Projeto dá “empurrãozinho” em jovens empreendedores

Por Vanessa Rosal*

A estudante de educação física Mayana Britto substituiu o “bico” de garçonete em um buffet infantil pelo próprio negócio. Orgulhosa, já investe sozinha nos estudos e mantém cerca de 20 colaboradores com a ajuda do Projeto Empreendedorismo Juvenil e Microcrédito, idealizado pela Fundação Abrinq em parceria com o Citi. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito para jovens de famílias de baixa renda e incentivar os conhecimentos técnicos relativos ao trabalho desenvolvido.

“Aproveitei quatro anos de experiência profissional para montar a minha agência de eventos. Hoje já consigo caminhar sozinha, mas tive um começo difícil”, conta Mayana, que completa 24 anos no próximo mês. “Ofereço serviços de garçom, alugo barracas de doces e salgados e faço a parte de recreação para crianças”. Pintar rostos e criar esculturas com balões são algumas das principais habilidades da estudante, que usou parte do crédito disponível no projeto para comprar um forno elétrico.

Semente – O valor do dinheiro concedido pelo Citi vai de R$ 550 a R$ 1500, com juros de 1% ao mês e carência de seis meses para quitação, a ser definida de acordo com o tipo de negócio. Este valor é considerado um “capital semente” para apoiar o pequeno empreendimento dos participantes. Mayana garante que precisará de mais crédito para adquirir novos equipamentos e, por conseqüência, aumentar o leque de serviços oferecidos.

“Depois que entrei para o programa da Fundação Abrinq dobrei o meu faturamento. Hoje em dia eu chego a realizar quatro festas por semana”, comemora a jovem empresária. Um evento completo, com recreação, barracas, pinturas, esculturas, garçons, algodão doce e outras guloseimas custa, em média, R$ 800. “Mas sempre negociamos e esse valor cai muito. Meu objetivo é deixar o cliente satisfeito e com vontade de quero mais”.

Uma pesquisa do economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revela que o jovem de 15 a 24 anos sofre para encontrar trabalho, uma vez que em cada dois brasileiros desempregados, um pertence a essa faixa etária. Pressionado pelo baixo crescimento econômico, a participação desse segmento no total de desempregados passou de 47,6% para 49,6% nos últimos dez anos.

Para a coordenadora do Empreendedorismo Juvenil e Microcrédito, Maria do Carmo Krehan, o projeto é uma forma de diminuir a taxa de desemprego dos jovens. Aproximadamente 450 pessoas aderiram à idéia, e outras 280 deverão participar em 2008. “De todos os jovens que nos procuram, 90% desejam se tornar um empreendedor de sucesso. Isso nos motiva bastante”, afirma. As áreas de maior interesse são confecções de roupas e acessórios em geral, serviços de alimentação e artesanato.

Noivos – É o caso dos noivos Elaine Galdino e Robson de Oliveira, ambos com 24 anos. Juntos, eles produzem peças com fibra sintética, que vão desde garrafas térmicas e lixeiras até móveis mais sofisticados, como estantes e sofás.

“Utilizamos cerca de R$ 1000 do crédito disponível no projeto para imprimir catálogos com os nossos produtos”, diz Elaine. O objetivo do casal é montar uma loja em 2009 com o apoio da Fundação Abrinq e do Citibank. “Por enquanto trabalhamos apenas com encomendas de amigos e familiares”.

Como funciona – O jovem que se interessar pelo programa tem até o dia 5 de maio para fazer a inscrição no site http://www.fundabrinq.org.br/microcredito. A primeira etapa será elaborar um roteiro com todos os caminhos para a implementação e sustentabilidade do empreendimento.

Após o curso inicial, com 70 horas de duração, o jovem receberá acompanhamento da equipe do projeto de acordo com sua opção, podendo participar de encontros e oficinas de formação continuada, de cursos complementares e consultoria técnica gerencial com cerca de 30 funcionários voluntários do Citi.

De acordo com o superintendente de assuntos corporativos e responsabilidade social do grupo financeiro, Anthony Ingham, os jovens empreendedores esbanjam boas idéias em propostas distintas e criativas. “Nosso objetivo é estimular esses profissionais na elaboração de grandes projetos. E estamos nos surpreendendo a cada ano”, finaliza.

Publicado em 16/04/2008 no site http://www.terceiro setor.org.br.

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