Políticas de emprego podem ser ineficazes para os mais pobres

O estudo investiga quais mudanças no mercado de trabalho brasileiro impactam na probabilidade de as famílias deixarem a condição de pobreza. Ana Machado e Rafael Ribas também mostram que os cronicamente pobres precisam de qualificação para entrar no mundo competitivo de trabalho, senão permanecem excluídos.

Machado e Ribas se baseiam em dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PME/IBGE), de 2002 a 2007. Quanto mais uma família fica na pobreza, mais difícil é escapar desta condição. O aumento no salário médio dos empregados no setor formal, por sua vez, favorece que famílias pobres continuem pobres – provavelmente, na competição por vagas que ofereçam salários mais altos, os indivíduos mais pobres sejam preteridos, posto serem profissionalmente menos qualificados.

A pesquisa revela ainda que famílias extremamente pobres não são, de fato, os pobres mais crônicos, pois apresentam maior probabilidade de sair da pobreza. A presença de idoso no domicílio é outro fator positivo para a não-permanência na pobreza. Certamente, a existência de aposentadorias e pensões como renda adicional no domicílio ameniza a situação, provendo maior bem-estar às famílias.

No Brasil, um enorme contingente de indivíduos em idade ativa praticamente não participa do mercado de trabalho, em especial no setor formal da economia. “Para esta população, políticas de geração de emprego podem ser ineficazes para a retirada da pobreza”, informa o texto, que faz uma triste constatação: o aumento na remuneração média dos trabalhadores formais até mesmo dificulta ainda mais sua inserção.

O estudo conclui que políticas de redução da pobreza devem transpor o mercado de trabalho. O importante, segundo Machado e Ribas, é criar as condições suficientes para que haja sustento digno e condições para reverter a situação no longo prazo por intermédio da qualificação.

Fonte: Publicado no site do Ipea – http://www.ipea.gov.br – em 13/05/2008.
Acesso ao estudo através do site http://www.ipea.gov.br.
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