Pacto Global adota estratégia de expansão

Iniciativa de envolver o setor privado num compromisso de práticas sustentáveis reformula comunicação para atrair mais empresas

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Reprodução

OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina
 

O Comitê Brasileiro do Pacto Global — uma iniciativa das Nações Unidas com apoio do PNUD para envolver empresas de todo mundo em práticas sustentáveis de administração — está reformulando sua estratégia de comunicação para aumentar o número de signatários. Atualmente, são 227 empresas do Brasil comprometidas a seguir os dez princípios básicos do acordo, que envolvem itens sobre direitos humanos e do trabalho, desenvolvimento e sustentabilidade.

 

Já são aproximadamente 5.200 organizações em todo o planeta que adotaram o texto. Como o Pacto Global não é um instrumento regulatório, mas uma iniciativa voluntária, empresas ou organismos que o adotam se comprometem a torná-lo público, internamente e para sociedade, que aderiram ao código de conduta. Esse código abrange: reconhecimento e garantia do direito dos trabalhadores; eliminação de trabalho forçado e infantil, assim como a discriminação no emprego; desenvolvimento de atividades que garantam a preservação da natureza e o combate à corrupção, sob qualquer aspecto.

 

As novas estratégias de comunicação já estão em curso e envolvem a atualização do desenho e das funcionalidades do site brasileiro e uma mudança na estética da apresentação das propostas, com a criação de ícones para representar os dez princípios básicos do Pacto Global. Ela aproveita uma estratégia de imagem bem-sucedida dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, uma série de metas para os países da ONU cumprirem até 2015.

 

“Os Objetivos do Milênio tiveram um aumento de conhecimento da sociedade quando foi feita uma mudança na forma de apresentar as propostas. Foram criados oito ícones, que hoje são difundidos Brasil a fora. Fizemos a mesma coisa em relação ao Pacto”, afirma Vitor Seravalli, que assumiu no início deste mês a presidência do Comitê Brasileiro do Pacto Global, para um mandato de dois anos. Seravalli substitui na vaga Ricardo Young, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. “Nossa missão é, além de dar continuidade ao trabalho feito e aumentar a abrangência do Pacto no país”, diz Seravalli.

 

Com a reformulação, o site, que passa a ser a principal ferramenta de comunicação da iniciativa no Brasil. “Mas o que vai fazer com que aumentemos o número de signatários nesse próximo período são eventos, comissões, abordagem direta a empresas líderes em sustentabilidade e o uso de campanhas dentro das empresas”, diz Sarevalli.

 

Algumas dessas ações foram discutidas durante o Global Forum América Latina, de 18 a 20 de junho, em Curitiba. Trata-se de um evento que discute a questão da sustentabilidade sob diversas perspectivas, envolvendo tanto o setor empresarial quanto o da sociedade. Jonas Haertle, coordenador do trabalho das redes entre países do Pacto Global na América Latina e Caribe, foi um dos palestrantes do encontro.

 

Durante o evento, foi realizada a reunião da comissão de educação do Pacto Global. “A primeira grande atividade aconteceu em 18/06, uma oficina [sobre a iniciativa] para interessados. Nós convidamos os signatários e outras organizações para disseminar os princípios do Pacto”, diz Saravelli.

Fonte: www.pnud.org.br

Estudantes trocam experiências sobre saúde e prevenção às DST e ao HIV

Brasília, 24 de junho – Estudantes de todo o País estão reunidos hoje e amanhã na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante a III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, para trocar informações sobre experiências bem-sucedidas em saúde e prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis no ambiente escolar. São esperados cerca 1.000 participantes, entre profissionais de saúde e de educação, estudantes, gestores de saúde e educação, além de integrantes de organizações não-governamentais e universidades. A cobertura em tempo real está acessível no site www.revistaviracao.org.br/spe.

O evento faz parte das atividades do projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). A iniciativa é dos ministérios da Saúde e da Educação, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Nos dois dias da Mostra, serão realizados painéis, conferências, fórum, oficinas, comunicações coordenadas (trabalhos na modalidade oral), atividades culturais e artísticas.

Os temas saúde e prevenção nas escolas serão debatidos a partir da diversidade sexual, das relações de gênero, dos direitos humanos, de raça e de etnia. Saúde sexual e saúde reprodutiva, participação juvenil, populações vulneráveis, crianças e adolescentes vivendo com HIV e aids também serão aspectos abordados na discussão. Além disso, o evento vai enfocar a gestão integrada entre saúde e educação, a institucionalização do SPE, o monitoramento e a avaliação do projeto nas escolas do Brasil.

Projeto nacional – O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) foi lançado em 84 escolas, em 2003. Mas, desde 1995, os ministérios da Saúde e da Educação reúnem esforços para que os temas saúde sexual e saúde reprodutiva sejam trabalhados nas escolas. A partir de 2004, as estratégias foram expandidas para as 27 Unidades da Federação. As inovações do SPE foram a oferta de preservativos nas escolas, a integração entre escolas e unidades básicas de saúde e a participação da comunidade no processo, sobretudo dos jovens.

Em 2005, o Saúde e Prevenção nas Escolas foi reformulado. Foram incorporadas novas estratégias, como monitoramento das escolas, ampliação de ações para atingir alunos a partir das primeiras séries do ensino fundamental, apoio a Estados e municípios na constituição de grupos gestores intersetoriais, realização de oficinas regionais, apoio a eventos regionais, além de produção, impressão e distribuição de materiais educativos.

Mais informações
Alexandre Magno – Assessor de Comunicação
Telefones: (61) 8166 1636 ou 3035 1947
E-mail: aamorim@unicef.org

 

Impasse legal atinge investimentos em projetos sociais

Divergências envolvendo Ministério Público, empresas e conselhos dos direitos da criança e do adolescente colocam em risco a arrecadação dos Fundos para a Infância e a Adolescência (FIAs). Empresários, que investem nos FIAs por meio de incentivo fiscal, afirmam que a falta de consenso sobre o processo correto de destinação de recursos pode desestimular as doações. O impasse já provoca conseqüências no Rio de Janeiro, onde tanto o fundo estadual quanto o municipal apresentam orçamentos baixos se comparados com os de São Paulo.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que analisa a questão desde o ano passado, deve se reunir extraordinariamente esta semana, em Brasília, para discutir uma resolução que normatize as doações aos Fundos.

 

Previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, os FIAs são criados em âmbito nacional, estadual e municipal. Os fundos também podem receber verbas orçamentárias e doações de pessoas físicas – o valor, até o limite de 6% do imposto de renda, é deduzido integralmente. Mas é a doação de empresas a principal e às vezes única fonte de recursos. O dinheiro é gerido pelos conselhos dos direitos da criança e do adolescente, instituições compostas por representantes da sociedade civil e do poder público. E pode ser repassado a entidades governamentais ou do Terceiro Setor que realizem políticas sociais nessa área.

A polêmica envolve diferentes interpretações sobre a forma como a doação deve ser repassada aos fundos. As empresas defendem o direito de decidir qual projeto vai receber os recursos, desde que esse projeto seja aprovado previamente pelo conselho. A prática, utilizada pela maioria dos FIAs, está sendo combatida por integrantes do Ministério Público, que fazem pressão para que as doações entrem no caixa único do Fundo e tenham sua distribuição definida exclusivamente pelo conselho.

No Rio de Janeiro, onde a pressão do Ministério Público é mais forte, o volume de recursos é baixo porque os conselhos não aceitam mais as chamadas “doações vinculadas”, ou seja, direcionada a um projeto específico. O desembargador Siro Darlan, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio, é taxativo: “Atribuo a pobreza com que estamos gerindo os nossos recursos ao impasse criado pelo Ministério Público”. Segundo ele, os conselheiros do Rio estão receosos de aceitar doações direcionadas em razão da ameaça do MP de entrar com ações de improbidade administrativa.

 

Os números mostram a conseqüência direta do impasse. O fundo municipal do Rio de Janeiro arrecadou R$ 332,8 mil em 2007. No mesmo período, o fundo municipal de São Paulo recebeu 120 vezes mais: R$ 40 milhões. Os FIAs estaduais também revelam um descompasso. Em 2007, o fundo do Estado de São Paulo recebeu R$ 6 milhões em doações. Já no Rio de Janeiro foram captados R$ 584,2 mil (veja quadro abaixo).


Lados – A promotora do Rio de Janeiro e coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, Leila Machado Costa, afirma que as “doações vinculadas” enfraquecem os conselhos, que legalmente são os responsáveis pela gestão dos recursos. “As pessoas falam que não confiam no que o conselho vai fazer com o dinheiro. Isso é um absurdo”, afirma a promotora. “Essa discussão passa pela credibilidade das instituições. O que precisa é fortalecer os conselhos e cobrar transparência de suas ações”.

 

No entendimento do Ministério Público, por ser uma antecipação do imposto de renda, a verba do FIA é pública e deveria respeitar o princípio da não-vinculação dos impostos, que proíbe a ingerência direta do contribuinte na destinação dos recursos. “O empresário diz que quer saber onde o dinheiro vai ser aplicado, assim como todos nós queremos. Isso se faz através de prestação de contas”, diz Leila.

 

Outra crítica da promotora é o fato de que o direcionamento dos recursos pode levar a distorções no investimento: superposições de ações ou favorecimento de projetos renomados em detrimento de outros desconhecidos.

 

Por outro lado, empresários e organizações argumentam que repassar recursos por meio da destinação vinculada não vai contra a legislação nem diminui a importância dos conselhos, já que todos os beneficiados precisam obrigatoriamente estar cadastrados nos Conselhos de Direitos. “Quem escolhe o projeto é o conselho, não somos nós”, enfatiza a gerente de Programas Sociais da Petrobras, Janice Dias.

 

Maior empresa do País, a Petrobras aprovou, em 2007, a doação de R$ 40,3 milhões para 195 fundos, municipais e estaduais, de todo o País. A companhia envia uma correspondência aos conselhos pedindo que cada um indique projetos (até três, no caso de municípios, e até cinco, nos estados), em ordem de prioridade. Com base nessa lista, a empresa define qual projeto será beneficiado pela doação. “O que a Petrobras não abre mão é de ter identificado no convênio a instituição que receberá a doação, para que a gente saiba se os recursos foram efetivamente utilizados e quais os resultados concretos desse investimento”, afirma Janice.

 

De acordo com a gerente, no ano passado a Petrobras não conseguiu doar recursos para o fundo estadual do Rio de Janeiro e para vários fundos municipais cariocas porque os conselhos não aceitaram identificar o projeto beneficiado no ato do convênio. O resultado disso é que, de 2006 para 2007, o investimento da Petrobras em FIAs cariocas caiu de R$ 4,8 milhões para R$ 3,3 milhões.

 

Outra preocupação dos doadores diz respeito à falta de estrutura de muitos conselhos, que não teriam condições de garantir a devida transparência e aferir os resultados dos projetos financiados. “O que achamos é que se esse problema progredir, as empresas vão parar de doar dinheiro. As empresas não confiam que o dinheiro colocado no fundo sem nenhuma destinação específica será bem aplicado”, afirma o diretor-presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin.

 

Ele afirma que, em São Paulo, a Telefônica costuma informar os temas que pretende apoiar (como trabalho infantil e liberdade assistida) e solicita aos conselhos municipais que indiquem uma lista de projetos aptos a receber as doações. “Se o conselho considera que o tema está dentro da sua política de atendimento, ele seleciona projetos do seu município e envia para a Fundação. Isso significa que quem faz a primeira seleção é o conselho”, reforça.

 

Prejuízo – A polêmica já está na Justiça. No ano passado, a promotoria da Infância de Mogi das Cruzes (SP) entrou com uma ação contra a Fundação Telefônica pelo repasse de recursos, feito por meio do fundo municipal da infância, para um projeto de formação de redes de proteção à criança e ao adolescente. O processo ainda não teve julgamento de mérito. “Estamos convencidos de que temos um procedimento correto. Tanto que a Telefônica não deixou de contribuir para fundos da infância”, afirma o diretor-presidente da Fundação, que no ano passado investiu em 30 projetos por meio dos FIAs.

 

Para Eduardo Pannunzio, consultor do Programa Marco Legal e Políticas Públicas do Grupo de Institutos, Federações e Empresas (Gife), o impasse cria um clima de instabilidade jurídica que desestimula os empresários a doar recursos para a área da infância, já que existem outras áreas, como esporte e cultura, com leis de incentivo fiscal mais viáveis. “É óbvio que nenhuma empresa, nenhum cidadão vai contribuir com risco de sofrer ação de improbidade do Ministério Público. Vai optar por outra área”, diz Pannunzio.

 

O conselho de responsabilidade social da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que já realizou campanhas incentivando as empresas a doar para o fundo, decidiu tirar o assunto de pauta enquanto o impasse não for solucionado. “A área da infância continua recebendo investimento das empresas. Mas o trabalho de corpo-a-corpo para ampliar esses investimentos por meio dos FIAs não está mais na linha de prioridade”, afirma Cláudia Jeunon, coordenadora de responsabilidade social da Firjan.

 

As empresas também alegam que as doações direcionadas aumentam a captação de recursos. Na capital paulista, esse tipo de doação foi autorizado em 2005 por um decreto da prefeitura. Antes disso, a arrecadação média do fundo era de R$ 2,5 milhões por ano. Depois do decreto, passou para R$ 12 milhões em 2005, R$ 22 milhões no ano seguinte e, finalmente, R$ 40 milhões em 2007.

 

Regras – Empresas e conselhos defendem que o Conselho Nacional dos Direitos da Criança (Conanda) apresse a publicação de uma resolução que defina parâmetros de funcionamento do fundo nacional e sirva de orientação para os FIAs municipais e estaduais. A resolução está em discussão no Conanda desde o início de 2007, mas devido à polêmica também presente no conselho, até hoje não foi aprovada.

 

Para o presidente do conselho estadual do Rio de Janeiro, Siro Darlan, há um “radicalismo” na discussão que pode ser resolvido pela resolução. O representante do Gife concorda. “O fundamental é ter mais segurança jurídica”, afirma Pannunzio. Representante da sociedade civil no Conanda, José Ricardo Caporal acredita que o impasse esteja perto do fim. “Todos querem a mesma coisa: conseguir recursos para a área da infância e da adolescência, e que esses recursos sejam bem utilizados. Se engessarmos demais, não vamos conseguir ter o dinamismo que o fundo necessita. Mas sem disciplina, fica frágil”.

* Números

 

Comparativo entre a arrecadação dos Fundos da Infância e da Adolescência do Rio de Janeiro (estado e capital) e de São Paulo:

 

Ano

Fundo Municipal

do Rio de Janeiro

Fundo Municipal

de São Paulo

2003

R$ 561,8 mil

R$ 2,5 milhões

2004

R$ 1,7 milhão

R$ 3 milhões

2005

R$ 586,7 mil

R$ 12 milhões

2006

R$ 138,4 mil

R$ 22 milhões

2007

R$ 332,8 mil

R$ 40 milhões

 

 

Ano

Fundo Estadual 

do Rio de Janeiro

Fundo Estadual

de São Paulo

2003

R$ 72,5 mil

R$ 3,2 milhões

2004

R$ 5,8 mil

R$ 3,4 milhões

2005

R$ 202,9 mil

R$ 5,7 milhões

2006

R$ 12,9 mil

R$ 5,6 milhões

2007

R$ 584,2 mil

R$ 6 milhões

 

Fonte: ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância

Estão abertas as inscrições para o Prêmio AFS Voluntário Jovem 2008

O Prêmio AFS Voluntário Jovem é uma iniciativa da ONG internacional AFS Intercultura Brasil, antigo American Field Service, e há três anos possibilita que jovens solidários realizem o sonho de viver uma experiência como voluntários em outros países.

A organização acaba de abrir as inscrições para a terceira edição do Prêmio, onde voluntários de todo o país têm a chance de concorrer a uma bolsa integral para exercer durante seis meses a solidariedade em outro país. Nesse ano, o destino escolhido é a Costa Rica, um país de natureza deslumbrante e população acolhedora.

O Prêmio tem como objetivo reconhecer e estimular o trabalho realizado por jovens em projetos sociais desenvolvidos por ONGs brasileiras. Durante a experiência na Costa Rica, o selecionado será orientado por uma organização não-governamental da região que desenvolve projetos de apoio às condições socioeconômicas das comunidades do país.

As inscrições vão até o dia 30 de julho de 2008, e os interessados devem preencher duas fichas: indicação e inscrição. Além de ser atuante em projetos sociais realizados por ONGs, o candidato deve ter entre 18 e 25 anos, e boa fluência em espanhol.

A bolsa inclui hospedagem e alimentação em casa de família, seleção de ONG para realização de atividades voluntárias, passagem internacional de ida e volta, informações sobre processos para obtenção dos vistos, assistência nos aeroportos, monitoramento da experiência por meio de rede de voluntários e profissionais do AFS presentes no país hospedeiro e seguro-médico internacional.

Mais informações sobre o regulamento do Prêmio AFS Voluntário Jovem 2008, no site http://www.afs.org.br/, ou pelo e-mail infobrasil@afs.org.

INSCRIÇÕES PARA O 1º DESAFIO NATIONAL GEOGRAPHIC

Dia 5 de agosto de 2008 é o prazo final das inscrições para o 1º Desafio National Geographic. Em sua primeira edição, a competição estudantil já conta com quase 4 mil escolas inscritas. Com a prorrogação, a data da primeira prova (fase local) também foi alterada para 15 de agosto. Para participar do desafio, basta que diretores, professores ou coordenadores de escolas públicas e particulares de todo o país inscrevam suas instituições no www.viagemdoconhecimento.com.br. A partir daí, o estudante escolhido por sua escola será orientado pelo seu professor a respeito do conteúdo temático das provas e acompanhado por este na realização de cada uma delas.

O Desafio National Geographic terá três fases – local, regional e nacional. A primeira prova, já marcada para 15 de agosto de 2008, será realizada nas próprias escolas dos participantes. Os alunos que passarem para a segunda fase (prevista para outubro) farão a prova em sedes regionais de instituições parceiras do projeto. A terceira e última fase será realizada em São Paulo, em novembro, com a participação de todos os 40 finalistas. Vale lembrar que também estão abertas as inscrições para Escolas-Sedes Regionais, onde serão aplicadas as provas da segunda fase.

As instituições interessadas devem entrar em contato com a coordenação do projeto Viagem do Conhecimento. Parte do projeto Viagem do Conhecimento, idealizado pela Editora Abril e a revista National Geographic Brasil, o 1º Desafio National Geographic visa despertar nos jovens estudantes a “cultura de viagem”. Desta forma, os estudantes concorrentes também deverão dominar conhecimentos sobre história, turismo, vida sustentável, diversidades sociais e culturais do Brasil, além de informações que envolvam atualidades sobre aspectos ligados à natureza e ao meio ambiente.

Os estudantes de fora de São Paulo que participarão da prova final e seus respectivos responsáveis e professores terão as suas despesas de viagem pagas. Os vencedores serão conhecidos em evento e ganharão bolsas de estudo, viagens, entre outros prêmios. Aberta a todas as escolas públicas e privadas do país – são mais de 210 mil – esta é a primeira olimpíada de conhecimento promovida por um grupo editorial brasileiro.

Vale lembrar que educadores e professores das instituições participantes do desafio receberão o “Viagem do Conhecimento – Guia do Educador”, de Roberto Giansanti. Produzido em copy free com o intuito de levar o conceito da cultura da viagem adiante, o livro pode ser baixado e copiado por qualquer instituição de ensino no site do projeto www.viagemdoconhecimento.com.br.

O projeto Viagem do Conhecimento – 1º Desafio National Geographic Brasil conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal, Gol Linhas Aéreas e Porto Seguro e apoio da São Paulo Turismo. Tem também apoio institucional da Fundação Victor Civita / revista Nova Escola, Abril Educação – Editoras Ática e Scipione, UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Guias Quatro Rodas, revista Viagem e Turismo, portal viajeaqui e National Geographic Channel.
Prêmios: bolsas de estudo, viagens para estudantes, pais e professores.

Regulamento completo e outras informações: site: www.viagemdoconhecimento.com.br/ e-mail: viagemdoconhecimento@abril.com.br.

Para increver-se acesse ao site http://www.viagemdoconhecimento.com.br/inscricao.php

As empresas precisam mudar para construir a sociedade sustentável

Ao final da Conferência Internacional Ethos 2008, Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, e Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo, avaliaram os debates que aconteceram em torno do tema “Mercado socialmente responsável – uma nova ética para o desenvolvimento”.

Nesta conversa com os jornalistas Fátima Cardoso, Adalberto Wodianer Marcondes e Luciano Martins Costa, eles contam por que é preciso repensar os valores da sociedade e qual deve ser a atuação das empresas e de seus líderes no caminho do desenvolvimento sustentável. E explicam, também, por que uma empresa que só tem o lucro como objetivo está ultrapassada.

Adalberto Marcondes: Ricardo, qual é sua avaliação da Conferência 2008? Houve um salto do ano passado para cá, algo mudou no Instituto Ethos?

Ricardo Young: Esse salto vem sendo dado desde 2006, quando fizemos a conexão da responsabilidade social com o desenvolvimento sustentável. Aquele manifesto (Manifesto pelo Desenvolvimento Sustentável) começou a pautar toda a nossa ação de responsabilidade social orientada para uma visão de desenvolvimento sustentável. Na prática, o que significa isso? Que a nossa visão sistêmica passou a ser orientada a partir dos valores da sustentabilidade. Acho que algumas coisas mudaram no Ethos, sim, como a forma como temos conversado com a sociedade civil organizada, com a academia e com as áreas de inovação tecnológica. Acho que as empresas estão compreendendo melhor a importância estratégica da gestão socialmente responsável.

Luciano Martins Costa: O Ethos está saindo de uma posição de elaborar indicadores, de fazer diagnósticos, para uma posição de partir para a mudança, e isso apareceu na Conferência. Isso implica uma mudança da linguagem e de como vocês vão conversar com o mercado. Não existe o risco de criar mal-entendidos ou de assustar certo players do mercado? Estou me referindo diretamente à questão que o Paulo colocou no final de um debate, quando disse “será que não estamos com tudo isso ajudando a preservar o modelo de capitalismo”?

Paulo Itacarambi: Nós estamos vivendo um momento, que chamo de  virada de página, que é de colocar as efetivas mudanças internas para as empresas. Qual deve ser o foco das empresas: fazer pequenos projetos, mudar alguns aspectos da gestão ou repensar o negócio? O que está aparecendo nas várias discussões é a necessidade de que o âmago do mercado comece a ser uma força que tensione as empresas para repensar o negócio. Com isso, quero dizer o seguinte: na hora em que ficou mais claro que a responsabilidade da empresa é fazer a gestão sustentável do seu negócio, ficou claro que a empresa só vai contribuir com a sociedade se a sociedade tiver uma estratégia de desenvolvimento sustentável, e se os negócios estiverem alinhados com essa estratégia de desenvolvimento sustentável. É nesse sentido que eu estava colocando a minha dúvida no debate. Nós dizemos que a mercantilização das relações é um dos elementos que tem contribuído para a insustentabilidade, porque estamos perdendo os valores que dão coesão à sociedade, e estamos construindo desigualdades na economia. Será que, se nós trabalhamos a mudança através das empresas, isso não está aumentando a mercantilização? O que pode resolver esse dilema é a mudança do próprio negócio, da visão do que passa a ser negócio, de quais necessidades da sociedade passamos a atender.

Ricardo: Acho que somos vítimas de uma forma muito obsoleta de ver o mundo, que nos impede de entender o novo. Por exemplo, o Muhammad Yunus (fundador do Grameen Bank e Prêmio Nobel de Paz em 2006) fala que a empresa não precisa necessariamente ter como objetivo o lucro, mas isso não tira da empresa a genialidade que ela representa enquanto capital de conhecimento e de processos para realizar coisas. Tudo o que passa pela empresa não necessariamente será mercantilizado. Há uma tendência de acharmos que aquilo que é apropriado pela empresa e pelo mercado necessariamente perde a sua alma, porque se coisifica. O que eu começo a perceber é que cada vez menos as coisas que se coisificam têm significado para as pessoas e para a sociedade. As empresas, portanto, vão precisar, cada vez mais, dar às coisas um significado que vá além do usufruto material daquele produto. E nós começamos a ver um outro tipo de empreendedorismo. Estive recentemente com dois grupos de jovens, cada um com sua pequena empresa social, não necessariamente ONGs,  que se reúnem em galpões e compartilham serviços comuns de gestão e tecnologia. O elemento fundamental para o sucesso das suas empresas é aquele networking que eles estão fazendo entre si, embora cada um tenha um projeto completamente diferente um do outro. Conversando com esses empreendedores, perguntei: “por que vocês estão fazendo isso”? Eles responderam: “porque a gente não se encaixa mais no mundo típico de trabalho. A gente não consegue mais entender nossa vida fragmentando o nosso potencial e a nossa capacidade dentro de uma empresa convencional, então estamos procurando empreender o nosso potencial através de empresas”. Mas, a empresa tem outro objetivo que não simplesmente o lucro. Acho que esses são alguns padrões que não cabem nas ideologias que somos condicionados a perceber. A visão tradicional da interpretação do mundo, seja marxista ou liberal, não capta essas sutilezas que redefinem a própria  natureza da empresa, do empresariado, do ser empresário, do ser trabalhador, do ser consumidor.

Paulo: Na hora em que a empresa socialmente responsável assume como propósito produzir retorno para todos os que são afetados por suas atividades, entram novas dimensões na história. Uma delas é a economia da cooperação: é você começar a trabalhar não necessariamente pela competição, mas trabalhar pela cooperação, onde o resíduo de um é a matéria-prima do outro. Essa economia da cooperação existe na natureza. Na hora em que nós tivermos essa sincronicidade, realmente surgirá outro conceito. Esse outro conceito é: o objetivo da empresa não é ter lucro. Isso quebra o paradigma. O lucro é necessário para empresa realizar seu objetivo, mas o objetivo da empresa – usando a frase que o filósofo Mario Sergio Cortella disse em um dos debates – é engrandecer a vida, não apequenar a vida. É criar condições para as pessoas se realizarem e realizarem suas potencialidades.

Ricardo: Não é o mercado a serviço das empresas, mas as empresas a serviço das pessoas. As pessoas, a comunidade, a sociedade sustentável se apropriando dessa invenção incrível que é a empresa, mas a serviço do engradecimento das pessoas, e não do apequenamento e da fragmentação delas. Essas novas modalidades de que o Paulo falou – a economia da cooperação, o comércio justo, a economia solidária onde as coisas não precificadas são recursos no processo da economia -, são conceitos novíssimos que estão dando um sentido completamente diferente à empresa. Acho completamente antiquado discutir empresa lucrativa e não lucrativa. O  lucro é por definição uma decorrência de organizações empresariais. A diferença é que lucro em organizações com objetivo social é o necessário para a manutenção do sistema e do processo, não é a finalidade em si – a finalidade é a missão, é a realização concreta na sociedade ou no mercado. Nas outras, o objetivo é o lucro. Então, tudo se subordina a esse objetivo maior, enquanto nessas empresas com objetivo social tudo se subordina à missão maior.

Paulo: É interessante que isso se liga a discussão histórica. Quando caiu o muro de Berlim (em 1989), qual foi a promessa do mercado? Que o mercado é capaz de produzir o bem-estar social. Mas, enquanto entendermos o bem-estar social como um bem-estar individual conseguido por meio de mercadorias e de serviços, não teremos um bem-estar social. O próprio mercado, quando faz essa promessa, gera essa demanda da sociedade: “então produzam o bem-estar social”. Para produzir esse bem-estar social, é preciso mudar. E são essas mudanças que estamos discutindo.

Ricardo: Aproveitando para emendar: o neoliberalismo faliu. E por que o neoliberalismo faliu? Exatamente pelo que o Paulo falou: que o mercado disse “olha, o Estado não promove bem-estar social, o Estado é burocrático, ele drena os recursos da sociedade, o welfare state é ineficiente, o mercado é mais eficiente na alocação desses mesmos recursos para o bem-estar da sociedade”. Acontece que essa assunção de bem-estar é completamente equivocada, porque ela parte do princípio de que o mercado abastecer a população de produtos baratos, e de forma abundante, é o significado de bem-estar social. Esse modelo faliu.

Luciano: Mas esse modelo nem chegou a existir, porque o próprio discurso é falso. Se algum país alcançou o status de neoliberal, foi em função do protecionismo de Estado, para proteger setores que são a base da economia. Não existe nenhum país onde se pratica a chamada economia neoliberal que tenha a economia realmente liberal.

Paulo: Além disso, o conceito de criar o bem-estar por meio da abundância é totalmente equivocado, porque nós não temos essa possibilidade. A abundância, na verdade, é desperdício. Porque a gente produz, para algumas  pessoas, muito mais do que é necessário, isso vira resíduo inaproveitável, e os outros não têm acesso a isso. Aí tem uma questão ética: o que de fato é a necessidade e o que são desejos transformados em necessidades? O que de fato o mercado promete e não entrega? Uma base da violência social que existe hoje é porque as pessoas não têm acesso a bens materiais reais. Mas, tem uma outra base da violência que é simbólica, porque as pessoas não têm acesso ao simbólico que é prometido nos produtos. O cara gostaria de ter uma carro para ter a companhia das belas mulheres que fazem a propaganda do carro. Mas ele não tem nem o carro, nem as companhias. Ele não é nem incluído nem pode ter o sentido de pertencimento. Aí está a questão ética central: como mudar isso? Se nós continuarmos pensando que bem-estar social se consegue por essa abundância, não vamos atingi-lo. O conceito de bem-estar, o conceito de qualidade de vida e o conceito de sucesso precisam ser revistos.

Ricardo: Se é verdade que o mercado liberal tradicional não entrega o que prometeu, e que as empresas estão começando a ter de se reinventar para o desenvolvimento sustentável, não é menos verdade que o Estado terá de se reinventar. Todo o mundo capitalista que foi organizado na base de Estados nacionais, e de organismos multilaterais que se representam por meio de governos nacionais, vai começar a dar lugar a processos globais sem nação, que são os movimentos da sociedade civil organizada, ou a Estados nacionais que não conseguem expressar as demandas da suas próprias populações ou territorialidade. O capitalismo, por bem ou por mal, vai passar por um redesenho profundo. Não sei se, no final do século XXI, vamos chamar o sistema de distribuição de bens e serviços de capitalismo. O país mais bem-sucedido no capitalismo hoje é um país não democrático: a China. A China representa a aceleração extrema da agenda capitalista, e a aceleração extrema da agenda capitalista representa uma sociedade insustentável, que sustenta a insustentabilidade e a coerção do Estado.  Esse é o modelo? Obviamente, não é o modelo. Vamos ter de repensar formas inteiramente novas de governo, não só de empresas e de mercado.  Discutimos aqui o mercado sustentável, mas talvez, daqui a pouco, vamos ter de discutir modelos de governo que possam permear uma sociedade sustentável.

Fátima Cardoso: Vocês falaram de uma nova cultura para a sustentabilidade, de um novo mundo. As empresas irão liderar esse processo de transição para um novo mundo ou irão a reboque de outras instituições?

Paulo: Nós sempre trabalhamos com o seguinte raciocínio:  você precisa estimular a liderança da empresa, a partir daí ela lidera por uma questão de interesse e por engajamento das pessoas. E só continua nesse processo se houver a demanda e a pressão da sociedade. O avanço real requer uma demanda real de mercado, e o início desse avanço requer um processo de liderança. Uma coisa realimenta a outra. O Ray Anderson (fundador da InterfaceFlor, empresa símbolo da gestão sustentável) começou pela demanda do cliente, porque o cliente para ele é o centro. Mas, como ele de fato conseguiu mudanças reais? Com o envolvimento do seu pessoal, com o envolvimento emocional das pessoas que trabalham com  ele, e com uma permissão muito clara de que as pessoas poderiam criar e errar. Isso possibilitou o avanço. Por isso é que estávamos discutindo nessa conferência o mercado socialmente responsável. É o mesmo raciocínio: você precisa de algumas empresas que liderem, mas essa liderança vai até um determinado limite, ela avança um pouco, mas não se desgarra. Então, é preciso que o mercado todo crie condições para a coisa acontecer. Nossa discussão hoje é se estamos virando a página. Para as empresas continuarem avançando, é necessário que se traga a base para um outro patamar. E, para trazer a base a um outro patamar, é preciso ter mecanismos muito claros e específicos, tanto de regulamentação quanto de práticas de mercado de auto-regulação. Senão, o conjunto não avança.

Luciano: O Ray Anderson é um homem comum, não tem qualidade de oratória, não tem aparência nem postura de líder. Ele provocou um processo inovador tremendo sem mexer na estrutura hierárquica da empresa. Isso traz algumas lições interessantes para quem está fazendo grandes mudanças achando que precisa contratar o Super-Homem para ser o diretor financeiro, ou a Mulher-Maravilha para ser diretora de recursos humanos. Não é uma lição interessante observar o Ray Anderson?

Paulo: Tem um conceito fundamental nessa história, que eu uso e que o Ray Anderson disse na sua palestra: “quem faz os líderes são os liderados”. Não existe um líder se as pessoas não delegam ao líder a condução. O Ray Anderson expôs as propostas, as pessoas as abraçaram e o incentivaram para que ele continuasse. Dentro desse conceito há essas características de que você está falando. Não precisa de um Super-Homem, basta que se coloque um  propósito e que haja um conjunto de pessoas que o abrace.

Ricardo: E ele não tem essas características que podemos chamar de características convencionais esperadas de líder tradicional, mas tem outras, que são tão ou mais poderosas do que essas. A primeira delas é uma clareza de que o poder que ele detém é um poder para servir. Ele não detém o poder para si, o poder que ele tem está a serviço seja dos clientes, seja dos liderados, seja de um processo de mudança. Segunda característica:  absoluta clareza dos valores que ele quer perseguir, e humildade em persegui-los. Porque ele começou a persegui-los a partir do momento em que ele se conscientizou ignorante, por exemplo, na área ambiental. Ele teve humildade de reconhecer isso e passou a buscar soluções de forma contínua, persistente, quase obsessiva. O terceiro ponto, que foi fundamental, é que ele é uma pessoa absolutamente franca e transparente, o que elevou o nível de confiança e do engajamento de todos os que trabalharam com ele na mudança. O principal combustível para a mudança não é a autoridade, não é o exercício do poder. O principal elemento de liderança é a capacidade de tocar cada uma das pessoas e de galvanizar as pessoas em torno de alguma coisa que tenha significado para elas, e elas se sentirem parte de uma mudança maior. O Ray conseguiu mostrar para seus funcionários, para  seus colaboradores, que eles estavam engajados em uma coisa maior. E ele não prometeu isso no curto prazo, ele não disse que era para amanhã,  que o mercado iria premiá-los por causa disso. Ele não disse que a empresa iria se valorizar mais, ou menos, que iria abrir o capital. Esses elementos são importantes porque mostram quais são os elementos da nova liderança que podem nutrir o conceito da nova empresa de que estamos falando. E que estão muito menos ligados aos componentes tradicionais. Esse líder é o cara que desperta o coletivo. Ele é capaz de tocar a mente e o coração das pessoas de forma que o coletivo se desperte e se reorganize em torno de uma nova visão.

Fonte: http://www.ethos.org.br

Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil – 12 de junho de 2008

Mensagem do Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, reforça papel da educação no combate ao problema

 

Mensagem de Juan Somavia, Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho por ocasião do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil – 12 de junho de 2008

Apesar do progresso alcançado em nível mundial em muitas áreas, é inaceitável que tantas crianças ainda se vejam obrigadas a trabalhar para assegurar seu sustento e de suas famílias.
Neste Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, destacamos a importância da educação como resposta adequada ao trabalho infantil. Para muitas crianças, em particular os de famílias pobres em todo o mundo, o direito à educação segue sendo um conceito abstrato, alijado da realiade da vida cotidiana. Mais de 70 milhões de crianças em idade escolar não frequentam a escola primária. Muitos deles, assim como outros que abandonaram os estudos, começam a trabalhar em uma idade precoce, muitas vezes abaixo da idade mínima de emprego. E quando uma família tem que escolher entre enviar à escola um menino ou uma menina, com frequência é a menina que sai perdendo.
Nosso desafio é oferecer esperança às crianças trabalhadoras de todo o mundo convertendo em realidade seu direito e garantir que recebam eduçaão e formação de qualidade que lhes permita alcançar um futuro de trabalho decente. Isto é essencial para romper o ciclo do trabalho infantil e da pobreza. E é um bom investimento para os indivíduos e para a sociedade.
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas fixaram metas para tornar realidade a educação primária universal e eliminar as desigualdades de gênero na educação. O alcance destes objetivos implica também na luta contra o trabalho infantil.
Nos últimos anos, vários países introduziram iniciativas inovadoras que vinculam os esforços para erradicar a pobreza com a ampliação do acesso das crianças à educação. Este é um passo positivo.
No entanto, vemos que também persiste a vulnerabilidade das famílias pobres à crise econômica. A crise de alimentos mundial ameaça gerar novas pressões que poderiam obrigar um número maior de crianças a abandonar os estudos e buscar trabalho. O número de vítimas de HIV/Aids e os desastres naturais também aumentam a vulnerabilidade ao trabalho infantil.
Devemos ter bem claro que a luta contra o trabalho infantil requer a adoção de medidas em muitas frentes. Desde a perspectiva da OIT, isto quer dizer políticas de empregos destinadas a garantir que os pais tenham empregos que permitam às famílias desfrutar de uma vida decente; proteção social que permita às famílias fazer frente e deixar para trás a pobreza e a situação de crise e o desfrute dos direitos no trabalho que aumentem a plena participação e transformação: a luta contra o trabalho infantil é parte de um programa integrado de trabalho decente. Contudo, alcançar este objetivo requer unir políticas em muitas esferas, não somente no âmbito do trabalho.
Neste Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, no qual somos firmes na importância da dimensão educativa, adotemos o firme compromisso de trabalhar para conseguir:
• Educação para todas as crianças, pelo menos, até que cheguem à idade mínima de emprego.
• Políticas educativas que cheguem às crianças que trabalham e a outros grupos excluídos.
• Educação e formação profissional de qualidade e com os recursos adequados.
• Educação para todas as crianças e trabalho decente para os adultos.
Convoco a todos a unir suas vozes e atuar em conjunto no movimento mundial contra o trabalho infantil.

www.oit.org.br