Humberto Maturana propõe o fim dos líderes e o resgate dos relacionamentos humanos nas empresas

O chileno Humberto Maturana é médico e biólogo de formação. Sua compreensão da biologia humana levou a teorias que originaram o pensamento sistêmico, um dos fundamentos da moderna gestão empresarial. Junto com Ximena Dávila, fundou e dirige no Chile o Instituto Matriztico, no qual trabalham com organizações humanas – sejam famílias ou empresas – a partir do que chamam de Matriz Biológica da Existência Humana. Nessa matriz, entrelaçam-se a Biologia do Conhecer e a Biologia do Amar.

Humberto Maturana e Ximena Dávila estiveram recentemente no Brasil participando de um seminário promovido pela Fundação Nacional de Qualidade. Nesta entrevista, em que fizeram questão de falar juntos por não admitir hierarquia entre a dupla, explicam suas propostas de resgate do ser humano, da sua capacidade de amar e de se relacionar, e de como isso refletiria de maneira positiva nas empresas. Além disso, vêem o nascimento de uma nova era em que os líderes serão dispensáveis.

Instituto Ethos:

O que é o pensamento sistêmico e como ele se aplica na gestão das empresas?
Ximena: Primeiro, faço uma pergunta a você: o que você entende por responsabilidade social empresarial?

IE: O Instituto Ethos é um pólo de organização de conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas que auxiliam as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seus compromissos com a responsabilidade social empresarial. Para o Instituto Ethos, a RSE é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

 

Ximena: No que você me disse, há o pensamento sistêmico-sistêmico. Não é uma empresa flutuando no ar, é uma empresa em um espaço que a faz possível, que a faz sustentável, que lhe dá energia – o que tem a ver com produtividade -, que faça sentido às pessoas. Isso vai fazer com que a empresa se mantenha assim. Porque se eu for vender trajes de banho na Antártida, vou me dar mal.  Se tenho uma empresa produtiva, se vendo algo, esse algo é um serviço à comunidade. Mas nós não falamos em “empresas privadas”. Dizemos que todas as empresas são “públicas”, porque têm de fazer sentido ao espaço social à que pertencem. Então, quando falamos de “empresas privadas”, falamos de algo que está fora do contexto da comunidade à qual pertence. E toda empresa pertence a uma comunidade, a comunidade é o que a faz possível. Você pergunta sobre o sistêmico. É o mesmo fundamento do que você nos disse, o olhar que você colocou foi o olhar sistêmico: são as empresas, as pessoas, o entorno, e a ecologia, ou seja, a biosfera. Isso implica ter consciência de um fluir sistêmico-sistêmico, que tem a ver com a dinâmica, com o acoplamento entre pessoas-empresa, empresa-comunidade, comunidade-biosfera.

IE: Vocês dizem que o pensamento sistêmico não é uma teoria. Por quê?

Ximena:

O sistêmico não é um pensamento, uma teoria, é um modo de vida. Porque somos constitutivamente sistêmicos-sistêmicos. O que acontece é que nascemos como seres amorosos. Quando nascemos, como bebês, vimos com todas as anteninhas para viver acoplados em coerência com o mundo natural. Mas vivemos em uma cultura que nos encaixota, que nos coloca na “adolescência”, na “hiperatividade”, na “ambição”, no “sucesso”, que nos categoriza. Tudo o que significa modo de vida começa então a desvanecer, a desaparecer. O que estamos dizendo não é convidar a um “pensamento sistêmico-sistêmico” como uma novidade, mas talvez recuperar em nós o que é constitutivo do ser humano. É que somos seres sistêmicos. Por exemplo, você fala da sustentabilidade, e a sustentabilidade, para que permaneça no tempo, implica que haja esta colaboração, o estar bem, o estar conversando.

Maturana: Queria propor um exemplo absolutamente cotidiano sobre a dinâmica sistêmica humana. Imagine que estamos na sala de uma casa com a mãe, o pai, os filhos, uma empregada, um conjunto de pessoas. E há um aquário. Um belo dia, o peixe desaparece. O que se transforma? Se transforma tudo. As crianças começam a perguntar onde está o peixe, e se antes tinham de buscar comida para ele, agora já não precisam mais, já não têm peixe. E a casa está diferente, porque o aquário não está mais lá. Tiramos uma coisa que parece tão simples, o peixe do aquário, e se transforma toda a casa. Até onde isso chega? Até onde estão interconectadas essas pessoas no viver social. Essa é uma situação sistêmica. É isso que queremos dizer quando falamos que não é um pensamento, não é uma teoria, é um modo de vida, uma dinâmica relacional.

 

IE: E como isso se reflete nas empresas?

Ximena: Esse modo de nos relacionarmos faz com que uma organização crie bons produtos, faz com que as pessoas se mantenham mais tempo lá. Portanto, a empresa se sustenta mais no tempo. O que acontece com muitas empresas? Elas se transformam em universidade para as novas pessoas que chegam, que ficam um tempo ali e logo buscam outro lugar, porque esse lugar já não lhes proporciona o que elas desejam em crescimento, em motivação, em capacitação, o que for. E por que não ficam? Muitas vezes não ficam porque não têm o sentido de pertencer.

IE: Maturana, você diz que as empresas são comunidades humanas, espaço de colaboração e co-inspiração. O que significa isso? O que significam esses conceitos?

Maturana: Há várias maneiras de relacionar-se entre as pessoas. Algumas são de autoridade. Sou o chefe, os que me são subordinados me obedecem. Os subordinados estão subordinados aos desejos, às ordens, às aspirações dos chefes. O chefe diz “eu quero tal coisa”, e isso é uma ordem. E o subordinado, sem questionar, faz. Essa é uma forma. A outra forma é que várias pessoas se encontram em um lugar e se movem com independência umas das outras, o que um faz não afeta os outros. E outras formas são aquelas nas quais diferentes pessoas interagem entre si, não em uma relação de autoridade e subordinação, não em uma relação de completa separação, mas fazendo coisas juntos. Este fazer coisas juntos pode conservar-se no prazer de fazê-las juntos ou derivar à subordinação ou à dispersão. Quando se conserva o prazer de fazer as coisas junto, se conversa. O que um diz não é uma exigência para os outros. É um convite, uma reflexão para gerar um fazer conjunto. Não se vive como isso uma ordem nem como indiferença, se vive como participação, um fazer de todos eles, no qual o que cada um faz é coerente com o que fazem os outros desde a autonomia, por meio da compreensão do que se está fazendo junto. Isso é o que queremos dizer quando falamos de colaboração. Esse espaço acontece em uma conversação, em uma co-inspiração. Por exemplo, aqui estamos juntos conversando, como resultado de uma co-inspiração. Em algum momento se sugere a necessidade de uma reunião, e isso se converge no fato de que estamos juntos e nos escutamos. Não há uma relação de autoridade, não estamos dispersos, mas estamos fazendo algo juntos que é uma entrevista, uma conversação, e tem um caráter que vai depender da natureza do que se faz. Mas, que está associado com o momento de estar aqui, de querer estar aqui, de fazer coisas que vão surgindo desta interação que não é de autoridade, e que não é de dispersão.

IE: Vocês fazem uma certa crítica à idéia da liderança, em oposição à idéia da gerência co-inspirativa, pois a liderança seria baseada em obediência a uma autoridade. Mas, tanto nas empresas como nas escolas de gestão, fala-se muito sobre a necessidade da formação de líderes. Como vocês vêem essa necessidade da formação de líderes? E como essa idéia da gerência co-inspirativa é recebida pelas empresas quando vocês a apresentam?

Ximena: As empresas que nos escutam são as empresas responsáveis, sérias e audazes. E a palavra é audaz, pois estamos convidando-as a uma mudança de era, passar da era da pós-modernidade à era da pós-pós-modernidade. A era da pós-modernidade é a era da denúncia, de dizer estamos mal, algo tem de mudar, temos as mudanças climáticas, estão morrendo espécies. Estamos como o discurso, mas estamos parados no mesmo lugar. Passar à era da pós-pós-modernidade é passar à era da ação, à possibilidade de que surja o Homo Sapiens-Amans eticus, cuja ética central é seu viver e conviver. Para esta mudança de era, estamos propondo o fim da era da liderança para entrar na era da colaboração e da co-inspiração. Quando falamos de liderança, estamos dizendo que há pessoas que vão guiar outros de alguma maneira. Acontece que no momento em que alguém guia, tudo nasce em sua mente. Mas, a palavra líder perdeu o sentido no mundo. Não é o líder, é o gerente a pessoa que tem mais responsabilidade, que co-inspira, que colabora. Você é gerente em uma empresa, e por ser gerente não é líder. Mas o que você faz na gerência co-inspirativa é convidar a inspirar-nos juntos, a colaborar em um projeto conjunto. Se eu sou o gerente co-inspirativo, para mim as pessoas são igualmente inteligentes, igualmente criativas, e as convido, inspiro, na direção desse projeto comum. Portanto, estamos convidando a uma mudança de era – passar da era da liderança para a era da colaboração e da co-inspiração em um projeto comum.

IE: Quem são esses tipos de Homo sapiens dos quais vocês falam?

Ximena: Há o Homo sapiens no sentido zoológico. Falamos em Homo Sapiens-Amans amans, Homo sapiens-Amans agressans e Homo Sapiens-Amans arrogans. Porque dizemos Homo sapien- Amans Amans? Porque nascemos como seres amorosos. Quando o chamamos de Agressans, ou uma pessoa que é agressiva numa relação, ela nasceu agressiva ou se transformou em agressiva pela cultura que viveu? Ela nasceu amorosa, como todos. E se transformou em um Homo sapiens-Amans agressans pelo modo de vida. E se transformou em um Homo Sapiens-Amans arrogans pelo modo de vida. Mas nasceu amoroso, da mesma maneira que nascem todos os seres humanos.

Maturana: Homo Sapien- Amans amans tem a ver com a origem do humano, com o conversar, com o que faz isso possível. No olhar zoológico, se fala do Homo sapiens, um ente zoológico. Estamos falando de um ente zoológico-psíquico, zoológico-relacional. É um animal que se constitui na história na conservação da linguagem e do conversar. E a emoção que faz com que seja possível que isso aconteça, na história evolutiva, é o prazer de estar junto, porque para que a linguagem surja, se requer permanecer na companhia dos outros.

Entrevista publicada no site www.ethos.org.br em 28/04/2008.

Instituto Votorantin seleciona projetos culturais

O Instituto Votorantim abre as inscrições para a 3ª seleção pública do Programa de Democratização Cultural Votorantim, que selecionará projetos que obejtivem a fruição, experimentação e vivência de conteúdos culturais pelo público, principalmente pelos jovens entre 15 e 24 anos. A Empresa investirá neste edital R$ 4 milhões em iniciativas de todas as áreas culturais.

Lançado em 2006, o Programa apóia, hoje, cerca de 50 projetos culturais, com atuação nos centros urbanos e rurais de todo o País, beneficiando mais de 200 municípios. “Procuramos direcionar recursos para o apoio a iniciativas que proporcionem, principalmente à população jovem, oportunidades de contato qualificado com atividades culturais. Seja por meio do acesso a produções artísticas ou pela abertura de portas para o exercício prático nesse universo, a intenção é promover a ampliação do contato com a arte. Por isso, apoiamos projetos de educação para as artes, apresentações em praças públicas, circuitos itinerantes, formação cultural, entre outras iniciativas”, explica Lárcio Benedetti, gerente de desenvolvimento sociocultural do Instituto Votorantim.

Para incentivar a elaboração de projetos direcionados à democratização do acesso à cultura, em 2007 o Instituto Votorantim desenvolveu o Manual de Apoio à Elaboração de Projetos de Democratização Cultural. A publicação está disponível no site www.institutovotorantim.org.br/democratizacaocultural.

Programa de Democratização Cultural

Em 2008, a 3ª seleção pública do Programa de Democratização Cultural selecionará projetos cuja soma totalize R$ 4 milhões. O limite do investimento será de R$ 600 mil por projeto. As iniciativas devem se destacar pelo alto impacto cultural e, também, pelo benefício ao público jovem.

Podem participar da seleção artistas, grupos, produtores e instituições de todas as regiões do País, que realizem ações culturais para estimular o interesse e ampliar o acesso dos jovens às manifestações artísticas. Os conteúdos devem ser atrativos e apresentados em locais de fácil acesso, de forma gratuita ou a baixo custo. Todas as áreas culturais podem ser contempladas – artes visuais, artes cênicas, música, cinema e vídeo, literatura, e patrimônio.

Inscrição e seleção de projetos

A inscrição de projetos deve ser feita pelo site www.institutovotorantim.org.br/democratizacaocultural. O processo é gratuito e aberto a pessoas físicas e jurídicas entre os dias 24 de abril e 08 de agosto deste ano. Serão qualificados para a etapa de seleção somente projetos que possuam, antes do término do período de inscrição, número de registro no PRONAC, pelas Leis Rouanet ou do Audiovisual.

Os projetos recebidos serão avaliados por uma comissão técnica independente, formada por especialistas da área cultural, que avaliará a adequação do projeto ao foco da democratização cultural, de acordo com os cerca de 20 critérios apresentados aos proponentes no regulamento da seleção. A decisão final fica a cargo do Comitê e do Conselho do Instituto Votorantim, que examinarão os projetos pré-selecionados pelos especialistas. Os projetos poderão ter qualquer duração, desde que as fases patrocinadas sejam realizadas entre janeiro e dezembro de 2009.

Os projetos apoiados pelo Instituto em 2008 foram escolhidos na 2ª seleção pública, realizada em 2007. Foram contemplados 12 projetos de todas as regiões do País – além da renovação de outros já existentes – com foco na democratização cultural.

Prazos e Informações
Período de inscrição: de 24 de abril a 08 de agosto de 2008, às 18h
Inscrições pelo site: www.institutovotorantim.org.br/democratizacaocultural
Dúvidas: podem ser esclarecidas pelo telefone (11) 2818-5021, de segunda a sexta, das 9h às 12h30 e das 13h30 às 18h, a partir do dia 24/4 até o dia 08/8, às 18h.

 

Manual de apoio a elaboração dos projetos e o regulamento da seleção estão no link “editais”.

 

Projeto dá “empurrãozinho” em jovens empreendedores

Por Vanessa Rosal*

A estudante de educação física Mayana Britto substituiu o “bico” de garçonete em um buffet infantil pelo próprio negócio. Orgulhosa, já investe sozinha nos estudos e mantém cerca de 20 colaboradores com a ajuda do Projeto Empreendedorismo Juvenil e Microcrédito, idealizado pela Fundação Abrinq em parceria com o Citi. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito para jovens de famílias de baixa renda e incentivar os conhecimentos técnicos relativos ao trabalho desenvolvido.

“Aproveitei quatro anos de experiência profissional para montar a minha agência de eventos. Hoje já consigo caminhar sozinha, mas tive um começo difícil”, conta Mayana, que completa 24 anos no próximo mês. “Ofereço serviços de garçom, alugo barracas de doces e salgados e faço a parte de recreação para crianças”. Pintar rostos e criar esculturas com balões são algumas das principais habilidades da estudante, que usou parte do crédito disponível no projeto para comprar um forno elétrico.

Semente – O valor do dinheiro concedido pelo Citi vai de R$ 550 a R$ 1500, com juros de 1% ao mês e carência de seis meses para quitação, a ser definida de acordo com o tipo de negócio. Este valor é considerado um “capital semente” para apoiar o pequeno empreendimento dos participantes. Mayana garante que precisará de mais crédito para adquirir novos equipamentos e, por conseqüência, aumentar o leque de serviços oferecidos.

“Depois que entrei para o programa da Fundação Abrinq dobrei o meu faturamento. Hoje em dia eu chego a realizar quatro festas por semana”, comemora a jovem empresária. Um evento completo, com recreação, barracas, pinturas, esculturas, garçons, algodão doce e outras guloseimas custa, em média, R$ 800. “Mas sempre negociamos e esse valor cai muito. Meu objetivo é deixar o cliente satisfeito e com vontade de quero mais”.

Uma pesquisa do economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revela que o jovem de 15 a 24 anos sofre para encontrar trabalho, uma vez que em cada dois brasileiros desempregados, um pertence a essa faixa etária. Pressionado pelo baixo crescimento econômico, a participação desse segmento no total de desempregados passou de 47,6% para 49,6% nos últimos dez anos.

Para a coordenadora do Empreendedorismo Juvenil e Microcrédito, Maria do Carmo Krehan, o projeto é uma forma de diminuir a taxa de desemprego dos jovens. Aproximadamente 450 pessoas aderiram à idéia, e outras 280 deverão participar em 2008. “De todos os jovens que nos procuram, 90% desejam se tornar um empreendedor de sucesso. Isso nos motiva bastante”, afirma. As áreas de maior interesse são confecções de roupas e acessórios em geral, serviços de alimentação e artesanato.

Noivos – É o caso dos noivos Elaine Galdino e Robson de Oliveira, ambos com 24 anos. Juntos, eles produzem peças com fibra sintética, que vão desde garrafas térmicas e lixeiras até móveis mais sofisticados, como estantes e sofás.

“Utilizamos cerca de R$ 1000 do crédito disponível no projeto para imprimir catálogos com os nossos produtos”, diz Elaine. O objetivo do casal é montar uma loja em 2009 com o apoio da Fundação Abrinq e do Citibank. “Por enquanto trabalhamos apenas com encomendas de amigos e familiares”.

Como funciona – O jovem que se interessar pelo programa tem até o dia 5 de maio para fazer a inscrição no site http://www.fundabrinq.org.br/microcredito. A primeira etapa será elaborar um roteiro com todos os caminhos para a implementação e sustentabilidade do empreendimento.

Após o curso inicial, com 70 horas de duração, o jovem receberá acompanhamento da equipe do projeto de acordo com sua opção, podendo participar de encontros e oficinas de formação continuada, de cursos complementares e consultoria técnica gerencial com cerca de 30 funcionários voluntários do Citi.

De acordo com o superintendente de assuntos corporativos e responsabilidade social do grupo financeiro, Anthony Ingham, os jovens empreendedores esbanjam boas idéias em propostas distintas e criativas. “Nosso objetivo é estimular esses profissionais na elaboração de grandes projetos. E estamos nos surpreendendo a cada ano”, finaliza.

Publicado em 16/04/2008 no site http://www.terceiro setor.org.br.

A distância real na avaliação

Fred Carden*

O status quo da avaliação de desenvolvimento não basta. Enquanto a avaliação é relativamente forte na América do Norte e na Europa, em outras partes do mundo, é bem fraca. Se quisermos que a avaliação floresça no Hemisfério Sul (África, Ásia, América Latina), a pesquisa sobre o tema não pode continuar a ser reserva das instituições baseadas no Hemisfério Norte e de seus valores.

Isso simplesmente reforça o status quo e reforça as desigualdades existentes na prática da avaliação. Se os doadores desejarem que a avaliação seja parte do processo de desenvolvimento e não apenas atenda ao seu propósito de responsabilização e aprendizado, eles precisam apoiar os pesquisadores do Hemisfério Sul. É essencial que os cidadãos, os pesquisadores do desenvolvimento e os profissionais dos países do Hemisfério Sul tomem a frente na construção de um campo de pesquisa e prática de avaliação em suas regiões. Essa é a verdadeira distância na avaliação.

Todas as abordagens da avaliação, desde a abordagem participativa à experimental, têm as suas limitações. Todas elas exigem pressuposições em certos estágios e todas são limitadas por fatores que não são incluídos em um estudo. Trabalhamos, portanto, com um conhecimento imperfeito e tomamos as melhores decisões que podemos na ocasião. Assim, o que devemos procurar não é a abordagem perfeita da avaliação, mas abordagens que respondam à questão específica que se coloca no momento, que possam absorver mudanças e novas informações, e cujas conclusões possam ser trianguladas com as conclusões de outros estudos.

A questão mais difícil diz respeito a quem faz esse trabalho. Eu gostaria de defender a posição de que o trabalho é mais bem feito por pesquisadores e organizações baseados localmente, que conhecem a cultura e o contexto, sofrem as suas conseqüências e têm a responsabilidade de desenvolver a capacidade de usar a pesquisa no processo decisório de instituições locais, governamentais, corporativas ou não-governamentais.

Sabe-se que uma quantia ínfima é gasta na avaliação de apoio ao desenvolvimento. Como eles, fico feliz em ver mais discussões sobre avaliação e espero que elas levem ao aumento em seu uso nas decisões sobre apoio ao desenvolvimento e a uma compreensão mais profunda do rigor. Mas o real desafio e a real oportunidade estão em ajudar os naturais dos países em desenvolvimento a usar a avaliação como suporte às estratégias e programas de desenvolvimento. Este artigo propõe quatro questões-chave que precisam ser consideradas na construção de uma avaliação que faça diferença para o desenvolvimento nacional. Eu concluo com comentários sobre o avanço.

Para que serve a avaliação?

A primeira questão é relativa ao uso. Para quem é a avaliação e a que propósito ela serve? Se o objetivo principal for garantir a responsabilização e o aprendizado do doador, então o status quo, com algum aprimoramento de qualidade, é adequado. A avaliação do desenvolvimento surgiu dessa necessidade. Se, como esperamos, a avaliação pretender servir ao processo de desenvolvimento, então ela precisa atender às necessidades dos tomadores de decisão e também os sistemas de governança. Não basta simplesmente torcer os sistemas existentes orientados e projetados para doadores. A mudança necessária não é uma mudança técnica, mas sócio-organizacional.

Que método será usado?

A segunda questão diz respeito à condução da avaliação. Desde que Carol Weiss começou a escrever sobre o uso da avaliação nas políticas nos anos 70, a maioria dos estudiosos do assunto reconheceu a importância central do engajamento dos usuários, tanto as equipes dos programas quanto os tomadores de decisões, a compreensão do contexto, a aplicação de novos modelos e perspectivas e o acompanhamento após a conclusão do estudo. A confiança tem um papel essencial neste processo, e a confiança aumenta significativamente através do engajamento local. O objetivo de uma avaliação deve ter um papel-chave na determinação do método mais apropriado. Qualquer que seja o método, a condução do estudo deve levar em conta a importância de se compreender as condições locais e garantir que as equipes possam responder e se envolver continuamente com os programas sendo avaliados, inclusive por um longo tempo após a conclusão do estudo.

A necessidade de rigor

Os que defendem o envolvimento local ativo na avaliação freqüentemente enfrentam críticas de que essa abordagem carece de independência. A terceira questão a ser considerada é que a “independência” é um mito útil, um ideal a ser perseguido, mas que nunca alcançamos. Lutamos para criá-la de muitas formas, como grupos de avaliação que se reportam a um Conselho em dez de à gerência ou usando um avaliador externo, seja uma pessoa ou uma organização. Entretanto, as pessoas, conselhos e organizações, todos têm valores, crenças e necessidades de sobrevivência, sendo sua independência limitada.

O que é crucial entender é que se os valores e crenças de uma sociedade são impostos a oura através da avaliação, temos uma situação que provavelmente levará a erros, ressentimentos e mal-entendidos. Mais importante do que a independência é a necessidade de adaptar a honestidade metodológica e intelectual – rigor. O rigor não é a visão pura de uma única metodologia, mas está mesclado em todos os métodos de avaliação e no cuidado no projeto, coleta e análise dos dados.

Sabendo a hora certa

A quanta questão é a hora certa. O desenvolvimento tem o seu próprio passo e ritmo. Raramente este estão alinhados com os prazos dos projetos e os planos de trabalho. Isso significa que é essencial saber mais sobre como se envolver nos processos que afetam a intervenção. Em termos de quem precisa saber, novamente os que podem seguir de perto o desenvolvimento ao longo do tempo são atores essenciais. Esses são os pesquisadores, os tomadores de decisão e as partes interessadas que têm.que enfrentar as conseqüências de uma mudança de política ou de prática no dia-a-dia.

A distância na avaliação revisitada

Se as organizações financiadoras desejam apoiar o uso de evidência no processo de decisão como parte do processo de desenvolvimento, é crucial desenvolver o campo da avaliação no Hemisfério Sul. Para esclarecer: desenvolver um campo não é treinamento nem transferência de técnicas. Envolve capacitar nações, seus cidadãos, pesquisadores e profissionais de avaliação a desenvolver culturas e capacidades de avaliação autóctones para contribuir para uma melhor tomada de decisões.

A avaliação em desenvolvimento permanecerá relativamente fraca desde que seja dirigida principalmente pelos doadores e través de instituições baseadas e criadas no Hemisfério Norte. Para que a avaliação capitaneada pelo país tenha o controle, o campo precisa ser desenvolvido de forma que mais e melhores avaliadores estejam trabalhando nas bases nas questões de desenvolvimento.

Não existe uma solução fácil para esse desafio, nem de curto prazo. Ele exige que os que apóiam os esforços de desenvolvimento considerem se vêem a avaliação como uma parte séria da paisagem do desenvolvimento ou meramente como uma ferramenta para responsabilização e aprendizado dos doadores. Se não preenchermos essa distância, a avaliação continuará a lutar com a contradição de se destinar a apoiar o desenvolvimento, mas, em operação, apoiar o status quo e reforçar a distância que existe entre o Norte e o Sul.

*Fred Carden é Diretor da International Development Research Centre and Research Fellow in Sustainability Science no Harvard’s Center for International Development.
Email: Fred_Carden@ksg.harvard.edu

Publicado em 21/04/2008 em www.gife.org.br

Inscrições abertas para o 4º Concurso Causos do ECA

Até 2 de junho estão abertas as inscrições do 4º Concurso Causos do ECA,  um concurso literário e cultural que procura disseminar e premiar histórias e experiências de cidadania vividas por meio da efetivação das diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A iniciativa divulga histórias contadas por pessoas que viveram ou presenciaram situações em que o Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA] mudou a vida de crianças e adolescentes. A idéia é mostrar a aplicação correta e transformadora do ECA e incentivar a apropriação dos objetivos do estatuto por parte da sociedade.

O concurso é promovido pela Fundação Telefônica por meio do Portal Pró-Menino – desenvolvido em conjunto com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor [Ceats], da Fundação Instituto de Administração [FIA], vinculada à Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo [FEA/USP] -, em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância [Andi].

As categorias que serão premiadas são:

a) Categoria Geral: “O ECA como Instrumento de Transformação” – trata-se de uma categoria em que qualquer história de transformação social de crianças ou adolescentes relacionada ao ECA pode ser relatada, desde que, não se enquadre na categoria especial.

b) Categoria Especial: “O ECA na Escola” – esta categoria prioriza a ação da escola, representada por pelo menos um de seus membros participantes, tais como professor, diretor, coordenador, aluno, monitor e outros em prol da garantia e promoção dos direitos da criança e do adolescente preconizados no ECA.

O participante terá que escolher entre uma das categorias ao se inscrever.

A premiação para os primeiros colocados em cada categoria serão:

 

1º colocado: 

a) computador de marca a ser definida pela Comissão de Concurso, com as seguintes características: processador de 2GHz, 256 MB de memória, 40 GB de disco com kit multimídia
b) R$10.000,00 (dez mil reais) em dinheiro.

 

2º Colocado: 
a) máquina fotográfica digital 
b) R$5.000,00 (cinco mil reais) em dinheiro.

 

3º Colocado: 
a) coleção de livros escolhida a critério da Coordenação do Concurso 
b) R$2.000,00 (dois mil reais) em dinheiro.

 

As inscrições devem ser feitas no www.promenino.org.br. No portal Prómenino também mais  informações sobre as categorias de premiação, prêmios anteriores, entre outras.

 

Fonte: www.fonte.org.br e www.promenino.org.br

 

Programa Internethos completa sete anos de mobilização regional pela responsabilidade social

Criado em abril de 2001, o Programa Internethos tem o objetivo de influenciar empresas e indutores para a ampliação do movimento de responsabilidade social empresarial no Brasil, fortalecendo o relacionamento com empresas associadas do Instituto Ethos que se localizam fora de São Paulo. Com o apoio institucional da Fundação Avina e patrocínio da Alcoa, o programa incentiva a criação de uma rede de responsabilidade social empresarial pela sustentabilidade, para que essa rede ajude na internalização de valores e práticas sustentáveis na cultura e nos processos de gestão das empresas.

A meta do Internethos é colaborar na transformação das empresas e parceiras para a construção de uma sociedade mais justa. Para isso, forma redes locais de aprendizagem, promove a articulação de parcerias e compromissos públicos, articula ações locais com empresas estratégicas e busca integrar as atividades regionais em torno das questões centrais do movimento de responsabilidade social empresarial nacional. As redes são formadas por meio de ações de sensibilização, articulação e mobilização das empresas associadas e entidades empresariais, com o objetivo de promover a gestão interna de responsabilidade social. Os articuladores são voluntários de empresas associadas e entidades empresariais parceiras nos estados de atuação, rede dos patrocinadores, rede de academia e rede de jornalistas.

Atualmente, o programa abrange 16 estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.

“Que bom que o Ethos decidiu abrir uma rede de empresas associadas em Brasília , pois nos proporcionou a oportunidade de trocar experiências com empresas que estão no percurso da gestão em RSE”, avalia Cilma Azevedo, da Caixa Seguros.

Aline Bernardes, da Tenace Engenharia, acredita que sua participação na oficina de indicadores teve repercussões positivas. “Voltei para a empresa, reuni a equipe que havia preenchido o relatório, e questionamos nossas respostas de forma mais crítica. Refletimos sobre nossa atuação”.

Somente no ano de 2007 foram realizados 102 encontros, com o total de 2854 participantes em vários tipos de atividades, como reuniões com entidades empresariais, oficinas sobre os Indicadores Ethos e encontros temáticos relativos a responsabilidade social e sustentabilidade. Entre os temas trabalhados nos encontros estão, por exemplo, práticas contra a corrupção, consumo consciente, voluntariado, ética empresarial e gestão em sustentabilidade.

Fonte: www.ethos.org.br

Santander seleciona projetos

O Banco Santander por meio da área de Responsabilidade Social, esta selecionando, entre os dias 14/04/2008 a 13/06/2008, projetos para integrem o Programa Parceiros em Ação.

O programa selecionará 10 iniciativas inovadoras anualmente que tenham como objetivo o acesso ao ensino superior e beneficiem o público adolescente, jovem e/ou universitário.


Podem participar do processo de seleção realizado pela  Organizações Não Governamentais, Associações e Organizações Sociais de Interesse Público (OSCIP), todas sem fins lucrativos, que atendam os seguintes critérios:

a-) Existência legal de pelo menos um ano;

b-) Documentação que comprove a sua existência;

c-) Situação administrativa e financeira regular;

d-) Localização em todas as regiões do Brasil com o desenvolvimento do projeto em uma cidade na qual o Santander possua atividade;

e-) Envio da proposta de acordo com o formulário padrão, acompanhado de orçamento e documentação da instituição;

g-) Envio da projeto dentro do prazo limite de recebimento;

f-) Iniciativas de até R$ 60 mil (sessenta mil reais) e que sejam desenvolvidas pelo período de até 12 (doze) meses.

 

Mais informações no sítio http://www.santander.com.br/portal/rs/script/ResponsabilidadeSocial.do