Pesquisa inédita revela os municípios onde mais morrem jovens por homicídio

29/01/2008 (Pauta ANDI)
As maiores taxas de homicídio estão longe dos grandes centros urbanos, o que mostra a interiorização da violência contra as pessoas de 15 a 24 anos
Veja no final desta pauta contatos de especialistas que podem comentar esses dados

Foi lançado em 29/01 o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de Pesquisas do Instituto Sangari. O estudo analisa a mortalidade causada por homicídios em geral, com foco especial nas mortes juvenis. O trabalho mostra quais são os municípios que mais vitimam jovens de 15 a 24 anos.

Ao analisar a evolução dos óbitos nos 5.564 municípios brasileiros – com base nos dados do Ministério da Saúde entre 1996 e 2006 – a pesquisa reafirma que esse segmento é o mais atingido pela violência letal. Nesse período, o aumento na taxa de homicídios entre os jovens foi de 31,3%, enquanto no resto da população foi de 20% (clique aqui para ver o gráfico com esta evolução).

Entretanto, o estudo afirma que desde 1999 a dinâmica da violência contra a juventude no Brasil vem se modificando, ao seguir uma tendência de interiorização.“Nossos dados reafirmam a tese de que a violência deixou de ser apenas um problema das grandes cidades e espalhou-se por todos os municípios brasileiros, inclusive os de menor porte”, afirma Jorge Werthein, diretor executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), uma das entidades responsáveis pelo Mapa.

Essa tendência pode ser verificada ao observar-se a lista dos 45 municípios que ostentam as maiores taxas de homicídio entre a população juvenil. Apenas três capitais figuram na relação (Recife, Maceió e Vitória). O primeiro lugar é ocupado por Foz do Iguaçu, no Paraná, com uma média de 234,8 óbitos por 100 mil habitantes dessa faixa etária. A capital pernambucana vem em segundo, com 214,3. Em seguida estão Santa Cruz de Minas-MG (211,8), Serra-ES (201,6) e Guairá-PR (191 mortes por 100 mil). Os dados provam que, embora as cidades pequenas tenham um contingente menor de jovens se comparadas às grandes metrópoles, apresentam taxas maiores ao registrar muito mais mortes entre esse o público do que os centros urbanos de maior porte.
Acesse a tabela dos 45 municípios com as maiores taxas de homicídio jovem

Vitimização juvenil – interiorização dos homicídios se comprova também quando são analisados os índices de vitimização juvenil, que se referem à proporção de homicídios de jovens em relação ao total de assassinatos acontecidos em determinada localidade. Na lista dos 45 municípios com as maiores taxas constam apenas seis capitais, sendo que apenas Macapá está entre os 10 primeiros, ocupando a sexta posição.

No primeiro lugar está Breves, no Pará, onde as mortes de jovens representaram 62,5% dos homicídios cometidos na cidade em 2006. A localidade paraense é seguida por Cambé-PR (57%), Sertãozinho-SP (56,3%), Balsas-MA (54,5%), Paulista-PE (52,7%) e Macapá-AP (52,2%).
Clique aqui para acessar a tabela com os 45 municípios com as maiores taxas de vitimização juvenil

Contexto estadual
Segundo a pesquisa, Pernambuco concentra 17 dos 100 municípios com as mais elevadas taxas de homicídio entre a população juvenil – a maior proporção entre os estados. Essas localidades centraram 73,1% dos homicídios de pessoas de 15 a 24 anos no território pernambucano em 2006. O Rio de Janeiro vem em segundo, reunindo 16 das 100 cidades, as quais compõem 76,6% dos assassinatos de jovens no estado carioca.

O Paraná está em terceiro, reunindo 13 das 100 cidades. Mas, juntas, elas representam somente 20,5% das mortes juvenis no estado. Alagoas está em sétimo, com seis municípios, sendo que estes compõem 71,8% dos homicídios de jovens naquela unidade da Federação. O que mostra como o perfil da violência varia segundo o contexto regional.
Clique aqui para ver a divisão por estado dos 100 municípios com as mais elevadas taxas de homicídio entre a população juvenil

A produção do Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008 é uma iniciativa da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), do Instituto Sangari, do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça. Esta é a segunda edição do trabalho, que analisa a evolução das taxas de óbitos nos 5.564 municípios do Brasil, com base nos dados do Sistema de Informação de Mortalidade do MS referentes a 2006. A primeira pesquisa dessa natureza foi lançada no ano passado, tomando como referência as estatísticas de 2004.

O Mapa detalha a distribuição de 556 municípios com as maiores taxas de homicídio na população total. Embora esses representem apenas 10% das cidades brasileiras, juntos concentram 73,3% dos assassinatos ocorridos no País no ano de 2006.

Informações:

Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA)
Jorge Werthein – Diretor Executivo
Julio Jacobo Waiselfisz – responsável pela pesquisa
Mariann Tóth – Assessoria de Imprensa
(61) 3248-5607 / 3248-3805 / 9156-9321
Luiz Recena Grassi – Consultor
(61) 9909-0000

Sugestões de fontes sobre homicídios de jovens:

ANCED – Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (pode fornecer o telefone do Cedeca em seu estado)
Mirana Casali – assessora de imprensa
(11) 3159-4118
comunicacao@anced.org.br

Fundos das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
Helena Oliveira – oficial de projetos
Alisson Stton – oficial de projetos
Gilberto Nascimento – oficial de comunicação
(61) 3035-1994

Observatório de Favelas do Rio de Janeiro
Jailson Souza e Silva – coordenador
(21) 3104-4057

Viva Rio
Mônica Cavalcanti e Adriana Lacerda – assessoras de imprensa
(21) 2555-3750 ramal 3218 ou 3248
monicacavalcanti@vivario.org.br
www.vivario.org.br

Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República
Carmem de Oliveira – subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
Carla Oliveira – assessora de imprensa
(61) 3429-3498

Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
Tiana Sento Sé – coordenadora
(61) 3429-3535

Movimento Nacional de Direitos Humanos
Ariel de Castro Alves
(11) 2117-1063 / 2117-1062 / (11) 8346-9534
ariel.alves@uol.com.br

Instituto Fique Vivo
Marcelo Domingues Roman – coordenador
(11) 4702-0692 /  9717-2179

Conectas Direitos Humanos
Lúcia Nader – assessora de imprensa
Heloisa Machado – advogada
(11) 3884-7440

Cejil (Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional)
Beatriz Affonso – diretora
(21) 2533-1660 / (21) 9213-3302

Centro de Defesa dos Direitos da Criança do DF (Cedeca-DF)
(61) 3226-7808
Perla Ribeiro – coordenadora
(61) 9267-7590
Climene Quirido – advogada
(61) 9972-5785

Organização de Direitos Humanos Projeto Legal
Carlos Nicodemos – coordenador
(21) 2507-6464 Ramal 203
comunicacao@projetolegal.org.br
www.projetolegal.org.br

ILANUD – Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente
(11) 3259-0068
karyna@ilanud.org.br

Anúncios