiros corporativos?

Nós não temos uma previsível rede de Corporações batendo na nossa porta, porém repetimos este processo em 2007. Neste caso, nós concordamos por causa dos temas relacionados aos direitos humanos, que não podíamos deixar de nos comprometer e as diretrizes são irrelevantes quando se trata de algumas indústrias que desconsideramos totalmente: extrativismo, agronegócios, madeira, etc.

Um bom casamento
O elo com a Aveda permitiu à Greengrants atrair novos entusiastas e receitas para o movimento na Europa abrindo caminhos inexplorados: os salões de beleza e spas da Aveda. Por sermos conselheiros de arrecadação e intermediários da Aveda, queremos acreditar que os ajudamos a melhorar a qualidade da sua arrecadação com menos projetos em andamento, maior mobilização de recursos com mais autonomia nas comunidades patrocinadas por eles.

Aparentemente, Greengrants e Aveda não parecem ser colaboradores: uma empresa de beleza e outra angariadora de doações para o meio-ambiente. À medida que conhecemos a Aveda, achamos que eram duas organizações empenhadas com a mesma finalidade: um mundo mais justo. Vemos-las como um exemplo para outras porque demonstram que as empresas podem adotar práticas legítimas e justas e manterem-se lucrativas.

Ter ou não ter um parceiro.

O mercado de angariar fundos transformou-se num mercado ferozmente competitivo. Isso se deve às quedas na economia, ao aumento de empresas sem fins lucrativos e à distribuição desigual da riqueza. É tentador para qualquer organização ser seduzida pelo dinheiro corporativo para alcançar as metas anuais de arrecadação de doações.

Ter a capacidade de fazer uma avaliação objetiva é fundamental. Estamos satisfeitos com a decisão de sermos parceiros da Aveda. Eles não estão comprando uma reputação verde ao fazer-nos doações. De certa forma, a empresa desde seu começo permanece com suas práticas de negócios politicamente corretas e, como parte disso, eles apóiam a Greengrants.

Kelly Purdy é Diretora do Desenvolvimento de Fundações do fundo Global Greengrants e Marcie Smith é Diretora de Comunicações. E-mails: kelly@greengrants.org e marcie@greengrats.org.

Para mais informações: www.greengrants.org
Publicado em 11/07/2008 no site http://www.gife.org.br/alliancebrasil/noticias.php?codigo=110

Doação individual: fazendo-a ser percebida

Peggy Dulany, Adele Simmond e Rory Tolentino*

Apesar de pessoas de todos os setores da sociedade sempre doarem à caridade, o apelido “filantropo” tem sido dado tradicionalmente aos ricos industriais não importando se as fortunas foram feitas do petróleo ou aço (Rockefeller e Carnigie), ou software, ou finanças. (Gates e Buffett). Hoje, no entanto, a filantropia se popularizou. Brad Pitt, Angelina Jolie e Bono têm ajudado refugiados, aos grupos de direitos humanos, aliviando dívidas e em causas célebres. E se os executivos da NBC conseguirem o que desejam a filantropia logo mais poderão chegar à sua casa através de um canal de televisão.

Entre os shows do horário nobre programados para o inverno de 2009, está “O Filantropo”, o herói que será “o primeiro Filantropo Vigilante”, um bilionário que usa sua riqueza, sua rede de relacionamentos e seu poder para ajudar pessoas necessitadas: em vez de gastar US $ 25.000 o prato num evento beneficente, ele foge das balas nos países do Terceiro Mundo para entregar vacinas em mãos. O próximo papel de George Clooney?

Enquanto as celebridades podem contribuir com dinheiro e chamar a atenção pela fama que têm, a maioria dos doadores individuais não consegue nem ser mencionada na última página da imprensa, na primeira… nem sonhando. No entanto, eles fazem a diferença. US$10.000 podem ter um profundo impacto num projeto de irrigação de uma vila. US$ 50.000 podem financiar pequenos empréstimos para toda uma vizinhança numa cidade Africana. Somada a outras doações, US$100.000 podem fornecer capital de investimento para um fabricante de vacinas de baixo custo nos países em desenvolvimento. A escala dos doadores de US$ 1.000.000 até US$ 5.000.000 é diferente.

A chave disto é identificar qual é a melhor forma de usar cada uma das doações. Isto significa ter uma idéia muito clara de qual é a paixão do filantropo, o tamanho dos recursos dela ou dele e o nível de participação desejado. Isto então requer estar ciente de que negócios e filantropia exigem habilidades diferentes. Os bons doadores podem adaptar seus talentos empreendedores para negócios e aplicá-los no seu trabalho filantrópico; só que, desenvolver um negócio de sucesso e criar um projeto eficiente na saúde, implicam esforços qualitativos totalmente diferentes. A seguir algumas dicas para doações individuais inteligentes.

O que o filantropo individual tem a oferecer

Uma pessoa, ou até uma família muito coesa, podem conseguir muito se acreditarem numa idéia ousada planejando os recursos sociais, financeiros e profissionais e no engajamento num ideal. Os filantropos precisam começar com um entendimento claro dos assuntos, ter a capacidade de ouvir as pessoas que serão beneficiadas com a sua doação, desejar colaborar visando o impacto máximo e confiar no raciocínio estratégico com planejamento e persistência. Em resumo, um compromisso para agir de forma que possa aumentar as probabilidades de fazer mudanças que perdurem.

Quais são algumas das vantagens que o filantropo individual tem sobre os grandes fundos? Para começar os doadores individuais são mais ágeis que as grandes fundações.

As decisões e ações podem acontecer com maior velocidade permitindo agir rapidamente em casos de necessidades urgentes. Por exemplo, Jeff Horowitz, há tempo se interessava na troca do Carbono como uma solução para o aquecimento global. Quando ele percebeu que não havia suficiente regulamentação destinada a reduzir as emissões de carbono originadas em queimas de florestas e degradação (REDD), licenciou-se da sua participação societária do escritório de arquitetos de São Francisco, a KMD Arquitects, para fundar o Avoided Deforestation Partners (Parceiros da Prevenção de Desflorestamento); uma empresa internacional sem fins lucrativos que promove políticas de mercado para proteger e incrementar o ecossistema florestal. Horowitz agora dedica seu tempo em convencer políticos e líderes corporativos muitos deles conhecidos na sua antiga atividade, sobre a REDD (Regional Ecosystem Description Database, algo como Cadastro das Descrições dos Ecossistemas Regionais).

Da mesma forma, indivíduos e famílias podem arriscar mais do que as grandes organizações em assuntos que evitariam entrar, tais como experimentar novas tecnologias ou apoiar idéias ainda não testadas. Em 1991, quando Martin Fisher e Nick Moon fundaram uma organização que mais tarde seria a KickStart, uma organização sem fins lucrativos no Quênia que desenvolve, fabrica e distribui tecnologias inovadoras como bombas para micro-irrigação, materiais para construção e fabricação de ferramentas, eles aplicaram a poupança e lucros provenientes de um contrato que tinham para fabricar latrinas nos campos de refugiados Somalis. Este primeiro investimento permitiu a KickStart afinar o seu modelo e colocou a organização num ritmo de crescimento rápido. Hoje a KickStart trabalha na África Subsaariana e sua rede de distribuição chega às mais remotas regiões.

Devido a sua independência, os filantropos individuais frequentemente trazem novas idéias e novas estratégias para resolver problemas deixados de lado por outros. A educação e o treinamento são exemplos das preocupações persistentes de muitos dos filantropos, no entanto, muitos têm dificuldade em transpor as barreiras políticas, econômicas e sociais que mantêm as pessoas atoladas na pobreza. Essas barreiras são as mais altas de todas em regiões onde o desemprego crônico tem criado um ciclo de frustrações, perda de esperança e raiva. Em 2004, Ron Bruder desenvolveu a Fundação Educação para Emprego, gerando oportunidades de trabalho para jovens desempregados em países de maioria muçulmana dando-lhes treinamento profissional e técnico de primeiro mundo encaminhando-os para uma carreira profissional. Através de parcerias com empresas, escolas e governos, a F.E.E. fornece aos jovens as ferramentas e o treinamento necessários para prosperar no ambiente empresarial acompanhando-os com um sólido programa de tutoria para garantir um sucesso duradouro.

Os doadores individuais também são organizadores ideais e intermediários de relacionamentos. Quando Uday Khemka queria chamar a atenção dos doadores para o tema de como evitar as ameaças potenciais das mudanças climáticas sobre as pessoas carentes do mundo, o empresário indiano reuniu os filantropos com peritos em mudanças climáticas do mundo todo para uma série de reuniões com o objetivo de explorar alternativas para mitigar as mudanças climáticas. Foram reuniões informais e orientadas para a implementação de ações. O resultado? A fundação da “Filantropia para a Rede de Ações de Mudanças Climáticas” formado por um grupo de filantropos individuais e de fundações comprometidas a fazer intercâmbios de boas práticas e coordenar estratégias e planos de ação em torno das mudanças climáticas.

O que faz de uma pessoa um bom filantropo?

Então, o que faz de uma pessoa um bom filantropo? O mesmo que faz um bom filantropo institucional: acima de tudo, a vontade de ouvir as pessoas do campo. No final de contas, o impacto do trabalho do filantropo depende da vontade das pessoas da localidade em levar as ações adiante. Uma coisa é um doador financiar pesquisas de AIDS e outra coisa totalmente diferente é montar uma clinica para Aidéticos. Têm que levar em consideração um mínimo de desafios: a falta de transporte para chegar à clínica; a falta de água potável para limpeza e desinfecção, tabus contra as pessoas aidéticas e práticas sexuais da região que disseminam o vírus.

A eficácia do doador aumenta de forma dramática se visualizar a doação de forma consistente com a cultura e os valores locais. Os filantropos, mesmo com as melhores das intenções, se não se derem tempo para estudar o terreno e colher informações, podem cometer uma gafe se ignorarem o contexto cultural ou seguirem em frente sem as devidas consultas. Com humildade e paciência se chega longe no objetivo de ajudá-los a atingir suas metas. Por exemplo, quando a doadora Ann Lurie viu uma lacuna no tratamento médico no Quênia rural, ela fundou uma clínica móvel para fazer diagnósticos, tratamentos, prevenção e educação de saúde dirigida às comunidades não atendidas. Os parceiros locais não só ajudaram a manter a unidade móvel como também contribuíram para a construção de clínicas.

Os bons filantropos também procuram alavancagem por meio de sociedades, alianças e colaborações. Como Betsy Brill, presidenta e fundadora da Filantropia Estratégica Ltda., diz: “trabalhar isoladamente não é a receita para o sucesso. A alavancagem, o conhecimento, a experiência e o relacionamento com outros filantropos somados, levam aos objetivos desejados. Estar atento, seguir a própria instituição e rodeado de recursos filantrópicos profissionais, os filantropos irão longe e garantirão investimentos sociais eficientes.”.

Afortunadamente, os recursos dos doadores individuais na década passada cresceu dramaticamente. A rede de doadores como o Global Philantrophy Fórum e a Synergos’s Global Philanthropist’s Circle, oferecem oportunidades para outras redes e colaboradores enquanto organizações como a Ásia Foundation fornecem os meios para dar apoio à governabilidade, às leis, à sociedade civil, à participação da mulher para o desenvolvimento econômico e relações internacionais. Para filantropos à procura de soluções mais de mercado, os fundos de risco sem fins lucrativos como o Acumen Fund, usam abordagens de profissionais empreendedores para resolver os problemas globais de pobreza.

Estratégias de pesquisas e procura de melhores práticas com a ajuda de uma rede de filantropos, constituem um bom lugar para começar. As organizações intermediárias, grupos que angariam fundos em nome de uma variedade de pequenas organizações que geralmente estão agrupadas em volta de um tema ou região, formam uma das maneiras mais práticas e eficientes para que um doador individual possa causar impacto imediato. O Fundo Global para Mulheres, o Fundo Greengrants, o Fundo Global Para Crianças, Mama Cash e outros intermediários criaram uma rede de beneficiários e programas baseados em habilidades.

Uma doação relativamente modesta pode ter grande impacto quando canalizada via intermediários. Com o simples conhecimento de que recursos estratégicos existem no solo, no campo ou numa área geográfica, pode agregar valor aos esforços do doador individual.

Para qualquer doador, “tirar o máximo proveito da grana” é um ponto a ser considerado e a colaboração tem um forte efeito multiplicador. Como Presidente da GITI Pneus, uma das líderes do mercado que fabrica pneus na Ásia, Enki Tan conseguiu alavancar a presença da GITI na Ásia para dar apoio ao trabalho da Conservation Internacional (CI), de onde é membro da diretoria. Em Dezembro último, a GITI doou US$ 1.000.000 para os projetos da CI no norte de Sumatra (Indonésia) e nas montanhas do sudoeste da China. Além do mais, em Setembro passado, Tan e sua esposa Cherie Nursalim, organizaram o Leilão Azul, um evento beneficente black-tie em benefício das obras da CI em preservação marinha.

Auspiciado pelo Príncipe Albert II, no museu oceanográfico de Mônaco, a Christie leiloou a concessão de direitos de nomear dez espécies de vida marinha descobertas recentemente na Costa da Bird’s Head Seascape na província de Papua, Indonésia. O leilão levantou US$ 2.500.000, incluindo a oferta de US$ 480.000 da GITI. Em ambos os casos, foi muito mais que dinheiro: era sobre como utilizar relações pessoais e profissionais para movimentar o trabalho. (veja a p. 40 para conferir a entrevista com Cherie Nursalim).

Os doadores que desejam por a mão na massa da filantropia, poderão investir mais tempo e recursos no planejamento. Por exemplo, quando um doador decide começar uma fundação, até mesmo as tarefas mais triviais como elaborar um pedido de autorização ou criar diretrizes, podem virar perdas de tempo e distração. Doadores associados e doadores conselheiros podem ajudar a desenvolver uma estratégia eficiente. Doadores que decidem montar uma organização para de fato trabalhar nelas, enfrentam outros tipos de desafios: registrá-la como sendo sem fins lucrativos, organizar uma equipe, formar infra-estrutura local e angariar fundos.

Progredindo: melhorando a efetividade das doações individuais

Para os experimentados doadores individuais, o desafio eterno é a ampliação. Uma estratégia especialmente criada para um indivíduo ou uma fundação familiar com muito dinheiro é expandir um programa de sucesso. Por exemplo, os doadores individuais foram de grande ajuda para juntar os Partners in Health (Parceiros da Saúde), uma rede de postos de saúde avançados estabelecida originalmente no Haiti, em vilas de Ruanda e Lesoto. O fundador de Parceiros da Saúde, Paul Farmer, afirma que os doadores individuais são mais flexíveis e giram dinheiro mais rapidamente que outras fontes. Do ponto de vista dos doadores, financiar a expansão de uma comprovada ação benéfica poupa tempo e recursos.

De forma inversa, um pequeno doador pode fazer uma parceria com uma grande organização para ter a certeza que comunidades menores não sejam esquecidas. Em 1993, Rodrigo Baggio, naquela época um jovem professor de tecnologia da informação de escolas privadas do Rio de Janeiro, queria que jovens de diferentes classes sociais falassem entre si via internet. Depois de lançar este projeto, ele percebeu que os jovens pobres não participavam do projeto porque não tinham computadores. Então, ele reformou seu projeto e 2 anos depois fundou o Comitê Pela Democracia na Tecnologia da Informação, (CDI) uma organização sem fins lucrativos que utiliza tecnologia e escolas da comunidade de base para debates, reflexões e engajamento dos cidadãos.

Os doadores que fazem seu dever de casa e conseguem encontrar oportunidades para colaborar e encontrar o veículo de filantropia adequado, continuarão fazendo uma significativa diferença na solução dos problemas mundiais. Os doadores devem ser incentivados a procurar apoio, reforçar os grupos de apoio e alavancar diversidade de recursos e não simplesmente seus talões de cheques. Em 1999, quando John Wood se afastou do cargo de Diretor de Novos Negócios da Microsoft da China para organizar a Sala Para Ler, investiu seu dinheiro, seu talento e sua agenda de telefones na sua meta de ajudar 10 milhões de crianças nas regiões em desenvolvimento para serem educadas melhorando as escolas, bibliotecas e outras infra-estruturas. Em apenas 8 anos, Wood tem conseguido difundir Sala Para Ler desde o primeiro ano quando levou 3.000 livros para uma vila no Nepal no lombo de um yak para uma organização que já construiu 440 escolas e mais de 5.000 bibliotecas bilíngües até alcançar mais de 1,7 milhões crianças na Ásia e África.

Como dizia Sir Winston Churchill, “qual é o objetivo de viver, que não seja para lutar pelas causas nobres e fazer este mundo confuso um lugar melhor para aqueles que viverão depois de irmos embora?”.

*Editores convidados para o artigo especial “Doação individual: Fazendo-a Ser Percebida”.
Peggy Dulany é Presidenta do Instituto Synergos que ela fundou em 1987 para facilitar o relacionamento entre os líderes da Grassroots e líderes políticos e de negócios. E-mail: pdulany@synergos.org.
Adele Simmond é Presidenta da Parceria Filantrópica Global, (Global Philanthropy Partnership) membro do comitê da Synergos e fundadora da Rede de Doadores Globais de Chicago (Chicago Global Donors Network). Ela foi Presidenta da John D & Catherine T Mac Arthur Foundation. E-mail: adelesimmons@mindspring.com
Rory Tolentino é Chefe Executivo do Consórcio de Filantropia Ásia-Pacífico (Asia Pacific Philanthropy Consortium). E-mail: roryappc@pldtdsl.net.

Publicado em 11/07/2008 http://www.gife.org.br/alliancebrasil/main.php

Projeto Aprendiz Legal é tema de debate no Ministério do Trabalho e Emprego

Em dois anos, programa já beneficiou cerca de 12 mil jovens em todo país. Vários parceiros, como empresas de seguros e instituições financeiras, aderiram ao projeto.

 

Foto: Renato Alves

Audiencia com fundaçao roberto marinho

Aprendizagem

Audiência do secretário-executivo, André Figueiredo (esq) , com representantes da Fundação Roberto Marinho

 

Brasília, 16/07/2008 – O secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), André Figueiredo, recebeu nesta quarta-feira (16), em Brasília, representantes da gerência de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho (FRM). O MTE é parceiro da Fundação no projeto Aprendiz Legal, que visa capacitar por meio da aprendizagem profissional, jovens com idades entre 14 e 24 anos.

Durante reunião, foram discutidos temas referente à aprendizagem profissional, entre eles, como conscientizar o empresariado sobre a importância do cumprimento da Lei.

Aprendizagem – O Aprendiz Legal é um programa de qualificação profissional para jovens cuja metodologia de ensino foi desenvolvida pela Fundação Roberto Marinho. Vários parceiros, como empresas de seguros e instituições  financeiras, aderiram ao projeto.

Os jovens que participam do Aprendiz Legal recebem formação teórica em salas de aula instaladas, por exemplo, nos Centros de Integração Empresa Escola (CIEE). Depois, são encaminhados para empresas parceiras do projeto, onde podem colocar em prática o que aprenderam.  O suporte pedagógico e institucional ao programa é oferecido pela Fundação Roberto Marinho; já a formação teórica dos aprendizes, sua certificação e o processo educacional junto às empresas serão de responsabilidade da instituição e ensino.

O Programa Aprendiz Legal também foi aderido pela Petrobras, no ano passado. Na ocasião, cem instituições educacionais, sem fins lucrativos e parceiras da estatal foram habilitadas a utilizar a metodologia de qualificação desenvolvida pela Fundação Roberto Marinho.

Legislação – A Lei 10.097, de 2000, conhecida como a Lei da Aprendizagem, determina que empresas com mais de cem funcionários devem contratar jovens de 14 a 24 anos, sem experiência profissional, como aprendizes, cumprindo cotas que variam de 5% a 15% do número de funcionários efetivos qualificados. Além disso, a legislação também prevê que os jovens recebam aulas de capacitação teórica de acordo com as respectivas áreas de atuação.

 

Assessoria de Imprensa do MTE
(61) 3317-6537/3317-6540